Obama alardeia saída do Iraque mas deixa lá 16 mil mercenários

O jornal Washington Post e a rede CNN afirmam que, juntando-se os 200 marines, os 1700 diplomatas e os seguranças (mercenários), ficarão no Iraque 16 mil americanos armados

Com a proximidade das eleições, Barack Obama resolve anunciar que “depois de nove anos a guerra da América no Iraque estará terminando” e que “o Iraque será bem sucedido”.

Anúncios bombásticos à parte, a guerra do Iraque ficou muito impopular nos EUA, com os mais de 4.400 soldados mortos, mais de 100 mil feridos e a um custo avaliado pelo NYT em US$ 1 trilhão. Obama teve na promessa de que acabaria com a presença de soldados norte-americanos no Iraque um fator importante para sua eleição – que com as reiteradas concessões aos republicanos – deixa agora a sua reeleição com sério risco, como mostraram as chamadas eleições parlamentares de meio-mandato, ocorridas em 2010 onde os democratas amargaram uma espinhosa derrota eleitoral.

Na verdade ficarão no terreno, conforme dizem NYT e Washington Post, cerca de 16 mil norte-americanos.

A finalidade é distribuída: militares oficiais serão 200 marines; um tanto será de “diplomatas”, outro serão “seguranças contratados” (eufemismo para os mercenários do tipo Blackwater, que depois de chacinas fora de combate tiveram que mudar de nome da companhia para Xe, mas continuam a enviar os mercenários). Haverá milhares de treinadores para ensinar os iraquianos a usar os tanques e caças que os iraquianos vão comprar aos americanos para transferir mais alguma grana ao sistema militar dos EUA. Eles estarão espalhados pelas 10 bases que os EUA construíram para abrigar suas tropas no Iraque. O general Martin Dempsey, chefe do Estado Maior do Exército dos EUA, disse, em depoimento a um comitê do Senado, que os ocupantes não correriam risco pois ficariam treinando policiais e militares iraquianos “dentro das bases e não ficariam circulando pelo país”.

Num estilo típico, Obama quis agradar os eleitores mas sem se chocar com os republicanos que insistiam (junto com os falcões do Pentágono) que deviam permanecer no Iraque pelo menos 20 mil soldados.

Declarou que o primeiro-ministro do Iraque, Nuri Al Maliki, alegando dificuldades com membros de seu gabinete, não conseguiria mais manter o status de imunidade aos soldados norte-americanos (ou seja, que eles não seriam julgados por tribunal local por assassinato e agressões em geral contra os civis iraquianos). Quem poderia acreditar que os marionetes que voltaram ao Iraque dentro dos blindados das tropas invasoras teriam essa autonomia?

Como seguro morreu de velho e os norte-americanos não sabem avaliar o tamanho da encrenca que a Resistência tem preparada para o dia seguinte à retirada vão estacionar um contingente de 25 mil soldados seus no vizinho Kuwait (como informa o site Army Times).

O diálogo entre o general Dempsey e o secretário de Defesa, Edward Panetta de um lado e ex-candidato à presidência do país, McCain, de outro, dá a dimensão da embromação de Obama: McCain disse que não acreditava na história da reunião do presidente com o fantoche iraquiano na qual este último teria dado provas de seu compromisso com a soberania do Iraque. “A verdade”, disse McCain, “é que este governo já havia se comprometido com a completa retirada das tropas norte-americanas do Iraque e agora fez com que isso acontecesse”.

Ao que o general Dempsey contestou: “Senador McCain, isso que o senhor diz simplesmente não é verdade”.

“Secretário, eu estive lá”, disse Mc Cain, “e o senhor não” (referindo-se a uma visita de algumas horas a Bagdá em 2008).

O secretário Panetta redarguiu: “Estamos tratando de negociações com um país soberano, independente. Não podemos sair dizendo o que vamos fazer e a eles o que eles vão fazer”.

“Estamos tratando é de nossas necessidades, senhor secretário”, deixou claro McCain.  

               NATHANIEL BRAIA 

 


Capa
Página 2
Página 3

Melhora de Lula surpreende médicos: tumor reduziu 75%

Pimentel diz que está “tranquilíssimo” e que não tem mais nada a declarar

Diretor da Chevron diz que vazamento que poluiu Bacia de Campos foi obra do acaso

Amorim: “não existe uma Nação livre e soberana sem Forças Armadas equipadas e com poder dissuasório” 

Empresa de filho de FHC fica sob o mesmo teto de empresas de fachada de Ricardo Sérgio e Veronica Serra

Transpetro lança ao mar navio com o nome de José Alencar, ex-vice-presidente da República

Página 4 Página 5 Página 6

Uma viagem ao belo país de Kim Il Sung e Kim Zong Il (4)

Página 7

Obama alardeia saída do Iraque mas deixa lá 16 mil mercenários

Movimento Ocupem Wall Street paralisa portos da costa oeste

Italianos fazem greve geral contra arrocho das pensões

Cúpula Europeia aprova plano Merkozy e prosseguem os ataques especulativos

Dirigente do Grande Partido Nacional sul-coreano renuncia após cometer ato de pirataria cibernética

PC defende novas eleições onde houve fraude e repele ingerência externa na Rússia

Irã trata com a Rússia acerca da violação de seu espaço aéreo pelos Estados Unidos

Al Jazira espanca repórter que tentou fazer errata sobre a Síria

 

Página 8

Sírios formam extensas filas para votar em eleições com 42.889 candidatos