Bank of America teve prejuízo e Goldman queda no lucro em 2010

O BofA anunciou prejuízo anual de US$ 3,6 bilhões, com as receitas caindo 8% no ano passado. O lucro do Goldman Sachs caiu 52% no quarto trimestre e 38% no ano e a receita encolheu 13% 

O maior banco dos EUA por ativos, o  Bank of America  (BofA), anunciou um prejuízo anual de US$ 3,6 bilhões, com as receitas caindo 8% em 2010. E piorando: no último trimestre, 11% a menos. Do prejuízo anual, quase a metade se concentrou de outubro a dezembro. Assim, mais de dois anos após o colapso de Wall Street, e apesar de todo o bailout e superemis-são de dólares - além dos ataques especulativos na Europa e arbitragens de juros nos emergentes, a crise continua pipocando.

O caso do BofA é no momento o mais agudo, mas não é o único: o lucro do Goldman Sachs despencou 52% no quarto trimestre e 38% no ano inteiro, enquanto a receita encolhia 10% (no trimestre) e 13% (ao ano). No último trimestre, o Goldman sofreu perdas para todo lado: menos 48% nas operações de câmbio, títulos e commodities, menos 12% na rolagem de dívida, menos 7% nas fusões e aquisições e menos 5% nas ações.

A reação à divulgação dos resultados trimestrais pífios foi a queda das ações. O BofA, que declarou prejuízo, sofreu baixa de 2% no valor da ação no dia da divulgação dos números do trimestre, e 6,6% na semana. As ações do Goldman também caíram, 5%. O Citibank, mesmo com os alegados lucros, não escapou de perder na semana 4,7%.  Até o índice S&P 500 Financeiras caiu 1,7%, o maior recuo em quase dois meses.

Levando-se em consideração que praticamente foram abolidas as normas de contabilidade nos EUA para manter os bancos à tona, e cada “instituição” avalia como quiser os papéis podres que detém, não chega propriamente a ser uma surpresa essa queda, quando o valor encolhe, e ainda queda, quando não encolhe. Parte porque o “valor de mercado” com base no que é dito que as ações valem não bate com o que os próprios bancos declaram ter. Também, quando remexe, sempre fede (veja abaixo matéria sobre a dívida de US$ 222,6 bilhões de seis bancos com o Fdic).

No momento, o quadro do Bank of America é mais periclitante porque o agravamento da crise dos despejos – um milhão de lares tomados pelos bancos no ano passado -, pôs a nu escândalos como a fraude generalizada na “securitização” das hipotecas e na documentação que supostamente a bancaria. Em 50 estados, procuradores investigam as fraudes e as “fábricas de documentos”, em que um mesmo funcionário dava falso testemunho sobre a posse de até milhares de imóveis sob mira.

O BofA, por ter arrebatado o Countrywide, o maior fraudador, está mais sujo que pau de galinheiro. No ano passado, foi flagrado tomando três casas que nem suas eram. Virou o rei do putback – a operação em que o banco recompra a hipoteca podre que vendeu – por acordo com o lesado, ou por ordem judicial. Em 2010, teve de aceitar acordo com as financeiras de segundo grau, estatais, Fannie Mae e Fred Mac, para recom-pra de hipotecas, US$ 2 bilhões, e pôs mais US$ 4 bilhões de provisão no balanço para essa finalidade. E declarou que, além desses valores, precisará “de US$ 7 bilhões a 10 bilhões” de provisão para cobrir perdas com esses “putbacks”. 

Apenas um dos litigantes – um fundo de investimento – está acionando o banco em US$ 700 milhões, denunciando que sofreu fraude, com o investimento sendo apresentado como “conservador” e de “baixo risco”. Em outro front, teve de pagar US$ 137 milhões em acordo por retirada de processo por fraude na venda de títulos municipais, em que os prejudicados foram escolas, hospitais e dezenas de organizações locais.

E o Bank of America ainda está voando em céu de brigadeiro. O WikiLeaks nem liberou o cd especial com seus podres, prometido em novembro em entrevista do editor-chefe, Julian Assange, à revista “Forbes”. 

RESGATE

Já a Goldman Sachs andou sendo resgatada da lama pelo governo Obama, e seu CEO – o do “trabalho divino” – até participou de jantar na Casa Branca com o presidente chinês Hu Jintao. No ano passado, entre muitas denúncias, a Goldman acabou fazendo acordo com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), para pagar multa de US$ 500 milhões pela fraude contra um banco alemão e um banco inglês, que quase os levou à falência. Na verdade, levou, mas Londres e Berlim salvaram os náufragos.

Não que todos os maiores bancos dos EUA tenham declarado perdas em seus balanços: no último trimestre de 2010, o Citibank – um dos mais arrombados -, declarou, afinal, lucro de US$ US$ 1,3 bilhão (contra prejuízo no ano anterior de US$ 7,6 bilhões). O primeiro desde 2007. O que, segundo a Associated Press, se deveu mais à decisão de raspar as provisões, supondo que o vento vai virar brisa no próximo ano, do que propriamente a resultados tangíveis. Em 2010, a receita caiu 5%; 11% no último trimestre. Um “ano crítico”, reconheceu o CEO Vikram Pandit, que separou US$ 4,8 bilhões para novos baques em 2011. A situação do Wells Fargo – que abocanhou o Wachovia – parece melhor. Anunciou ganho recorde de US$ 12,3 bilhões em 2010, enquanto a receita caia 4% no ano, acelerado para 5,3% no quarto trimestre. Relatório do JP Morgan Chase declarou um crescimento de 47% nos lucros no quarto trimestre de 2010, assim como quase US$ 10 bilhões para bônus aos banqueiros e executivos. Segundo o “Guardian”, os lucros foram impulsionados por aguda queda nos “maus débitos”, com as provisões para perdas com crédito quase cortadas pela metade. 

ANTONIO PIMENTA


 

Primeira Página

 

Página 2

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Expediente

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