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Israel negociou a venda de arma nuclear à
África do Sul
O governo israelense negociou a venda de armas nucleares à África do
Sul no período em que ainda vigia o regime de apartheid. Em 31 de março de
1975, Shimon Peres, atual presidente de Israel e então ministro da Defesa
firmou protocolo de intenções de venda dos armamentos ao lado da assinatura
do ministro da Defesa sul-africano, Pieter Botha.
As informações foram publicadas no jornal inglês The Guardian, assim como
fac-simile do documento firmado.
“Entre os presentes estava o tenente general R F Armstrong. Ele
imediatamente rascunhou um memorando atestando o interesse da África do Sul
de obter os mísseis Jericó, mas só se viessem acoplados com ogivas
nucleares”, informa o jornal.
Os documentos que informam sobre as transações foram divulgados pelo
acadêmico Sasha Poplakow-Suransky, formado em história moderna pela
Universidade de Oxford em seu livro A Aliança Abafada: A aliança secreta de
Israel com o regime de Apartheid da África do Sul.
Além de serem evidência documentada da existência do arsenal nuclear de
Israel, também mostram a característica do regime israelense através de suas
relações de venda de armamento e, portanto, de apoio ao regime racista da
África do Sul à época.
O The Guardian destaca que houve pressões do governo atual de Israel para
que o governo da África do Sul não atendesse ao pedido do acadêmico
americano e não liberasse os documentos. Destaca ainda que são revelações
“particularmente embaraçosas no momento em que ocorrem as discussões sobre
não-proliferação nuclear em Nova Iorque onde um dos focos centrais é a
desnuclearização do Oriente Médio (o que quer dizer a supressão dos
armamentos nucleares do regime belicista e de ocupação de Israel, o único
que possui tais armas na região).
O negócio não fechou, segundo o periódico, porque o custo era muito alto.
“A África do Sul acabou construindo suas próprias bombas, possivelmente com
a colaboração de tecnologia militar israelense”, diz o jornal inglês.
“A colaboração só cresceu nos anos subsequentes” e a África do Sul também
teria fornecido o urânio de que Israel necessitava para aumentar o arsenal
atômico.
O técnico nuclear Mordechai Vanunu revelou a existência de armamento nuclear
em 1986 fornecendo ao Sunday Times fotografias do local onde eram produzidas
(reator nuclear de Dimona). Por conta disso pegou 18 anos de prisão e hoje
cumpre mais três meses por ter se rebelado contra proibição de que tenha
contato com a imprensa, não falar com estrangeiros ou deixar sua região em
Jerusalém.
Segundo Suransky foi acordado que Israel forneceria três dimensões de
armamentos, terminologia em código que quer dizer, na verdade, três tipos de
ogivas: convencionais, químicas e atômicas.
Numa atitude típica das relações públicas de Israel, um porta-voz da
presidência declarou que “nunca houve nenhuma negociação” e que o informe
não tinha base, recusando-se a comentar sobre os documentos apresentados.
Revela também Suransky a existência de outro encontro, entre Peres e Botha,
desta vez no dia 4 de junho de 1975 em Zurique. O projeto então já adquirira
o codinome Chalet.
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