Tunísia: multidão cerca sedes de governo pelo fim do velho regime

Manifestações pela renúncia dos ministros do governo anterior receberam adesão de milhares de policiais e membros da Guarda Nacional

A multidão que ocupa a principal avenida da capital Túnis, Avenida Habib Bourguiba, recebeu a adesão de milhares de policiais, junto com elementos da Guarda Nacional, bombeiros e camponeses que chegaram da zona rural em caravanas. Os manifestantes pedem a renúncia imediata de todos os integrantes do regime anterior que entregou quase todas as estatais fundadas logo após a libertação do país do jugo colonial francês.

Com a cessão de 219 empresas estatais e dependência externa elevada por pagamento de juros ao Banco Mundial, uma economia direcionada a serviços de turismo e comércio de importados, o desemprego disparou quando a crise foi detonada nos EUA e Europa.

A resposta dos governantes comandados por Ben Ali foi atirar nos manifestantes e aprofundar a censura. Durante os dias de protestos contra o regime 78 tunisianos morreram nas ruas centrais de Tunis e nos bairros e regiões mais pobres do país, entre elas a cidade portuária de Sfax, onde foi deflagrada a primeira greve geral comandada por lideranças da base da Central Sindical tunisiana, a UGTT (União Geral dos Trabalhadores Tunisianos).

Agora, com Ben Ali fora do governo e do país, os ministros que também eram filiados ao seu partido (RCD) tentaram formar um governo de coalisão de fachada, convocando a UGTT a indicar três ministérios e indicando mais dois a opositores moderados que tinham sua atividade consentida pelo regime. O total no governo é de 20 ministérios. A maioria das lideranças opositoras estava em partidos colocados na ilegalidade ou nas prisões.

Com o crescimento das manifestações a UGTT declarou que os ministros por ela indicados renunciaram horas depois de haverem aceito o cargo, “atendendo ao chamado das ruas”.

O primeiro-ministro, Mo-hamed Ghannouchi, teve a sede de sua pasta cercada pelos manifestantes. No mesmo dia ele declarou que vai diminuir o número de ministros do regime anterior e também que após as eleições (a serem, segundo ele, “convocadas o mais rápido possível”) não vai querer exercer mais nenhum cargo ou atividade política.

Mas as coisas seguem se movimentando. Além da adesão de policiais aos protestos, nas empresas do Estado os trabalhadores começam a tomar o controle, a exemplo do jornal La Presse onde foi formado um comitê editorial e um jornalista que havia sido expulso por opiniões políticas contrárias ao regime foi chamado a comandá-lo. A principal TV foi fechada pelos manifestantes e seu dono está detido por veicular mentiras.

O primeiro-ministro interino declarou que a ilegalidade dos oposicionistas não mais vigora e que todos os presos políticos seriam soltos (opositores denunciam que foram soltos 200 mas ainda há 800 nas prisões do país).

Nas manifestações em Tunis e pelo país afora, palavras de ordem tais como “Vocês roubaram a riqueza do país mas não roubarão a revolução”; “Renúncia do governo” e “Seremos fiéis ao sangue dos mártires”.

Estão sendo formados conselhos locais em cidades e povoados mais pobres. Conselhos Provisórios Populares tomaram o controle nas cidades de Sidi Bou Ali, Siliana.

Nos estatutos dos conselhos está colocado que “diante do vácuo de poder criado pela fuga de funcionários ligados ao RCD”, foi decidido criar conselhos “para proteger a Revolução e para administrar o município”.]

Os Conselhos locais lançaram um documento exigindo:

1) A formação de um governo nacional de transição consistindo de figuras nacionais dignas e não envolvidas com o regime anterior para dirigir as questões de Estado e redigir uma nova Constituição e novas leis eleitorais.

2) Dissolução do parlamento que perdeu legitimidade e 3) Banimento político dos elementos do antigo regime, que assaltaram a riqueza do país às expensas do público sujeito a todo tipo de repressão e privações.   

NATHANIEL BRAIA


 

Primeira Página

 

Página 2

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Expediente

Página 3

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CARTAS

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Página 6

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Página 7

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Página 8

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