Presidente: “o povo brasileiro saberá
separar o joio do trigo”
No dia 7 de Setembro, o presidente fez um histórico pronunciamento repelindo
as calúnias de José Serra contra Dilma
Até fecharmos esta edição, prosseguia na campanha de Serra a confusão sobre
o que fazer depois que o presidente Lula, no Dia da Independência, acabou
com a folga desse pulgueiro. O Índio das quantas berrava que não se devia
responder, porque “Lula não é candidato”. Serra jurava que ia “peitar” o
presidente, aliás, uma excelente proposta. Havia rumores de que o Sérgio
Guerra estava propondo não fazer nem uma coisa nem outra, tendo como
proposta alternativa fazer as duas coisas. Na falta de consenso, previa-se
uma decisão para antes da Copa do Mundo – porém, diziam outros rumores, o
candidato resolveu que era preciso o homem certo no lugar certo. Para
responder a um pernambucano, requereu a consultoria de um cearense cabra
macho. Parece que chamaram o Eduardo Jorge, até porque é o único cearense
que está apoiando Serra.
Depois de agressões, insultos, calúnias e difamações à sua vitoriosa
oponente, após tratar o TSE como se o egrégio tribunal fosse uma cafua
golpista para uso privado, pedindo, para chegar ao poder sem voto e contra
os votantes, a impugnação de quem tem a esmagadora preferência dos
eleitores, Serra não tem do que se queixar. O que podia ele esperar?
Mas Serra é tão covarde que tem mais medo da derrota que da marca indelével
da infâmia.
Pode parecer inacreditável, mas ele esperava fazer tudo isso sem que
acontecesse nada – ou, mais precisamente, que Dilma e Lula se rendessem
diante da mentira, os eleitores o apoiassem por fingir-se de vítima, e, se
esses incapazes não o fizessem, o TSE o entronizasse no poder porque ele
quer ser entronizado no poder.
Pode ser incrível, mas era o que esperava, ele, que, segundo suas palavras,
“me preparei a vida toda para ser presidente”. Logo, a desgraça, tudo por
culpa do Lula e da Dilma, são esses botocudos, nordestinos, negros, pobres e
outros ignorantes, até brancos, que, por ter direito de voto, só servem para
atrapalhar, ao não reconhecer o seu espetacular preparo, provavelmente de
origem genética ou absorvido por osmose das fraldas.
“O principal patrimônio de um país”, disse o presidente Lula no
horário eleitoral de terça-feira, Sete de Setembro, “é seu povo, seus
homens e suas mulheres. E nós sabemos quanto tempo leva para um país
produzir homens e mulheres que se destaquem por seu trabalho e por sua
competência. Portanto, tentar atingir com mentiras e calúnias uma mulher da
qualidade de Dilma Rousseff é praticar um crime contra o Brasil e, em
especial, contra a mulher brasileira. Por isso, peço equilíbrio e prudência
a esses que caluniam a Dilma, movidos pelo desespero, pelo preconceito
contra a mulher e também contra mim. Peço também a eles mais amor pelo
Brasil”.
Homens e mulheres não fogem da responsabilidade pelo que fazem ou falam. A
isso se chama honradez, prerrogativa inseparável do ser humano. No entanto,
Serra, mesmo agora, mais exposto diante do país do que defunto em maca de
necrotério, ainda acha que pode fugir da responsabilidade pelo que fez. Como
se pode ver por suas declarações na quarta-feira, acha que tem o direito -
sem aguentar o peso da verdade, o peso da revelação dos seus delitos - de
insultar, mentir, caluniar, difamar gente de estatura incomensuravelmente
maior, gente que passou heroicamente pelas mais duras e aflitivas provas que
um ser humano pode passar, enquanto ele passeava pelos corredores de
universidades da elite norte-americana, pagas para ele não se sabe por quem
ou pelo quê.
Pois não tem esse direito, como ninguém tem, e as urnas, ao sanear
democraticamente a vida política, serão o castigo por seu crime. Poderia ser
diferente. Mas foi ele que optou por esse caminho. Portanto, que vá até o
fim.
Como disse o presidente Lula, “não é fácil construir uma nação forte,
justa e independente. Isso só pode ser feito por homens e mulheres livres,
que pensam e agem de forma solidária e construtiva. Jamais por aqueles que
só pensam em destruir. Que colocam os seus interesses pessoais acima dos
interesses do país. (…) infelizmente, nosso adversário, candidato da turma
do contra, que torce o nariz contra tudo o que o povo brasileiro conquistou
nos últimos anos, resolveu partir para os ataques pessoais e para a
baixaria. Lamento, lamento muito. Mas estou seguro de que os brasileiros
saberão repelir esse tipo de campanha. Pensam que o povo se deixa enganar
por qualquer história. Eles é que estão enganados: o povo brasileiro é
maduro e saberá perfeitamente separar o joio do trigo”.
A oposição, naturalmente, colherá os frutos espinhosos e amargos impostos a
ela por Serra, totalmente desnecessários, pois, como também disse Lula,
“é possível disputar uma eleição de forma honesta, democrática e civilizada.
É assim também que se constrói a independência de uma nação”.
Que agora apareçam alguns elementos dessa oposição acusando Lula e Dilma
pelo desastre ou suposto fim da oposição que antecipadamente vislumbram em 3
de outubro, somente mostra o cinismo e a degeneração completa do serrismo.
Quem apoiou, isto é, quem se submeteu a Serra, ajudou a provocar esse
desastre. Ao contrário do que se queixam, a derrota do filo-fascismo,
cripto-fascismo ou meio-fascismo é sempre a consagração da democracia. É
possível estar na oposição e ter o espaço que lhe cabe. Mas, certamente,
esse espaço diminui na proporção direta da submissão a um candidato cuja
sofreguidão golpista, antidemocrática, aparece em cada sílaba melíflua que
pronuncia. Felizmente, para quem está na oposição e não se submeteu à falta
de escrúpulos serrista, a recíproca também é verdadeira.
CARLOS LOPES