Dilma: “ir em frente e ampliar as
mudanças que conquistamos”
Presidente eleita defende união em favor do Brasil na reunião do diretório
do PT, sexta-feira em Brasília
A
presidente eleita, Dilma Rousseff, afirmou, na reunião do diretório nacional
do PT, no último fim de semana, que tem certeza que contará com o apoio, a
maturidade e a compreensão do partido “para construir o consenso político em
torno do projeto nacional iniciado pelo governo Lula, juntamente com a
coligação de partidos que irá governar o país a partir de 1º de janeiro”.
“Devemos ir em frente e aprofundar o que conquistamos”, enfatizou.
Dilma também conclamou os militantes e dirigentes petistas a criarem um
clima de unidade nacional e reafirmou que vai “governar para aqueles que
apoiaram o meu nome e também para os que não apoiaram”. Para ela, “se
disputa na eleição e constrói-se a unidade no ato de governar”. Ela
aproveitou a reunião para reforçar a importância das alianças políticas na
condução do Brasil a um patamar de desenvolvimento maior, com soberania e
bem-estar de seu povo.
“Aprendemos a conviver com as diferenças. E sabemos que é possível, apesar
das diferenças, criar um consenso em prol do Brasil’, afirmou Dilma. “Nós
somos pessoas muito mais experientes na complexa relação entre partido,
governo e movimento social”, observou. “O fato de termos responsabilidades
diferentes e características diferentes não significa que nós não tenhamos o
mesmo grande projeto de transformação do País”, disse a presidente.
“A partir do momento que nós ganhamos, também temos que compreender esse
processo com maturidade. A compreensão é que temos que governar para aqueles
que nos apoiaram e para aqueles que não nos apoiaram”, disse.
Segundo Dilma, “a herança bendita do presidente Lula colocará para o novo
governo um grande desafio”. “As nossas conquistas não podem se repetir, sob
pena de não honrarmos o nosso compromisso de transformar este país”,
destacou, diante de uma platéia de cerca de 200 integrantes do diretório e
quatro governadores do partido.
Na abertura da reunião, ela se emocionou e também provocou emoção nos
presentes ao fazer um agradecimento à militância do partido. Dilma chorou ao
relembrar que em todas cidades em que chegava, já no aeroporto ela sempre
via “primeiro uma bandeira, uma camiseta, mas, sobretudo, a solidariedade
dos militantes”. “É para este partido que apresento a minha gratidão e o meu
reconhecimento”, disse ela, emocionada. Ela afirmou que durante toda a
campanha eleitoral viu um “partido vivo, atuante e combativo em todo o país
que contribuiu decisivamente para construir a vitória na disputa”.
A presidente eleita deixou claro para os presentes o seu otimismo para com o
Brasil. “Sem sombra de dúvidas, nas próximas décadas temos o grande desafio
de transformar este país, com justiça social que implica na erradicação da
miséria e onde os 186 milhões de brasileiros possam ser integrados às
riquezas que iremos produzir”, disse.
Na sexta-feira, a presidente participou ainda de um debate da equipe de
transição com mais de trinta especialistas para discutir como atingir mais
rapidamente a meta de erradicar a miséria absoluta do país. O debate foi
coordenado pelo vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), além do
grupo responsável pela parte técnica da transição, os deputados federais,
Antonio Palocci (PT-SP) e José Eduardo Cardozo (PT-SP), e Clara Ant. Dilma
afirmou no encontro que seu governo terá que ser inovador em política
social. “O desafio maior”, segundo Dilma, “não é apenas construir o perfil
das famílias em situação de pobreza extrema utilizando diversos métodos, mas
chegar aos meios eficazes para cumprir essa missão”. “Se a gente for olhar
bem em algumas regiões do País, vamos ver que o problema não é só
territorial, mas falta de oportunidade. E o lado da pobreza mais violento é
a criança”, alertou. O compromisso assumido pela nova presidente é antecipar
em dois anos o prazo para a eliminação da miséria extrema do país. A idéia é
atingir o objetivo em 2014 e não em 2016 como estava inicialmente previsto.