Dilma aponta que a negociação do salário mínimo vai continuar

Discussão ainda está no início, disse a presidenta

A presidenta Dilma Rousseff afirmou em entre vista coletiva realizada na última sexta-feira no Rio Grande do Sul que as negociações com as Centrais Sindicais sobre o valor do reajuste do salário mínimo estão apenas começando. “Nós ainda estamos iniciando a discussão com as centrais”, afirmou a presidenta. “Temos imenso respeito por elas, elas constituem um dos elementos que nós vamos querer manter dialogando com o governo, construindo políticas com o governo, não só na área do salário mínimo”, acrescentou. “Nós queremos que elas deem a sua opinião e participem das nossas políticas na área de educação, de saúde, de segurança pública”.

As Centrais Sindicais reivindicam um salário mínimo de R$ 580,00 e apresentaram também a proposta de correção da tabela do imposto de renda pelos índices da inflação. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que inicialmente afirmou que qualquer coisa acima de R$ 540,00 que fosse aprovado pelo Congresso Nacional seria vetado, teve que se corrigir e acabou subindo a proposta para R$ 545,00. As centrais consideram que esse valor não é suficiente porque apenas repõe a inflação e rejeitaram a proposta. Imediatamente iniciaram uma mobilização nacional pelo salário mínimo de R$ 580,00.

A presidenta Dilma fez questão de deixar claro, durante a entrevista coletiva em Porto Alegre, que seu governo continua dando muita importância à manutenção dos acordos com as centrais sindicais. Segundo ela, esses entendimentos garantem aumentos dos salários que não eram dados no passado. “Nós temos clareza da importância desse acordo para o país e o povo brasileiro porque, no passado, não se dava sequer a inflação”, disse.

A disposição da presidenta e a mobilização em várias capitais do país garantiu a abertura das negociações entre o governo e os sindicalistas. A proposta de R$ 545,00 foi mantida pelo secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, encarregado pela presidenta para conduzir as negociações na primeira reunião com as Centrais Sindicais, realizada na semana passada. Carvalho afirmou também, após a reunião, que o governo estaria disposto a estudar uma correção da tabela do imposto de renda.

Ao retornar de suas férias, o ministro Mantega, aparentemente desinformado das negociações, atropelou as propostas apresentadas por Gilberto Carvalho e o contradisse, frisando que “não há nenhum estudo para reajustar a tabela do imposto de renda dentro do governo”. Além de ser contra o reajuste do salário mínimo, o ministro Mantega vem defendendo cortes nos gastos públicos e medidas restritivas aos investimentos e ao consumo da população.

Na entrevista em Porto Alegre, a presidenta Dilma, além de reforçar a importância das negociações com as Centrais, apoiou Carvalho e admitiu o reajuste na tabela do imposto de renda. Ela ponderou apenas que, em sua opinião, esse assunto do imposto de renda não deveria ser discutido junto com o salário mínimo. Mas, mesmo assim, ainda na entrevista, ela entrou no mérito do assunto e lembrou que o cálculo do reajuste da tabela “sempre foi uma mudança baseada na nossa expectativa de inflação futura, que é o centro da inflação, que são os 4,5%”, e não pela inflação passada. “Nós não achamos correto a discussão simultânea da questão da tabela com o salário mínimo, e isso o ministro Gilberto também deixou claro. Por que não achamos? Porque uma coisa não tem nada a ver com a outra, e também porque se se olhar a questão orçamentária para que se dê uma, tem de saber o tamanho da outra”, explicou. As centrais propõem que o reajuste da tabela seja de 6,5%.


Na questão do salário mínimo, a presidenta manteve a proposta apresentada por Gilberto Carvalho aos sindicalistas. “Foi feito um acordo entre as centrais e o governo do presidente Lula. Esse acordo criou uma metodologia de correção do salário mínimo, que era: PIB de dois anos antes mais a inflação do ano corrente”, argumentou. “O que nós queremos saber é: as centrais querem ou não a manutenção desse acordo pelo período do nosso governo, e se querem, o que nós propomos para este ano é R$ 545,00”, disse a presidenta. A proposta ainda está em aberto e não foi enviada através de medida provisória ao Congresso. Uma nova reunião ficou marcada para a continuação das negociações.

