Para Aécio, escolha do vice de Serra teve
“erros e atropelos”
Em entrevista, tucano diz que “Lula é um fenômeno”
O
ex-governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), afirmou na segunda-feira (19),
em entrevista ao repórter Fernando Mello, do blog da revista Veja, que o
presidente Lula é o maior fenômeno político da história do Brasil. “O Lula é
um fenômeno. O Lula não é uma coisa normal. O Lula é algo que no futuro os
estudiosos os sociólogos vão analisar como algo que nunca aconteceu na
história do Brasil”, disse Aécio, ao falar sobre a força do projeto do
presidente Lula e de sua disposição de eleger Dilma Rousseff (PT) como sua
sucessora.
As afirmações do ex-governador foram feitas quando o repórter tentava
comparar a atuação de Lula em relação à candidatura da ex-ministra Dilma
Rousseff com a do próprio Aécio em relação à de Anastásia, apoiado por ele,
para o cargo de governador de Minas Gerais. “Eu não me coloco nesse patamar
[de Lula]”, disse Aécio Neves. E explicou o motivo: “Porque o Lula na
verdade representa o que? Representa a aspiração de ascensão social de
qualquer brasileiro”.
“Quando as pessoas vêem o Lula viajando pelo mundo, recebendo, sendo
recebido por reis, por rainhas, por grandes dirigentes internacionais,
enfim, o Lula caminhando por aí, as pessoas de alguma forma se vêem como
(...) vêem naquilo a possibilidade também da sua ascensão, do seu trabalho,
do seu campo profissional. E é natural que ele tenha uma força política e
nós respeitamos”, completou o governador.
Em outras declarações, divulgadas nesta quarta-feira pelo portal Terra,
Aécio Neves voltou a reconhecer a força política da candidatura Dilma
Rousseff e creditou esse fato à popularidade do presidente Lula. Durante
evento de campanha com os candidatos ao Senado, Itamar Franco (PPS), e a
governador, Antonio Anastasia, no início da semana, Aécio disse concordar
com as declarações de Serra de que Dilma Rousseff é espelho do presidente
Lula. “Eu concordo, isso não é demérito ou ofensa nenhuma. A candidatura
dela reflete a popularidade do presidente da República e a obra de seu
governo”. “É legítimo isso”, salientou.
Na entrevista a Fernando Mello, Aécio também criticou o processo de escolha
do vice de José Serra. “Temos que tirar lições dos erros cometidos neste
processo”. “O que ficou claro é que não se pode tomar decisões solitárias
quando se trabalha numa coligação política”, afirmou o ex-governador. “A
candidatura do Índio da Costa, apesar de todos os atropelos pode representar
uma certa renovação na chapa do partido”, afirmou o ex-governador. Apesar da
avaliação de Aécio, Índio da Costa já vem sendo comparado à Sarah Palin,
candidata da oposição nos EUA, pelas besteiras ditas e feitas, antes mesmo
do início da campanha na TV.
Ainda na entrevista, nenhuma pergunta foi feita sobre José Serra e também
nenhuma palavra foi dita pelo ex-governador sobre a situação do candidato.
Talvez o repórter não tenha entrado no assunto porque a Veja sabe muito bem
o que custou a imposição da candidatura Serra e os estragos que ela causou
nas hostes tucanas de Minas Gerais. Mesmo sendo sugerido que citasse o nome
do político mais importante da atualidade, Aécio nem assim aproveitou para
citar o nome do candidato de seu partido à Presidência da República.
Preferiu apontar sua preferência por outro parlamentar tucano.
Em função desses e de outros fatos, o ex-governador vem sendo cobrado por um
suposto corpo mole na campanha de Serra em Minas. Afirma-se que o nome do
candidato a presidente só é citado quando ele está no estado e que quando
ele vai embora, não se fala mais dele. Os críticos baseiam-se em
levantamentos feitos pelo PSDB. Segundo o partido, nos cinco atos já
realizados por Aécio, em nenhum deles o nome de Serra foi citado. “Viva
Minas, viva Anastasia, viva Itamar Franco [candidato ao Senado]”, teria dito
Aécio em um ato político, sem mencionar Serra. Segundo o levantamento,
Anastasia e Itamar também discursaram e não falaram do presidenciável.
Nesta quarta-feira (21), o ex-governador reagiu contrariado às críticas. Ele
negou que esteja pouco empenhado na campanha do presidenciável José Serra
(PSDB). “Nem em São Paulo há um apoio tão amplo no espectro partidário como
ele tem em Minas Gerais”, disparou o político mineiro. Em suma, Aécio
rechaçou nas críticas de que estaria fazendo corpo mole, mas aproveitou a
oportunidade para alfinetar a condução da campanha presidencial pelos
tucanos paulistas.
SÉRGIO CRUZ