|
Brasil repele relatório dos EUA sobre ‘direitos humanos’ no país Governo dos EUA omite as agressões aos direitos humanos que acontecem lá ou sob sua jurisdição, lembra o Itamaraty em nota divulgada na sexta
O comunicado assinala ainda que “tais avaliações não incluem a situação em seus próprios territórios e outras áreas sujeitas de fato à sua jurisdição”. Este trecho do documento, emitido no mesmo dia da divulgação do relatório do Departamento de Estado americano, é uma clara referência ao desprezo que o governo dos EUA tem por qualquer vestígio de direitos humanos de seu próprio povo, particularmente dos negros, dos imigrantes ou dos cidadãos que professam a religião islâmica naquele país. O relatório, frequentemente usado para impor sanções e represálias contra países e líderes desafetos, diz que a polícia brasileira desrespeita os direitos humanos e comete abusos, maus-tratos, tortura e assassinato de pessoas presas. O texto também se refere a um suposto problema de trabalho escravo e de trabalho infantil. Nas entrelinhas, o governo brasileiro refresca a memória da secretária americana em relação às monstruosidades perpetradas por suas tropas nos países ocupados militarmente pelos EUA, como Iraque e Afeganistão. Os crimes cometidos em locais como a base de Guantánamo, em Cuba, de onde eles [os EUA] se recusam a sair desde o início do século XX, são alvo de graves denúncias de torturas contra os presos. Em suma, o governo brasileiro, diplomaticamente, mandou os EUA pararem de ser hipócritas e passarem a olhar a si próprio antes de sair por aí pontuando sobre a situação de direitos humanos dos outros, como além do Brasil, do Irã e da Coreia Popular. ASSASSINATO Hillary Clinton e seu relatório não dizem uma palavra das bombas jogadas pela aviação americana e a OTAN na cabeça da população civil da Líbia, sobre a destruição de cidades inteiras no Iraque, ou sobre o covarde massacre praticado por seus soldados contra jovens indefesos no Afeganistão. As cenas desse último massacre a que nos referimos, por sinal, foram mostradas recentemente, com exuberância de fotos e filmes, pela revista alemã “Der Spiegel” (veja detalhes nas edições 2948 e 2949 do HP). A dramática reportagem descreve o destino de “Gul Mudin, um rapaz de 15 anos, que morava em La Mohammed Kalay, um povoado de seu país, o Afeganistão”. “Na manhã de 15 de janeiro de 2010, Gul Mudin estava trabalhando no campo quando chegaram os soldados norte-americanos. Em La Mohammed Kalay havia apenas camponeses desarmados – tentando, apesar de tudo, viver em seu próprio país”, prossegue e revista. “Dois soldados aproximaram-se do jovem Gul, que estava sozinho numa plantação. Um deles o chamou em pashtu, a língua local. Os soldados viram que Gul estava desarmado (“não carregava nas mãos nem mesmo uma pá”, disse depois um deles). Em seguida, “fizeram como se o rapaz tivesse jogado uma granada neles e, depois, acabaram com ele”, descreveu ao pai, como se estivesse contando algo rotineiro, um dos membros do pelotão, o soldado Adam Winfield, pela rede Facebook. “Gul foi metralhado seguidamente pelos soldados Jeremy Morlock e Andrew Holmes. Depois, posaram com o cadáver para várias fotos, segurando a cabeça, como se fosse um animal abatido numa caçada. Um deles decepou um dedo de Gul e o guardou, como souvenir”, conclui a matéria. A zelosa secretária não se lembrou de nada disso em seu relatório. LEI Em Guantánamo, centenas de prisioneiros de diversos países são barbaramente torturados e permanecem anos sem julgamento, sem acusação formal e sem condenação. Advogados de defesa então, nem se fala. Ali não há lei. O governo americano se acha no direito de prender, torturar, matar e humilhar pessoas sem nenhum julgamento, apenas por acusações genéricas de supostas “ameaças à segurança” dos EUA. Mas, a secretária de estado não “sabe” nada sobre isso. Ela só tem olhos para possíveis torturas e violência da polícia brasileira. Foram 43 páginas sobre o Brasil, até mesmo especificamente sobre as “minorias” da Bahia, e nenhuma linha sobre os massacres praticados por suas tropas contra populações inocentes. Nada sobre o “Ato Patriótico”, uma lei fascista que invade a privacidade de qualquer cidadão americano, em nome de uma paranóia anti-terror sistematicamente alimentada. Coincidentemente, além do Brasil, Hilary critica também a Venezuela, mas, por outro lado, não vê nenhuma violência na Colômbia. É claro, com suas bases militares e com a ação de seus fantoches neste país reina a “paz dos cemitérios”. Os esquadrões da morte colombianos (os tristementes conhecidos paramilitares) continuam assassinando sindicalistas, jornalistas, camponeses e líderes populares, sem que o governo dos EUA emita qualquer condenação. Só na cidade de Macarena, no ano passado, foi encontrada uma vala comum com mais de 2 mil cadáveres.
A ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, também
rebateu o pretensioso e arrogante relatório americano: “Nenhuma questão
contida no relatório é nova, assim como não é novo eles [os
norte-americanos] se arvorarem em apontar situações diversas sem que
analisem suas próprias contradições. Para o mundo, também seria interessante
debater a situação de tratamento desumano dos presos de Guantánamo [base
norte-americana em Cuba], o tratamento de emigrantes na fronteira com o
México, a existência da pena de morte em alguns estados e até a prática de
castigos físicos em escolas para disciplinar crianças”, afirmou. SÉRGIO CRUZ |
| Link permanente para esta página |
|
Capa
Página 2
Enxurrada de dólar “é perversa para o emprego e a economia”
Página 3
Fiesp condena aumento do IOF sobre o consumo: tem que baixar os juros Fecomercio-SP: medidas a conta-gotas de Mantega atravancam desenvolvimento A“Política cambial está matando nossas indústrias”, diz Abinee Presidente da Aepet estranha postura nacionalista da ANP Déficit comercial do setor têxtil cresce 69% Conexão atualiza conexão do PNBL para 1 Mbps a 35 reais PL 116 legaliza monopólio ilegal das teles na tv por assinatura Expediente Brasil repele relatório dos EUA sobre ‘direitos humanos’ no país Presidenta Dilma fecha acordos e defende a reciprocidade no comércio com a China
O Rio e o Brasil em luto pelas vítimas da tragédia de Realengo
Página 5
Em assembleia, trabalhadores da educação do RS aprovam reajuste do governo de 10,91% Primeiro trimestre e muitos avanços - Carlos Pestana Engenheiros cobram medidas contra venda ilegal de imóveis públicos da Telebrás por teles privatizadas CARTAS
Médicos fazem greve contra baixos honorários e restrições dos planos
Página 6
Entidades sindicais denunciam em manifestação projeto que privatiza leitos do SUS em São Paulo Servidores federais levam pauta de campanha à ministra Belchior Trabalhadores de Jirau decidem encerrar greve com lançamento da campanha salarial Engenheiros de SP reivindicam aumento real ESPORTES
Centrais sindicais de 22 países da Europa fazem ato contra o arrocho
Página 7
“Queremos o FMI fora de Portugal” afirma CGTP ao convocar greve geral EUA: prefeito de Washington é preso em demonstração contra corte no orçamento Espanha: desemprego chega a 43,5% entre os jovens que tomam as ruas Brics condenam autorização dada por Ban Ki Moon para ataques à Costa do Marfim França bombardeia palácio, tira Gbagbo e instala novo preposto Candidato nacionalista sai na frente no 1º turno das eleições peruanas
Norte-americanos condenam bombardeios contra a Líbia
Página 8
Islandeses decidem que Estado não deve pagar por banco falido Delegação da União Africana encontra-se com Kadafi com plano para cessar agressão ao país China repudia ingerência dos EUA com uso da questão dos direitos humanos como pretexto Energia nuclear para todos Síria: gangs assassinam nove militares durante emboscada e ferem enfermeiras em Daraa |