Tucano despeja toneladas de promessas
vazias na televisão
Nunca ninguém fez tão pouco caso da inteligência popular quanto faz Serra
Leitores,
vocês podem imaginar o nosso esforço, nesses dias que faltam até a eleição,
para escrever seriamente sobre a campanha eleitoral. Não é que falte gente
séria – Dilma é, certamente, uma das pessoas mais sérias deste país.
Mas não há como criticar o Tiririca, quando o Serra é candidato a presidente
da República. Aliás, o Tiririca é muito mais sério. Quer uma amostra,
leitor? Olha só o que captamos no horário eleitoral:
“80 milhões de votos. Ministro do Real. Ministro do Planejamento das grande
obras. Portos em Pernambuco e no Ceará. Saneamento: 72 projetos em 9
Estados. Verbas para o Metrô: Rio - SP - BH e Brasilia. Pró Moradia: casas
para famílias pobres para todo Brasil. Energia: mais 4 unidades geradoras
para Xingó. Ampliação da Refinaria Landulfo Alves. Construção dos gasodutos
em Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. O ministro do Pró
Emprego e do Plano de Ação para o Nordeste. 3 milhões de trabalhadores
beneficiados. O ministro do genérico. Do bolsa alimentação que virou Bolsa
Família. O deputado que criou o FAT. Que tirou do papel do Seguro
Desemprego. O prefeito das grandes escolas. Dos Hospitais. Do bilhete único
para ônibus e metrô. O governador da maior expansão da história do Metrô. Da
rede de ensino técnico. Governador do maior programa de urbanização de
favelas do país. Do maior programa de saneamento do litoral brasileiro. Este
é José Serra. Preparo. Honestidade. Competência”.
JUÍZO
Nenhum outro demente da política brasileira, jamais fez algo tão mentiroso,
doente, tão sem respeito pelos outros e por si mesmo, julgando as pessoas
burras, capazes de acreditar em qualquer coisa, sem juízo próprio, como se
não vissem a realidade, como se pudessem - e devessem - ser submetidas ao
império da canalhice com tanta facilidade.
“80 milhões de votos” (???). Serra nem era ministro quando o real foi
instituído. Ele próprio, quando Marina Silva lembrou que o governo Fernando
Henrique nada fez em saneamento, disse que ficou só um ano e meio como
ministro do Planejamento, e que não deu para fazer grande coisa.
Além disso, ministro do Planejamento trata do Orçamento, e nem mesmo da
versão final, elaborada pelo Congresso. Não faz obras, não faz portos, não
saneia, não faz metrô, casas, hidrelétricas, refinarias ou gasodutos. E
Serra nem mesmo foi responsável por esses projetos. Agora, pegou todos eles
(realizados ou não) e se atribuiu a autoria.
Ele ficou conhecido como o ministro do Desemprego. Mas eis que surge um “Pró
Emprego” que ninguém viu e até um “Plano de Ação para o Nordeste” - gosta
tanto dos nordestinos, que dizem que pediu ao Sarkozy para incluí-los no
plano de valorização dos ciganos do governo francês, pois nordestino e
cigano é tudo a mesma coisa, vivem andando de um lado para o outro.
Não vamos nos estender sobre os “3 milhões de trabalhadores”, certamente
beneficiados por livrarem-se de seus empregos, nem sobre a dengue, lepra,
tuberculose e outras benesses de sua administração na Saúde - de passagem,
lembraremos que os genéricos foram criados pelo ministro Jamil Hadad, o FAT
pelo deputado Jorge Uequed, o bilhete único pela prefeita Marta Suplicy, o
seguro-desemprego foi tirado do papel pelo presidente Sarney,, e o bolsa
alimentação, uma demagogia para meia dúzia de grávidas, nada tinha a ver com
o Bolsa Família.
Mas, e as “grandes escolas”? Quantas Serra construiu? Nenhuma. E os
hospitais foram dois, privatizados rapidamente sob o regime das infames OS.
Se as previsões fossem verdadeiras – e o próprio Serra já disse que elas não
têm importância – entre 2007 e 2010 seriam construídas 5,6 km de linhas do
metrô, a metade cabendo a Serra, 2,8 km, muito menos do que Maluf ou
Quércia. Quanto às escolas técnicas de Serra, oferecem, sobretudo, meia
dúzia de cursos inúteis – além de, por exemplo, canto e dança.
Talvez o mais alucinado seja “o maior programa de urbanização de favelas do
país” - vai ver que é na Califórnia. Serra deve ter confundido o país. O
mesmo sobre o “maior programa de saneamento do litoral brasileiro” (deve ser
na praia particular do Daniel Dantas).
Bem, “este é José Serra. Preparo. Honestidade. Competência”. Um sujeito que,
portanto, não existe.
PROMESSAS
Mas, vejamos algumas (só algumas) coisas que ele prometeu nos últimos dias,
segundo o seu site de campanha:
1) “asfaltar a Transamazônica” (só 4.000 km na selva, em cima da
lama, com os índios, o Ibama, os ecologistas e as onças adorando aquele
cheiro de alcatrão...);
2) “subir o salário mínimo para R$ 600 no primeiro mês de governo”
(não era ele que dizia que o mínimo estimulava a incapacidade, estourava as
contas da Previdência e falia as empresas?)
3) “desenvolver a indústria da biodiversidade” (a biodiversidade é
uma característica da natureza, não uma indústria, ele deve ter confundido
com o comércio da biodiversidade);
4) dotar de “saneamento 12 milhões de casas” (podia começar pelas que
não saneou em SP);
5) “fazer a reforma política” (deve ser para obrigar todo mundo a
votar no Serra, única ideia que, com certeza, ele tem sobre o assunto);
6) “regulamentar a profissão de agente comunitário” (de que área?
Qualquer uma?!);
7) “criar o Ministério da Pessoa com Deficiência” (e, provavelmente,
o da Pessoa com Joanete);
8) “enxugar o número de funcionários” (uai, não era para inaugurar
mais ministérios?);
9) “instalar centros culturais de ponta” (de ponta? Como assim?);
10) acabar com as “favelas ou lugares degradados” (os favelados
passarão a morar em rios; por exemplo, o Rio da Guarda);
11) “refazer” a região cacaueira, pois o cacau “demora cinco anos
para ser produzido” (por decreto, o cacau vai demorar só dois meses);
12) “asfaltar a Cuiabá-Santarém” (como é obra do PAC, quer botar asfalto no
asfalto do Lula e da Dilma);
13) e “fazer um metrô na Baixada Fluminense”, “fazer um metrô em Porto
Alegre”, “fazer um metrô em Salvador”, “fazer um metrô em Goiânia”, “fazer
um metrô em Nova Friburgo”, “fazer um metrô em cada cidade com mais de 500
mil habitantes”, “fazer 400 km de linhas de metrô”, “transformar as
ferrovias urbanas em metrôs de superfície”.
Nesse último item, Serra tem experiência, pois afundou uma linha numa
cratera, alagou estações e transformou o resto do metrô num trem da Supervia
– portanto, para fazer o que prometeu basta um pouco de engenharia reversa.
Antes, ele prometeu dobrar o número de atendidos pelo Bolsa Família
(provavelmente com a importação de famintos dos EUA). Falta só prometer que
as escadas só vão descer e jamais subir – e dar duas casas para cada
brasileiro, uma para morar e outra para alugar.
Que 3 de outubro chegue rápido e que para Serra a terra seja pesada, muito
pesada.
CARLOS LOPES