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Ousar
lutar, ousar vencer!
CARLOS
RAMIRO DE CASTRO
São inegáveis os avanços obtidos no último
período a partir do fortalecimento da unidade da classe trabalhadora, dos
movimentos sociais e partidos progressistas, que se somam para pressionar
por mudanças, construir uma nova sociedade e garantir a efetivação de um
novo patamar de direitos.
De forma unitária, com marchas a Brasília,
mobilizações e greves, as centrais sindicais conquistaram, entre outros
importantes avanços, a política de valorização do salário mínimo, a
atualização da tabela do Imposto de Renda, a ratificação da Convenção 151 da
OIT - que estabelece a negociação coletiva no serviço público - e o seu
próprio reconhecimento legal enquanto entidades representativas da classe.
No dia 1º de junho em Assembleia no Pacaembu, na
Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, as centrais apresentaram uma
plataforma comum pelo fortalecimento do Estado, apontando propostas como a
defesa das riquezas do pré-sal, da jornada de 40 horas semanais e a
aprovação do projeto de combate à terceirização. Para a concretização desta
pauta, será necessário envolver e mobilizar milhões de brasileiros, rompendo
com o manto da invisibilidade da grande mídia, meio de contaminação da
ideologia e dos mesquinhos interesses dos seus proprietários sobre os
interesses da coletividade.
Prova disso é que, diariamente, os grandes
jornais e as emissoras de rádio e televisão estampam sua contrariedade com a
integração latino-americana, cujo êxito social e econômico se reflete na
diversidade do nosso intercâmbio comercial e de uma maior independência
frente aos EUA e à Europa. Caso o país seguisse o receituário tucano, ecoado
por sua mídia, estaríamos mais vulneráveis à crise internacional, com menos
condições de definir soberanamente o nosso próprio destino.
Recentemente, na busca incessante da paz, o
governo brasileiro foi o pilar de um acordo com o Irã. Inconformado com
tamanho protagonismo, esses mesmos jornais, rádios e tevês alinharam-se com
os interesses belicistas dos Estados Unidos, afrontando o desejo de toda a
Humanidade. Foi assim que passaram a reproduzir em seus editoriais,
entrevistas e reportagens o complexo de inferioridade de quem não vê a
grandiosidade de uma política externa independente, mas de quem quer o país
de joelhos, subalterno, capacho das grandes potências imperialistas e de
suas guerras de rapina.
O fato é que, ao longo de mais de uma década,
resistimos, no Brasil e no mundo todo, à política neoliberal de entrega das
nossas riquezas e privatização do patrimônio público, à perda de direitos,
ao arrocho dos salários, à terceirização e à degradação das condições de
vida e trabalho. Nos mantivemos de pé e, a partir da eleição do presidente
Lula, começamos a virar aquela página sombria de traição ao povo e ao país,
implementando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para dotar o
país da infraestrutura necessária ao desenvolvimento, ampliando os espaços
democráticos de participação popular com as inúmeras Conferências Nacionais
de Educação, Cultura e Comunicação, abrindo a porta para os negros nas
universidades públicas, combatendo a discriminação contra as mulheres com a
Lei Maria da Penha, estimulando a participação da juventude e valorizando os
aposentados e pensionistas, com reajustes superiores à inflação.
Agora é o momento de seguir em frente. Demos e
tucanos se propõem a escrever com Serra, ministro de FHC, a reedição daquele
desgoverno de triste memória, de criminalização dos movimentos sociais, que
entregou a Vale do Rio Doce e tentou até privatizar a Petrobrás. Felizmente,
o Brasil amadureceu e as forças políticas e sociais se encontram em melhores
condições para fazer o enfrentamento político-eleitoral e derrotar os
representantes do passado, construindo alianças para ir além das conquistas
do presente rumo à efetiva emancipação nacional.
Ao lado da classe trabalhadora e de todo o povo
brasileiro, vamos juntos descortinar um novo futuro de progresso, justiça e
solidariedade.
Carlos Ramiro de Castro é vice-presidente licenciado da CUT-SP |