BRICS rejeitam agressão contra Líbia e defendem solução pacífica

Grupo cobrou reforma da ONU para “assegurar maior eficácia, eficiência e representatividade”

A resolução da 3ª Cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), realizada na última quinta-feira (14) em Sanya, na China, reafirmou a necessidade de reforma e ampliação da representatividade da ONU. “Manifestamos o nosso forte compromisso com a diplomacia multilateral, com a Organização das Nações Unidas desempenhando papel central no trato dos desafios e ameaças globais. Nesse sentido, reafirmamos a necessidade de uma reforma abrangente das Nações Unidas, incluindo seu Conselho de Segurança, para assegurar maior eficácia, eficiência e representatividade de modo a que possa melhor enfrentar os desafios globais da atualidade”, diz a nota.

A resolução destaca que “a presença simultânea dos cinco países dos BRICS no Conselho de Segurança durante o ano de 2011 oferece valiosa oportunidade de se trabalhar de forma conjunta e estreita sobre questões de paz e segurança, com vistas a reforçar as abordagens multilaterais e a facilitar futura coordenação sobre temas da agenda do Conselho de Segurança da ONU”.

A presidenta Dilma Rousseff expressou em seu discurso na Cúpula que sua alegria é dupla ao participar do encontro. “É para mim uma grande alegria participar, como presidente do Brasil, da 3ª Cúpula dos BRICS, nesta bela ilha de Hainan”, disse. “E ela é dupla pela participação, nos BRICS, do presidente Jacob Zuma, da África do Sul”, afirmou Dilma ao saudar e entrada do líder sul-africano no grupo. Participaram do encontro, além de Dilma Rousseff, o presidente da China, Hu Jintao, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

Dilma defendeu em nome dos demais chefes de Estado que os cinco países integrantes do grupo (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) tenham maior participação nas instâncias de decisão mundial. Para a presidenta, o grupo “não se organiza contra nenhum grupo de países”, mas, segundo ela, os atuais desequilíbrios na representação internacional “não podem continuar”. “Nós estamos engajados na criação de uma ordem institucional multipolar, sem tentações de hegemonias ou disputa por áreas de influência”, destacou.

Ao manifestar profunda preocupação com “a turbulência no Oriente Médio, no Norte e no Oeste da África”, os cinco líderes afirmaram de forma categórica que “a independência, a soberania, a unidade e a integridade territorial de cada nação devem ser respeitadas”. “Desejamos sinceramente que os países afetados alcancem paz, estabilidade, prosperidade e progresso e que recuperem sua posição e sua dignidade no mundo de acordo com as legítimas aspirações de seus povos. Compartilhamos o princípio de que o uso da força deve ser evitado”, salientaram os chefes de Estado.

Eles reafirmaram o apoio ao Painel de Alto Nível da União Africana sobre a Líbia. O painel vem exigindo o fim dos bombardeios ao país norte-africano. Os BRICS manifestaram o desejo de “dar continuidade à nossa cooperação no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a questão na Líbia”. “Concordamos que todas as partes devem resolver suas divergências por meios pacíficos e pelo diálogo com a ONU e organizações regionais competentes desempenhando os papéis que lhes cabem”, frisaram. “As resoluções do Conselho de Segurança deveriam ser aplicadas ao pé da letra e seguir seu espírito”, criticou Medvedev após a reunião da cúpula. “Sobre este tema os países dos BRICS estão totalmente unidos”, afirmou.

Os presidentes da China, Hu Jintao, e da Rússia, Dmitri Medvedev, reiteraram o trecho da resolução que destaca “a importância do status de Brasil, Índia e África do Sul nos assuntos internacionais”. Também afirmam compreender e apoiar as aspirações destes países a desempenhar um papel maior nas Nações Unidas”. Os BRICS advertiram ainda que “a excessiva volatilidade dos preços das commodities, em particular dos alimentos e energia, representa novos riscos para a recuperação em curso da economia mundial”. Também criticaram os países desenvolvidos e defenderam que “as grandes economias reforcem a coordenação das políticas macroeconômicas e manifestaram apoio ao papel do G20 na governança econômica e financeira do planeta”.


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