|
Regime de Israel barra a entrada do
linguista
judeu-americano Noam Chomsky
No domingo passado, soldados de Israel impediram que o lingüista
norte-americano Noam Chomsky, que tem se manifestado pelo fim da ocupação
dos territórios palestinos por Israel.
Chomsky que é judeu, teve seu passaporte carimbado com os dizeres “Entrada
Negada”. Além de ter sua entrada barrada, foi submetido a três horas de
interrogatório. O professor havia programado realizar palestras para o
palestinos em universidades da Cisjordânia.
Após seu retorno a Amã, capital da Jordânia, relatou que “cheguei com a
minha filha e dois velhos amigos, nos apresentamos na fronteira, onde todos
fomos interrogados. Queriam saber em particular sobre mim”, assinalou.
“O governo de Israel não gosta das coisas que digo, e só por isso não
permite minha entrada. Chegaram a dizer que não é bom que fale só em Bir
Zeit e no Instituto de Estudos Palestinos de Ramallah”, disse.
O legislador Mustafá Barghouti, anfitrião palestino do professor de
lingüística do Instituto Tecnológico de Massachusetts, advertiu que “essa é
uma ação fascista que equivale à supressão da liberdade de expressão”.
APARTHEID
Não foi a primeira vez que uma personalidade judia é proibida de entrar no
país por não comungar com a política de apartheid contra os palestinos. No
ano passado, o jurista sul-africano Richard Golstone, da comissão de
investigação da ONU, também judeu, foi impedido de entrar em Israel. Seu
crime foi apresentar um relatório, aprovado pelo Conselho pelos Direitos
Humanos das Nações Unidas, em que acusou o país de cometer crimes de guerra
e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza, exigindo que o governo
israelense investigue a atuação de suas tropas durante a agressão realizada
na região, quando foram usadas bombas que continham fósforo branco.
Na chacina perpetrada em Gaza foram mortos mais de mil palestinos e ficam
feridos mais de 5.000.
O relator especial da ONU para os territórios palestinos, o também judeu e
professor emérito de direito internacional da Universidade de Princeton,
Richard Falk, também foi impedido de ficar em Israel. Ele foi preso no final
do ano passado no aeroporto Ben Gurion, quando se dirigia aos territórios
palestinos ocupados, mantido por 30 horas numa cela e depois expulso para
Genebra, por ter denunciado que o bloqueio a Gaza, que antecedeu o atual
bombardeio e invasão, estava levando a um “desastre humanitário”.
“Tanto o ataque inicial contra Gaza quanto as táticas utilizadas por Israel
são graves violações da Carta da ONU, das Convenções de Genebra e do direito
internacional humanitário”, afirmou na ocasião Falk o relator especial da
ONU para os territórios palestinos Richard Falk.
Chomsky encontrou uma forma de enfrentar a truculência: decidiu marcara uma
aula por vídeo-conferência transmitida de Amã para a universidade de Birzeit,
a conferencia também será transmitida ao vivo pela rede de televisão Al
Jazeerah.
Já o porta voz do primeiro ministro Benjamin Netanyahu, Mark Regev, disse ao
New York Times disse que a idéia de que o coverno de Israel impede pessoas
criticas ao seu governo de entrar no país é “ridícula” e “não está
acontecendo”. |