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Mídia esconde revoltas em Honduras
Na quarta-feira passada, 30 de março, milhares de trabalhadores de Honduras
aderiram ao “paro cívico”, convocado pela Frente Nacional de Resistência Popular
(FNRP).
A mídia nativa, porém, não deu destaque ao protesto ou a repressão. Desde o
golpe que derrubou o presidente Manoel Zelaya, em junho de 2009, ela continua
torcendo pelos golpistas, serviçais dos EUA.
Segundo Giorgio Trucchi, em artigo publicado no sítio independente da Agência
Latinoamericana de Informação (Alai), a violência policial não conseguiu inibir
a mobilização, “mas deixou como saldo o ataque as sedes de sindicatos e disparos
que mataram um grevista no povoado de Bajo Aguán e feriram dezenas de
manifestantes em todo o território”. O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria
de Bebidas e a Universidade Autônoma de Honduras foram invadidos com brutalidade
e vários grevistas foram presos.
Golpistas apoiados
pelos EUA
Em Tegucigalpa, capital de Honduras, a greve paralisou o setor de
transportes. “A população ocupou vários pontos da capital e promoveu
manifestações nas principais artérias... Centenas de professores, que
lutam para que não se privatize a educação, se concentraram em frente a Corte
Suprema da Justiça, exigindo a libertação de 20 colegas acusados por ‘protestos
ilícitos’”.
Diante da expressiva adesão, o golpista Porfírio Lobo esbanjou truculência.
“O regime sucedâneo do golpe de Estado demonstrou novamente a sua verdadeira
cara, ao reprimir pela segunda semana consecutiva o povo em resistência”, aponta
Giorgio Trucchi.
Segundo Bertha Cáceres, coordenadora do Conselho Cívico de Organizações
Populares e Indígenas de Honduras (Copinh), a greve da semana passada confirma o
avanço da consciência e da mobilização no país. “Hoje é maior a nossa capacidade
de resposta”.
“Estamos defendendo nossos direitos, nossa territorialidade e nossas
conquistas. Estamos convencidos de que esta mobilização permanente não vai
parar”, garante Cáceres. Para ela, o regime autoritário de Porfírio Lobo se
mantém graças ao apoio dos EUA, que segue financiando e treinando as forças
repressivas do Estado e conta com tropas próprias nas bases militares em
Honduras. |