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Argentina comemora os
200 anos do
início da revolução pela independência
A presidente Cristina Kirchner, acompanhada por sete colegas
latino-americanos - Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales (Bolívia),
Sebastián Piñera (Chile), Rafael Correa (Equador), Fernando Lugo (Paraguai),
José Mujica (Uruguai) e Hugo Chávez (Venezuela) -, assistiu ao encerramento
das comemorações do bicentenário da Revolução de 25 de Maio de 1810, data em
que se formou o primeiro governo argentino independente da Espanha.
Mais de 2000 atores, carros alegóricos com exposições de fotos,
pintura, e objetos históricos, com recursos como gruas e cenografias aéreas
desfilaram pelas principais avenidas do centro de Buenos Aires. O espetáculo
que reproduziu os momentos mais importantes da história do país foi
assistido por mais de 2 milhões de pessoas. Um dos quadros mais aplaudidos
pela população nas ruas foi o que encenava o repúdio à ocupação das Ilhas
Malvinas pela Inglaterra.
“Com todo o respeito em relação à Espanha, queria comemorar este
bicentenário acompanhada pelos homens responsáveis dos governos de América
Latina. Temos um objetivo comum: conseguir mais liberdade, mais equidade na
distribuição das riquezas, mais educação e saúde para nossos povos”,
declarou a presidente durante discurso pronunciado em cadeia nacional.
As comemorações começaram com a inauguração da Galeria dos Patriotas
Latino-americanos, que destacou os processos de libertação da América
Latina. Nas paredes da sala, que ganhou o nome de “Salão dos heróis do
Bicentenário”, ficaram expostas fotos e pinturas que homenageiam homens e
mulheres que lutaram pela independência e soberania do continente.
Entre os quadros da amostra se destacam os rostos dos argentinos
Hipólito Yrigoyen, Ernesto “Che” Guevara, Eva Duarte, Juan Perón, Juan
Manuel de Rosas; de Tiradentes e Getúlio Vargas; do libertador venezuelano
Simón Bolívar; do nicaraguense Augusto César Sandino; do peruano Túpac Amaru,
do cubano José Martí; do uruguaio José Artigas, do guatemalteco Jacobo
Arbenz, do mexicano Lázaro Cárdenas, entre outros.
“Aqui estão todos. Estão nossas grandes vitórias, e também nossos
fracassos”, disse a presidente, acrescentando: “quero homenagear os que
durante os últimos 200 anos deram a vida por uma América Latina mais
democrática, mais livre e mais unida. Alguns podem não gostar, mas nossos
povos estão bem melhores hoje que há cem anos”.
Cristina lembrou que a celebração do primeiro centenário foi
organizada “ainda olhando para a Europa, em um país onde havia sido
declarado o estado de sitio, onde os imigrantes, que trouxeram idéias
socialistas, foram reprimidos”.
Naquela época, insistiu, “não existiam direitos sociais e era muito
difícil ser sindicalista, como você, Lula”, afirmou. “Com vitórias e com
tragédias, chegamos a 200 anos com a democracia mais profunda de nossa
história”, completou.
Cristina Kirchner, lembrando o apoio recebido por todos os países da
América Latina e do Caribe à exigência da soberania sobre as Malvinas,
frisou que “voltamos a colocar essa questão aqui. A independência não é uma
questão formal. Todos devem respeitar os direitos, acabar a usurpação de
nossas riquezas, todos devem respeitar os direitos dos outros”.
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