|
Veja e as “ditaduras
africanas”
Na edição
de 14 de julho em reportagem sobre a recente viagem do Presidente Lula a
África, a revista “Veja” assume de forma clara o papel de cão de guarda dos
EUA no que considera “reserva territorial” americana, a África.
O
preconceito racista escravocrata contra países pobres do continente negro
que, generalizando, chama de “ditaduras” é evidente. “Veja” ainda demonstra
contrariedade com a objetividade e eficiência da diplomacia brasileira.
Contra uma política externa independente, cujo “mérito dos fins
diplomáticos” tem sido oposto à política de big stick americana, mas que não
impediu que o Presidente Barak Obama dissesse que o Presidente Lula é “o
Cara”, para desventura de “Veja”.
As
“ditaduras africanas” das quais “Veja” “acusa” o Presidente Lula de ser
amigo são todos os países com os quais, segundo ela, só os EUA podem se
relacionar e manter como mercados cativos para suas multinacionais sugarem
riquezas como petróleo e diamantes. E além disso, obter lucros adicionais
exorbitantes com a venda de produtos industrializados, sobretudo armas.
Enquanto a África continua abandonada padecendo da miséria, da fome e de
doenças do subdesenvolvimento, escravizada pela política predatória dos
monopólios.
Os EUA
mantêm inúmeras bases militares em vários países africanos e um comando
militar especial no oeste da África. Base de apoio que utiliza para trafegar
soldados e armas de um a outro país com o objetivo de garantir seus
interesses econômicos e políticos nas guerras tribais. Guerras que fomentam
através de ONGs, “missões humanitárias” e “religiosas” que espalham por todo
o continente.
Não há
nada que determine que a África seja propriedade privada dos EUA e que o
Brasil não tenha que cultivar e desenvolver relações políticas e econômicas
autônomas com os africanos, como aliás, muito justamente tem sido feito
desde que Lula assumiu a presidência.
Em
respeito e em reconhecimento à África, em defesa dos interesses do Brasil,
Lula tem se empenhado em que o país seja, cada vez mais, amigo e parceiro
das nações africanas e, nesse sentido, desde 2003 visitou quase todos os
países do continente. África do Sul, Angola, Cabo Verde, Moçambique,
Nigéria, Argélia, Burkina Faso, Congo, Benin, Botsuana, São Tomé e Príncipe,
Namíbia, Egito, Líbia, Gabão, Camarões, Gana, Guiné Bissau, Senegal, Quênia,
Guiné Equatorial, Tanzânia, Zâmbia são alguns deles.
Com todos
esses países, graças à ação irretocável, firme e serena do Chanceler Celso
Amorim - que não se indispôs com os EUA mas também não considerou a África
“reserva de mercado” dos EUA - o Brasil foi até lá, ampliou a amizade, a
cooperação bilateral em vários e diferentes níveis, estimulou as políticas
de paz e o comercio internacional ampliando a pauta das exportações
brasileiras.
Inconformada com a força moral do governo Lula e com o respeito e a
credibilidade que o Brasil tem merecido do conjunto das nações, “Veja” evoca
bandidos guzano-cubanos financiados pela CIA para fazer greve de fome e
gerar factoides no “palco da globalização” para alimentar a cruzada que os
monopólios de mídia realizam contra Cuba há 50 anos e, de tabela, atacar
Lula e o Brasil. A revistinha não admite que a diplomacia brasileira não se
submeta à farsa que ela repercute.
Seria
imoral atender os latidos de “Veja”, e desconsiderar os interesses do
Brasil. Já passou o tempo em que um FHC submisso diante dos interesses
imperialistas e arrogante diante dos mais fracos e mais pobres envergonhava
o Brasil. Tempos ruins a que hoje “Veja” e seu candidato Serra – que há
poucos dias atacou a Bolívia e o MERCOSUL - tentam retroceder inutilmente.
“Veja” está contra o Brasil. Mas, o que é bom para “Veja” não é bom para o
Brasil.
ROSANITA CAMPOS
|