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EUA mantém 5 mil ogivas atômicas prontas
para uso
e diz que o perigoso é o Irã
Enquanto a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, insistia na
abertura da conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear
que a “grande ameaça nuclear ao mundo” era a bomba atômica do Irã que nem
existe, no mesmo dia o Pentágono anunciava, oficialmente, o atual arsenal
nuclear dos EUA: 5.113 ogivas “ativas” e outras milhares à espera de
desmontagem.
O anúncio tentou esvaziar a cobrança de muitos países sobre o
não-cumprimento pelos EUA – e demais potências nucleares militares – do
desarmamento nuclear previsto no tratado. Para, no lugar, insistir com a
atual estratégia norte-americana de manipular a suposta ameaça do “programa
nuclear do Irã” para impor seu monopólio sobre a tecnologia nuclear para
fins pacíficos, atualmente autorizados pelo TNP.
Não se deve depreender que, se os EUA admitem 5.113 ogivas, então esse é o
seu arsenal. Essas são as “ativas”, as “prontas para combate”, em posição de
disparo. Dias atrás, editorial do “New York Times” apresentou o arsenal
nuclear dos EUA como 10.000 ogivas. É que há milhares que estão simplesmente
estocadas, prontas para serem colocadas em posição de combate. O resto, por
estar obsoleto, ou ter validade vencida, é que será efetivamente desmontado
e neutralizado.
Já o “novo limite” do recém assinado tratado EUA-Rússia, de “1.500 ogivas
operacionais” para cada lado, constitui uma redução insignificante. O
anterior tratado SORT estabelecera que o arsenal de cada lado fosse reduzido
para “2.200” “operacionais” [“deployed”, prontos para combate] até 2012;
agora serão 1.500, mas os dois lados terão sete anos a mais para chegar a
esse patamar. Não é que o arsenal oficial dos EUA vá ser cortado pela
metade. O que vai ser reduzido para esse patamar são as ogivas “prontas para
combate”, em posição de disparo.
Redução também não quer dizer, necessariamente, desarmamento. Está liberado
o aperfeiçoamento e substituição de ogivas. O novo tratado estabelece limite
de 700 mísseis balísticos para cada lado - como a Rússia só tem 566, poderá
inclusive aumentar, para voltar à paridade “operacional” de lançadores com
os EUA, que têm 798.
O limite de “1500 ogivas” não inclui, ainda, as ogivas ditas
“não-estratégicas” dos EUA, armazenadas em outros países, e cujo número é
avaliado em cerca de 500 a 800 ogivas. As 200 que estão na Europa tiveram
sua retirada pedida pelos países do continente, mas os EUA se recusaram, em
reunião da Otan nas vésperas do TNP. E o Irã, sem bomba, é que é o perigo...
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