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Serra insulta outro país amigo: a Bolívia
O pré-candidato do PSDB à Presidência da
República, José Serra, insultou a Bolívia e seu povo ao dizer que o país
exporta 90% da cocaína consumida no Brasil e que o seu “governo é cúmplice”.
“Você acha que a Bolívia iria exportar 90% da cocaína consumida no Brasil
sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível. O governo boliviano é
cúmplice disto”, disse o tucano em entrevista à Rádio Globo, na
quarta-feira.
Após a agressão, Serra tentou minimizar o
ocorrido alegando que fez apenas “uma análise” da situação: “Não temo um
incidente diplomático. A melhor coisa diplomática para o governo da Bolívia
é passar a combater ativamente a entrada da cocaína no Brasil”. Justo a
Bolívia, que acolheu o ingrato em sua Embaixada na manhã do dia 1º de abril
de 1964.
O candidato do PSDB já tinha provocado a ira dos
argentinos depois de declarar, durante reunião na Federação das Indústrias
de Minas Gerais, que o Mercosul é uma “farsa”, que o bloco “só serve para
atrapalhar” e é uma “barreira para o Brasil fazer acordos comerciais”. A
Argentina é o principal parceiro comercial do Brasil no Mercosul.
Como se não bastasse atacar os países amigos do
Brasil na América do Sul, o pré-candidato tucano está despejando números e
informações falsas. Na sabatina com os presidenciáveis promovida pela
Confederação Nacional da Indústria (CNI), terça-feira (25), ele disse que a
taxa de investimento em São Paulo triplicou em seu governo. Foi corrigido
por Gustavo Patu, da sucursal da “Folha” em Brasília: “O tucano José Serra
misturou dados enganosos e de consistência duvidosa ao atacar a escassez de
obras públicas no Brasil e exaltar a expansão desses investimentos durante
sua gestão no governo paulista. Diferentemente do que disse, a taxa de
investimentos públicos - a participação deles na economia - não chegou a
triplicar em São Paulo. Passou de 0,43% para 0,97% do PIB estadual”.
No mesmo evento, José Serra disse diante dos
representantes da indústria que o Brasil tem a “maior carga tributária do
mundo”. O tucano excluiu alguns países desse mundo. A carga tributária no
Brasil corresponde a 35,8% do PIB, (ver matéria na página 11) e está atrás
de outros países como a França (46,1%), a Alemanha (40,6%), a Itália
(42,6%), a Bélgica (46,8%), a Dinamarca (50%), a Áustria (43,4%), a
Finlândia (43,6%), segundo a OCDE (Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico) - Revenue Statistics (2009). Como pode alguém que
se incensa como “experiente” e “preparado” cometer um erro primário desse?
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