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Evo repudia indicação para a USAID de
envolvido
em chacina na Bolívia
Um dia depois de o presidente Barack Obama ter nomeado o ex-assessor de
Gonzalo Sánchez de Lozada, Mark Feierstein, como administrador adjunto da
Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) para
a América Latina e o Caribe, o presidente Evo Morales advertiu que se
Washington continua com a intromissão nos assuntos internos do país e
financiando setores separatistas e golpistas, seus representantes serão
expulsos da Bolívia.
Em 2002, o norte-americano Feierstein dirigiu a campanha eleitoral do
ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada, que foi quem ordenou o
massacre que causou a morte de 67 pessoas, e feriu a mais de 400, quase
todas civis, durante a denominada Guerra do gás, em outubro de 2003.
Forçado a renunciar pela revolta da população que tomou as ruas do país,
o presidente assassino se refugiou nos Estados Unidos, onde recebeu asilo e
a proteção de George W. Bush, cujos funcionários tinham organizado sua
subida à Presidência. Com a assessoria e ajuda de Feierstein.
“Expulsamos o embaixador dos Estados Unidos, e à DEA e, longe do que
vaticinavam os defensores da ingerência norte-americana na Bolívia, nosso
país não se isolou no mundo, nosso comércio internacional cresceu e o
combate às drogas foi muito mais eficiente do que era com a presença dos
representantes americanos”, disse Evo Morales ao denunciar a agência
estadunidense e seu novo chefe para América Latina e o Caribe. “Se a USAID
continua trabalhando assim, a mão não vai me tremer para assinar sua
expulsão, porque somos dignos, soberanos e não vamos permitir nenhuma
ingerência”, acrescentou.
Em setembro de 2008, as relações entre a Bolívia e os Estados Unidos se
deterioraram devido ao envolvimento do embaixador norte-americano, Philip
Goldberg, com os setores separatistas no governo do departamento (estado) de
Santa Cruz, em aberta conspiração contra o governo de Evo Morales. Goldberg
foi expulso do país.
Pouco depois foram expulsas da Bolívia a Divisão Anti-drogas (NAS) e a
Administração de Drogas e Narcotráfico (DEA), também por atividades de
intromissão nas questões políticas internas.
A auto-denominada ‘empresa de consultoria’ Greenberg Quinlan Rosner,
presidida por Feierstein, articulou “estudos de opinião (pesquisas e grupos
focalizados), produção de meios de comunicação (televisão e anúncios de
rádio), e assessoria sobre os elementos de campanha como debates,
programação, a orientação e a investigação”, diz no seu sitio web.
Morales denunciou a agência estadunidense de financiar ong’s
pré-fabricadas com o objetivo de induzir a setores da sociedade a se chocar
com o governo.
No mês passado um grupo de camponeses realizou um bloqueio de estradas em
Caranavi, no subúrbios de La Paz, provocando dois mortos, para exigir a
instalação de uma fábrica de cítricos e salários bem acima da média recebida
pelos trabalhadores do país.
O governo já havia advertido sobre as relações entre a USAID e os
dirigentes que impulsionaram o conflito.
Feierstein atuou nos anos 90 como “Gerente de Projetos” na Nicarágua da
operação suja realizada pela Nati-onal Endowment for Democracy (NED),
subsidiária da USAID, para derrubar o governo da Frente Sandinista de
Libertação Nacional.
Realizou trabalhos dessa natureza na Venezuela, e mais recentemente em
Honduras, na véspera do golpe contra o presidente Manuel Zelaya.
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