Lula: “Dilma vai escolher quem ela quiser
para o seu governo”
Na entrevista coletiva, Dilma frisou que há grandes obras de infraestrutura
para serem completadas
Em
entrevista coleti-
va, na quarta-feira (3), o presidente Lula, ao lado da nova presidente
eleita, Dilma Rousseff, elogiou o comportamento democrático da população
brasileira. “Eu acho que ninguém mais tem dúvida de que o povo brasileiro é
democrático e tem a democracia como um valor inestimável”, disse. Ele
agradeceu o apoio da população à candidatura de Dilma e garantiu que ela
“será uma grande presidente”.
Lula disse que espera uma oposição mais civilizada do que a sua, que “não
faça contra a Dilma a política que fez comigo, a política do estômago, da
vingança, do trabalhar para não dar certo”.
Ele criticou o lobby de setores da mídia na montagem do novo ministério. “Eu
tenho acompanhado nesse domingo, segunda e terça a imprensa e já vi governo
montado, governo destituído, eu já vi cargo indicado para tudo quanto é
lado”, disse. “Eu fui eleito em 2002 e eu tenho a exata noção da sensação da
formação de um governo. Eu acordo de manhã e vejo no jornal a foto de uma
pessoa que você nunca pensou em colocar no governo, mas está lá como
escolhida. Ou uma pessoa que você vai colocar, mas que está destituída”,
lembrou. “É ela, e somente ela, que pode dizer quem ela quer e quem ela não
quer. E somente ela e os partidos aliados é que irão construir a coalizão”,
acrescentou. Ele afirmou que o governo será “a cara e a semelhança de Dilma”.
Ele fez questão de frisar que não pretende interferir e prometeu aplausos e
ajuda quando for solicitado. “Na minha cabeça funciona a seguinte tese: rei
morto, rei posto. Eu disse a vocês que eu ia dar lição de como se comporta
um ex-presidente da República. Ele não indica, ele não veta. Um
ex-presidente da República poderá dar conselho se um dia for pedido. Se for
para ajudar, para atrapalhar nunca! É esse o comportamento de um
ex-presidente da República”. “Para mim e para as pessoas que fazem parte do
meu governo, nós vamos torcer para o sucesso da Dilma como se estivesse
torcendo para o nosso sucesso”, garantiu.
“Nem o Mano Menezes quando foi convocado para a Seleção pediu para o técnico
do Corinthians manter jogador. Como eu vou pedir?” “A continuidade é na
política e não nas pessoas”, frisou. “A Dilma tem que mostrar o time dela.
Ela é a pessoa que vai ser o técnico titular dessa seleção, ela vai escolher
quem ela quiser, para a posição que ela quiser. Eu não vou participar da
transição. Ela monta a equipe da transição que vai conversar com a equipe do
governo”.
G20
Lula disse que após o merecido descanso, a candidata vitoriosa deverá
acompanhá-lo à reunião do G20, em Seul, na Coréia do Sul. “É uma grande
oportunidade para os líderes do G20 conhecerem quem vai presidir o Brasil
pelos próximo 4 anos”, afirmou. O presidente criticou a guerra cambial em
curso no mundo e disse que vai brigar. “Eu vou pro G-20 agora para brigar.
Se eles já tinham problema para enfrentar o Lula agora vão enfrentar o Lula
e a Dilma”, observou.
A guerra cambial com a inundação mundial com dólares e a desvalorização
artificial da moeda, que Dilma também critica como “desvalorização
competitiva”, vem trazendo problemas para as empresas brasileiras, tanto as
exportadoras quanto as que enfrentam internamente os produtos importados.
Lula afirmou que o governo vai tomar medidas contra essa situação. “O Guido
e o Meireles sabem que terão que acompanhar a questão do câmbio. Nós temos
uma preocupação muito séria e vamos tomar cuidado. Vamos tomar todas as
medidas necessárias para que nossa moeda não fique supervalorizada”,
enfatizou.
Após a entrevista de Lula, Dilma também falou sobre a sua eleição e a
continuidade da política do governo. Ela enfatizou que não está “falando
agora sobre continuidade de nenhum ministério do ponto de vista das
pessoas”. “Eu estou falando do ponto de vista da continuidade das
políticas”, destacou. A presidente eleita disse que suas prioridades serão
nas áreas da saúde e segurança. Ela lembrou que os governadores estão
discutindo a questão dos recursos para a saúde e falando sobre a CPMF.
Segundo Dilma, “esse é um assunto que terá que ser tratado”. A CPMF foi
derrubada pela oposição no Senado durante o governo Lula e prejudicou a
saúde.
PMDB
Dilma afirmou que tem conversado muito com o vice-presidente Michel Temer
sobre a montagem do novo governo. O vice-presidente foi convidado por ela
para coordenar o processo de transição. O enfoque, segundo ela, será a
“construção de uma equipe única”. “Acho que a liderança do meu vice, nosso
presidente da Câmara, Michel Temer, é muito importante para garantir que
haja esse enfoque”, afirmou.
A presidente falou também sobre o salário mínimo e defendeu a atual política
de valorização de seu poder de compra. Ela garantiu, entretanto, que será
feita uma negociação com as centrais sindicais tendo em vista compensar o
índice baixo de crescimento de 2009, fruto da crise internacional. Dilma
garantiu também que vai ampliar e reajustar o Bolsa Família. Ela criticou os
que são contra o trem-bala e disse que vai dar prosseguimento a todos os
projetos e obras do atual governo.
Dilma falou sobre o carinho que terá com o Nordeste onde, segundo ela, “há
grandes obras de infraestrutura a completar”. “A integração da Bacia do São
Francisco, que é um dos projetos que leva água para as populações
nordestinas, tanto pelo eixo setentrional quanto pelo eixo leste, e que vai
assegurar que o Nordeste tenha não só água para beber como água para
produzir, do ponto de vista agrícola como também industrial. Então ela tem
que ser completada e vai ser completada ali em torno de 2012. A Ferrovia
Nova Transnordestina também, em torno do final de 2012 e início de 2013, que
é Eliseu Martins passando Salgueiro, Salgueiro Pecém e Suape”, salientou.
“Outra obra de grande porte que está se iniciando, já começou, além da
terraplanagem, já começaram as grandes instalações, é a refinaria Abreu e
Lima, ali em Pernambuco”. “Além disso, nós temos a Clara Camarão que está no
processo final. Essa não atinge mais o meu governo. Conclui no governo do
presidente Lula e as duas refinarias premium, tanto a premium do Ceará
quanto a premium do Maranhão, que são cruciais para o pré-sal. Porque nós
não podemos ser exportadores de óleo bruto. Se formos exportadores, vamos
perder muito dinheiro. Nós temos que ter duas refinarias Premium, não por
uma mania de grandeza, como algumas vezes a oposição falou da Petrobrás, mas
por uma estratégia. Porque você tem de refinar? Porque quando se refina, o
preço do petróleo sobe mais. E, proporcionalmente, há o custo do refino, que
te permite entrar numa outra área delicadíssima, que se chama petroquímica.
Aí o ganho é acima de 1000%”, completou.