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Cartel abusa no preço do aço e a
importação cresce 155%
A importação de
aço nos primeiros quatro meses deste ano cresceu 155% em comparação ao mesmo
quadrimestre do ano passado, de acordo com dados do Instituto Aço Brasil (IABr).
No período, o país importou 1,82 milhão de tonelada de países como a Rússia,
Ucrânia e China, sendo que em todo o ano passado a importação de aço foi de
2,2 milhões de toneladas.
A disparada da
importação se deveu aos altos preços praticados internamente pelo cartel que
domina a produção de aço - ArcelorMittal (com sede em Luxemburgo), Usiminas
(controlada pela Nippon Steel), Gerdau e CSN respondem por 95% da produção
nacional -, além do câmbio favorável às compras externas.
Somente neste
ano, o cartel já elevou o preço do aço entre 3% e 15%, dependendo do
produto, e novos aumentos estão a caminho, conforme informou o presidente do
Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, Carlos Loureiro: “É o que se
vem falando, sobre um novo reajuste em julho”. A Usiminas, por exemplo, já
anunciou que poderá aplicar um tipo de “gatilho” para elevar o preço do aço
sempre que houver alta no preço do minério de ferro, e seu vice-presidente
de negócios, Sérgio Leite, já adiantou que os aumentos podem ser maiores.
“Estamos totalmente atentos às oportunidades. Se houver espaço para 20%, 25%
ou 30% nós faremos”, disse Leite.
De acordo com o
presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe, no Brasil “a tonelada do aço
ainda é a mais cara do mundo”. “No Brasil, o preço do vergalhão de aço é de
US$ 1.670 a tonelada, custando 230% mais que o similar produzido na China
(US$ 502/t), 150% mais que o produto fabricado na Índia (US$ 667/t), e 92%
mais que o norte-americano (US$ 866/t)”. A construção civil, junto com o
setor de bens de capital e o automotivo são responsáveis pelo consumo de 80%
do aço no Brasil.
O presidente do
SindusCon-SP lembra que “no pico do crescimento econômico mundial em 2008, o
vergalhão de aço para a construção fabricado no Brasil era um dos mais caros
do mundo. A tonelada do produto custava US$ 1.901, o triplo do similar
chinês. Com a crise financeira que se sucedeu, os preços caíram. Mas o preço
do aço brasileiro teve a menor queda e continua bem acima dos demais”,
questionando que “os fabricantes de aço no Brasil mantêm seu preço quase no
pico de 2008 e ainda por cima querem voltar a elevá-lo? Se isso ocorrer,
haverá impacto na construção”. Isso porque, segundo ele, “a elevação só
passaria despercebida se houvesse baixa atividade, com os preços dos demais
materiais que compõem a cesta de insumos da construção em queda, devido à
oferta superar a demanda. Mas acontece o contrário. O setor está aquecido”.
No setor de
máquinas e equipamentos o aço pode chegar a 80% na composição dos preços dos
produtos - como no caso de alguns implementos agrícolas, e, de acordo com o
presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos,
Luiz Aubert Neto, o custo deverá ser repassado aos consumidores nos próximos
dois meses.
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