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Faluja: uso de urânio depletado pelas tropas
dos EUA provocam deformações em 15% dos bebês
Uma nova pesquisa publicada na segunda-feira, 10, pelo International Journal of
Environmental Research and Public Health (Jornal Internacional de Pesquisa
Ambiental e de Saúde Pública, com sede na Suíça) mostra que as deformações
congênitas apresentadas por recém-nascidos na cidade iraquiana de Faluja
atingiram proporções de epidemia desde que a cidade fora arrasada há seis anos
por tropas invasoras dos Estados Unidos. O Pentágono utilizou, de forma ampla e
rotineira, armamentos que continham urânio depletado nas duas batalhas de Faluja,
em abril e novembro de 2004. Embora os invasores não reconheçam esse crime,
Washington já admitiu haver utilizado o não menos arrasador fósforo branco
durante os ataques.
O estudo assinado pelos doutores Samira Alaani, Mozhgan Savabieasfahani,
Mohammad Tafash e Paola Manduca examinou o alarmante aumento de malformações de
nascença ocorridas em Faluja e concluiu, pela primeira vez, que os níveis sem
precedentes de recém-nascidos com cânceres e tumores ósseos, cardíacos e
neuronais são consequência dos ataques perpetrados pelo exército dos Estados
Unidos contra a cidade iraquiana.
Os autores do trabalho, que se focaram na sanidade genética de Faluja,
encontraram que as deformidades que apresentam os bebês são quase onze vezes
superiores à média normal. Essas deformidades alcançaram seu pico mais alto na
primeira metade de 2010.
O novo estudo aponta uma série de metais como fonte potencial de contaminação em
Faluja, que estão afetando especialmente as mulheres grávidas. “Os metais estão
implicados na regulação da estabilidade do genoma”, afirma o estudo. E
acrescenta: “Sendo elementos que afetam o meio ambiente, os metais são os
principais candidatos a causar defeitos congênitos”.
O primeiro assalto perpetrado contra Faluja pelo exército invasor foi realizado
em abril de 2004, usando como álibi a morte de quatro mercenários estadunidenses
da suposta “segurança” fornecida pela multinacional Blackwater. Implicou num
amplo uso de aviões de combate para bombardear a cidade de forma indiscriminada,
junto com ataques da artilharia pesada. O segundo ataque foi em novembro do
mesmo ano. A total destruição da cidade foi perpetrada após o discurso de W.
Bush proclamando “Missão Cumprida”.
A munição de urânio depletado deixa atrás de si resíduos tóxicos, afirmam os
cientistas em sua pesquisa.
O atual estudo realizado em Faluja se concentrou em 55 famílias com
recém-nascidos com graves deformidades entre maio e agosto de 2010. A doutora
Samira Abdul Alaani, pediatra do Hospital Geral de Faluja, que dirigiu o estudo,
assinalou que em maio os casos graves de defeitos de nascimentos atingiam a
percentagem de 15% de 547 recém-nascidos. E o que é ainda pior, o estudo
encontrou também que 11% dos recém-nascidos tinha menos de 30 semanas e que 14%
das mães haviam abortado espontaneamente.
“É importante compreender que em condições normais, as possibilidades de que se
produzam essas incidências são praticamente zero”, disse Zavabies-fahani, membro
da comissão de pesquisadores que elaborou o estudo.
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