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Garcia Linera, vice-presidente da Bolívia:
“Fechar bases dos EUA na Colômbia é melhor forma de acabar
tensões na AL”
O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, considerou, na última
terça-feira, dia 27, que a retirada das bases norte-americanas do território
latino-americano como a forma de resolução aos conflitos entre Colômbia e
Venezuela.
“A melhor forma de ajudar à paz e tranquilidade na América Latina é a
extinção, o fechamento definitivo de qualquer traço de base militar
norte-americana em nosso território”, afirmou o vice-presidente boliviano.
Segundo Garcia, as bases e tropas dos EUA enfincadas em solo colombiano
causaram, ao fundo, a ruptura das relações diplomáticas entre os governos de
Colômbia e Venezuela.
“Essa presença é um punhal no corpo latino-americano, causa de nossas dores,
de nossas desgraças, de nossas tragédias, de nossos enfrentamentos entre
irmãos”, destacou.
Além de retirar seus enclaves militares, Garcia ressaltou que os EUA deve
deixar de olhar a América Latina como um reservatório de matéria prima de
sua propriedade. “Os Estados Unidos deve aprender, cedo ou tarde, que com a
América Latina pode construir uma relação frutífera de muito respeito e de
mutua admiração”, afirmou.
O vice-presidente boliviano manifestou sua esperança de que a solução para
as divergências entre Venezuela e Colômbia serão resolvidas durante a
reunião da União das Nações Sul-americanas (Unasul). Garcia relembrou a
posição do presidente boliviano de convocar uma reunião de urgência da
Unasul para tratar o tema, considerando a organização como a mais adequada
para solucionar o impasse.
Anteriormente, o presidente da Bolívia, Evo Morales, havia responsabilizado
os EUA pela utilização da luta contra o narcotráfico com objetivos
políticos. Morales conclamou a América Latina a manter-se alerta contra a
intervenção norte-americana na região.
O líder boliviano destacou, durante a cerimônia de apresentação do
representante na Bolívia do Escritório das Nações Unidas Contra as Drogas e
o Crime (UNODC), o peruano César Guedes, que os tempos em que os impérios
condicionavam a ajuda ao combate ao narcotráfico à privatizações do petróleo
e setores estratégicos “ficou para traz”.
Essa luta “deverá ser realizada com soberania. Ficaram para traz os tempos
de imposições dos impérios onde eles contribuíam com o enfrentamento ao
narcotráfico, se privatizássemos o petróleo ou os serviços básicos”.
Morales relembrou que anteriormente com o pretexto de luta contra as drogas
em épocas de ditaduras na Bolívia, como a do general Hugo Banzer,
“massacravam a líderes sindicais e a mineiros”. |