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Negócios seguem como sempre no Congresso
Tempestade de Crédito na Europa(1)
MIKE WHITNEY*
A agitação do
mercado de crédito na zona do euro acendeu um comércio frenético nos
mercados globais. Na terça-feira, as ações caíram 300 pontos no índice Dow
Jones antes de subir não convincentes 257-pontos em retomada de final de
dia. Na quarta-feira o caos continuou, todos os maiores índices subiam e
desciam enquanto notícias positivas sobre bens duráveis eram negadas por
informes sobre os bambos bancos da União Europeia (EU). Vendas erráticas
empurraram o índice S&P para baixo, a 1.067, enquanto o Dow escorregava
abaixo dos 10.000 pela primeira vez desde 7 de fevereiro. A subida no Libor
(a Taxa de Oferta Interbancária de Londres) aumenta a volatilidade, uma
bandeira vermelha indica problemas nos empréstimos interbancários. Bancos
estão inseguros dos colaterais (garantias que os bancos oferecem na venda de
títulos a outros bancos) depois que a Grécia e outros membros do Clube do
Mediterrâneo parecem caminhar para a reestruturação [moratória - N.T.] A
Libor ainda não está nos níveis logo anteriores aos do momento da quebra do
Lehman, mas as taxas que os bancos cobram uns dos outros para empréstimos de
curto prazo dispararam para um patamar que é o maior dos últimos 10 meses.
Melhorar os dados da economia não diminuíram os receios de outra dissolução
ou removeram a estaca do coração do sistema. Os bancos ainda estão
carregados de empréstimos e títulos que estão perdendo valor. O sistema de
crédito está quebrando.
Quando os bancos
lançam mão de suas garantias para obter empréstimos de curto prazo, as
garantias efetivamente caem de patamar, limitando o acesso dos bancos ao
capital. Foi isso que desencadeou a crise financeira dois anos atrás, uma
corrida rumo aos repo [títulos com direito a recompra, ou seja, papéis que
os bancos se comprometem a comprar de volta caso caiam abaixo de um valor
acordado - N.T.]. Instituições “de depósitos” regulamentadas agora se apóiam
em um sistema de financiamento que opera além das vistas do governo, um
sistema bancário das sombras. Os bancos trocam garantias, na forma de maços
de títulos e obrigações com instituições de investimentos (quer dizer
“bancos das sombras” – bancos de investimentos, fundos de hedge,
seguradoras) via acordos de recompra (repo) para obter empréstimos de curto
prazo. O mercado de recompra agora rivaliza com o sistema bancário
tradicional em termos de tamanho, mas falta-lhe pára-choques e sinais de
‘pare’ que fazem a segurança do sistema. O sistema está instável de forma
inerente e predisposto à crise como um paper, recentemente liberado pelo
Federal Reserve Bank of New York (FRBNY), admite. A agencia Moody’s de
‘rating’ [as conhecidas ‘agências de risco’, que dão notas a títulos - N.
T.] resumiu suas conclusões da seguinte forma: o Mercado de repo “vai
permanecer uma fonte central de risco sistêmico, em especial dada a atual
volatilidade do mercado e ao fato de que o Federal Reserve como primeiro
agente para facilitar empréstimos não está mais na ativa... o mercado
permanece estruturalmente vulnerável a uma corrida à recompra... Se os
investidores de dinheiro caíssem fora em um ambiente tenso, os bancos de
desconto [autorizados a descontar cheques de outros bancos - N. T.] estariam
diante de uma escolha (assim como estiveram várias vezes em 2008) de
empurrar a exposição a créditos altamente vinculados a papéis para seus
agentes ou constranger os créditos de forma severa. Tais mecanismos podem
exacerbar o efeito de uma crise sistêmica e/ou específica... Enquanto as
questões que ainda restam ser resolvidas, no mercado de recompra, não são
solucionadas, o risco de corrida à recompra continua na ordem do dia” (do
documento Moody’s, thanks to zero hedge).
É muito ruim que
o Congresso não tome algum de seu tempo para ler a análise do Moody’s antes
de engolir os pedidos de provimentos de derivativos e capitais na lei de
reforma financeira. Isso os ajudaria a entender que ao aplacar Wall Street
eles estão trabalhando o terreno para outro desastre financeiro.
Quando o Lehman
quebrou, o presidente do Fed, Ben Bernanke, entrou como o emprestador de
último recurso para manter o sistema bancário funcionando. O Fed habilmente
passou de instituição de empréstimo para facilitador de quantitativos – uma
manobra que lhe permitiu livrar os mastodontes de Wall Street de seus
títulos tóxicos e empréstimos em inadimplência. Os esforços do Fed deram um
sopro de vida à economia, mas transferiram perdas gigantescas a sua própria
contabilidade. Os bancos da UE não têm estrutura política para colocar em
prática uma estratégia similar. Quando os bancos entram em colapso na
Espanha ou Grécia, as perdas têm que ser registradas, somando pressões
deflaci-onárias. Isto tem preocupado os líderes mundiais de que suas
economias sejam empurradas de volta para a recessão. Eis uma postagem
recente de David Rosenberg que sintetiza a presente situação:
“A tendência de
baixa no mercado nas semanas recentes está relacionada à crise da dívida da
Europa, ao aperto monetário na China e ao retorno à regulamentação do setor
financeiro que está atualmente sendo discutido no Congresso. A próxima
tendência de queda, especificamente no mercado de capitais e nos títulos
cíclicos, corresponde de forma mais geral ao risco econômico. Capitais
entraram neste período de turbulência valorizados por previsões de ganhos em
2011 e com um vento de popa de revisões de ganhos positivos e tendências de
recuperação do setor corporativo. Mas, se os índices do ECRI [Economic
Research Institute] e do Conference Board dos principais indicadores
econômicos, que mergulharam 0,1% em abril, são pressagiadores, então eles
prevêem um período de crescimento econômico abaixo da média de agora por
diante” (Café com Dave, David Rosenberg entrevistado por Gluskin Sheff). .
(Continua na próxima edição)
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Economista norte-americano
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