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Fidel: “número demencial de armas
nucleares dos EUA faz ridícula cruzada contra o Irã”
O
ex-presidente cubano Fidel Castro participou de mesa-redonda transmitida ao vivo
pela televisão cubana e Telesur no dia 12, na primeira entrevista desde seu
afastamento em 2006. Fidel denunciou o “número demencial” de armas nucleares em
mãos dos EUA e considerou “um pretexto ridículo” a cruzada contra o Irã por
supostas “uma ou duas bombas” dentro de “dois ou três anos”. Ele ironizou ainda
que um velho torpedo dos anos 50 haja explodido uma sofisticada corveta
fornecida pelos EUA à Coreia do Sul.
Os EUA
“sozinhos gastam mais que todos os países juntos”, afirmou o ex-presidente, que
considerou “demencial” a cifra de armas nucleares que EUA, mais Rússia, possuem:
“quase 7.000 ogivas estratégicas”.
Fidel
advertiu, também, sobre o “risco iminente de uma guerra no Oriente Médio”.
“Comecei a escrever sobre esse tema depois da acusação contra a Coreia do Norte,
à qual imputaram o afundamento de um navio sul-coreano muito sofisticado, um dos
mais modernos com que conta a indústria norte-americana, que usa metais
especiais, artigos que não são vendidos à Coreia do Norte”.
Fidel ironizou
a acusação contra a Coreia do Norte, a qual culpam de usar um velho torpedo dos
anos 50. “Imagine só, um velho torpedo contra esse navio sofisticado”, comentou.
“MAR DE FOGO”
O
ex-presidente relatou que um analista norte-americano deu uma explicação lógica:
“A Coreia do Sul estava fazendo manobras com seu aliado, Estados Unidos. O que
custa realmente aos EUA é admitir que foram eles que afundaram o navio
sofisticado da Coreia do Sul. Morreram 46 homens ... uma embarcação assim só
poderia ser explodida com uma mina. E foi o que fizeram”.
Fidel disse
ter considerado a situação “dramática” e recordou a frase usada pelos coreanos:
“haverá um mar de fogo”. Era o que pensava “inicialmente”, assinalou o
ex-presidente, “que o problema iria se desenrolar por ali porque não havia,
então, a resolução [do CS] sobre o Irã”.
Quando esta
foi aprovada, enfatizou Fidel, ficou evidente que “primeiro se desencadearia o
conflito no Irã, e depois na Coreia”. “Aqueles que devem estar mais atentos do
que se passa no Irã são os da Coreia do Norte”.
Ele comentou
as recentes declarações do linguista norte-americano, Noam Chomsky, que
assegurou que a posição dos EUA frente ao Irã, “é a mais séria crise de política
externa enfrentada pelo governo Obama”.
“O Irã é a
grande maçã da discórdia”, assegurou Fidel, “porque é seguro de que não poderá
ser inspecionado”. “Há 31 anos, quando desencadearam a guerra química contra a
Revolução do Aiatolá Komeini, que sem armas derrubou o Xá do Irã, não tinha
exército, tinha a guarda revolucionária”.
“Ahmadinejad
não é um improvisado – pode-se ou não estar de acordo com ele -, porém não é um
improvisado. Fazer um cálculo com base em que vão sair correndo até os ianques
para lhes pedir perdão é absurdo”.
Os iranianos
“estão se preparando há 30 anos, com desenvolvimento industrial, adquirindo
aviões, radares, armas antiaéreas... Os russos se comprometeram a lhes fornecer
o S-300, porém vão a passo lento e ainda não os entregaram. Compraram todos os
aviões que puderam comprar. Só de lançadores de foguetes, têm centenas. O
exército também tem suas forças de terra, ar e mar. Soldados, só de Guardiães da
Revolução, tem mais de 1 milhão. Estão treinando todas as pessoas maiores de 12
anos e menores de 60. E são 70 milhões de muçulmanos xiitas. Quem irá simpatizar
com esse inimigo que quer destruir tudo e, ademais, o declara?”
20 MIL BOMBAS
Considerando
todas as potências nucleares - são 20.000 armas nucleares -, é ridículo o
pretexto usado contra o Irã, e todas as resoluções (do CS da ONU). O risco de
que o Irã desenvolva ou fabrique dois artefatos nucleares dentro de dois ou três
anos. Onde está a lógica? Todo esse grande problema é por isso”.
O
ex-presidente afirmou que Cuba conhece muito bem a experiência nuclear. “Vivemos
o risco de sermos atacados. Na época de Reagan, fizeram um teste nuclear no mar.
Em um barco. Isso ocorreu porque tínhamos tropas viajando até a Namíbia”.
Através de Israel, “entregaram aos sul-africanos 14 artefatos nucleares, mais
poderosos que os que lançaram em Hiroshima e Nagasaki. Esta circunstância não é
nova. Nós tínhamos ali (Angola) 60 mil homens avançando. E vivíamos o risco de
uma experiência nuclear”.
Fidel
relembrou o momento em que os soviéticos instalaram seus mísseis nucleares em
Cuba. “Quando fizemos esta Revolução, não estávamos contando com nenhuma aliança
com a URSS”. Essa aliança “nos caiu muito bem, porque quando (os EUA) nos
tiraram o petróleo, (a URSS) o entregou a nós”.
“Não estamos
falando sem haver vivido uma experiência: a vivemos em 1962 e nos anos 70, em
uma missão internacionalista. E tomamos todas as medidas: avançar e se por sob a
terra. Não podíamos esperar pelo acaso. Tudo foi comprovado. Nem sequer Mandela
sabe o que fizeram com essas armas nucleares. Perguntei a ele: ‘Não se sabe’,
ele disse. Foram levadas. Nunca agiram de forma limpa”.
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