As centrais mantêm a reivindicação e argumentam que o acordo feito durante o governo Lula tinha como objetivo a recuperação do poder de compra do salário mínimo, profundamente deteriorado pelo arrocho da gestão tucana. Segundo os presidentes das centrais, o método acertado na época - cálculo do reajuste pela inflação corrente mais o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos anteriores – foi o caminho encontrado para valorizar o salário mínimo. Ou seja, esse método foi entendido por eles como um piso e não como um teto a limitar os reajustes dos salários. Com base nisso, os trabalhadores decidiram manter a proposta de R$ 580,00. O início da negociação, como afirmou a presidenta, em torno do salário mínimo e do reajuste da tabela do imposto de renda representam um novo cenário no debate.

Além de darem prosseguimento às negociações com o governo, os sindicalistas prometem levar a discussão sobre os benefícios para o país da recuperação do salário mínimo ao Congresso Nacional. Nesta terça-feira, eles já começam a chegar a Brasília com o objetivo de convencer os parlamentares a aprovarem sua proposta (veja matéria na página 5). Além das discussões com os congressistas, os trabalhadores decidiram manter as mobilizações. Também na terça-feira, os metalúrgicos ocupam a Via Anchieta, em São Paulo, pelo aumento do salário mínimo e o reajuste na tabela do imposto de renda.

SÉRGIO CRUZ
 


 

Primeira Página

 

Página 2

Ata do Copom diz que emprego e salário são riscos inflacionários

Eletrosul adquire de múlti espanhola o controle acionário de Uirapuru e Artemis

Telebrás seleciona fornecedores de rádios e torres para a banda larga

Pactual compra PanAmericano

Tentando ver o invisível (Paulo Metri)

Expediente

Página 3

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Brasil e Argentina querem ampliar parceria na tecnologia de ponta

“Não vamos contingenciar o PAC”, disse a presidenta

Bancada do PSDB fecha com Guerra e descarta Serra 

“Minha candidatura reflete a unidade do PMDB e o consenso do Senado”, afirmou José Sarney

“Vamos fortalecer a Câmara e respeitar a proporcionalidade”, afirmou o deputado Marco Maia

Dilma e Cristina assinam acordo para desenvolvimento da internet banda larga entre os dois países

Para Alckmin, Tasso e não Serra é um bom nome para presidir o instituto do PSDB

Página 4

Municípios atingidos pela seca no RS receberão programa de cisterna

Governador Tarso Genro retira RS da Ação contra piso do professor

Ana de Hollanda defende PAC 2 para a Cultura

Criminalidade cai no Rio e em SP

Agnelo suspende programa de Arruda por suspeita de fraude

O legado do desenvolvimento

CARTAS

Página 5

“Nossa pauta é que valorização do mínimo seja mantida”, diz CUT

CUT e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC fazem manifestação na Via Anchieta pelos R$ 580

Paulinho: Congresso não aprovará mínimo abaixo de R$ 560

Centrais condenam afirmações de Mantega

Bancários conquistam acordo pelo fim do abuso e humilhação a funcionários

Rede de supermercado Extra será denunciada por racismo

ESPORTES

Página 6

EUA: exportações crescem com guerra cambial, mas PIB patina

Onze bancos quebraram em janeiro nos Estados Unidos

Estudantes ingleses vão às ruas contra taxas extorsivas de Cameron nas escolas públicas

Desemprego na Espanha ultrapassa 20% e o PIB ficou negativo em 2010

China multa Carrefour e Walmart por fraudes

Não ao Acordo de Livre Comércio com a Coreia-2

Página 7

Milhões nas ruas do Egito pela renúncia de governo pró-EUA

Combatentes afegãos abatem 5 invasores e doze colaboracionistas em Kandahar

RPDC saúda esforços dos que se mobilizam pela desnuclearização da Península Coreana

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Governo do Haiti diz que vai conceder passaporte a Aristide, afastado do país desde 2004

 

Página 8

Roberto Simonsen: a indústria e o desenvolvimento do Brasil (5)