Petrobrás faz os preços do álcool e da gasolina caírem

Especulação das múltis, que já dominam o setor, fez os preços dispararem

A Petrobrás Distribuidora anunciou na  quarta-feira (11) que vai reduzir o preço de venda da gasolina e do etanol hidratado para os postos revendedores. O álcool vai cair 13 % e a gasolina, 6%. O objetivo da BR Distribuidora, líder do mercado com 7 mil postos em todo o Brasil e 47,8% do volume de combustíveis vendido, é forçar as demais distribuidoras a também reduzir seus preços aos postos e estes repassem a diminuição ao consumidor.

No Estado de São Paulo, no mesmo dia, os preços começaram a diminuir, variando por região, segundo o presidente do Sindicato dos Revendedores de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Gouveia. Na capital, os postos com a bandeira BR que pagavam R$ 1,74 pelo litro do etanol passaram a pagar R$ 1,54, ou 11,4% a menos. Já o preço do litro da gasolina diminuiu de R$ 2,50 para R$ 2,42 (-3,2%).

No interior do Estado, a queda foi maior, conforme o Sincopetro. Na região de Marília, o litro do etanol recuou de R$ 1,80 para R$ 1,45 (-19,4%) para os postos BR. O preço da gasolina caiu 6,3%, de R$ 2,52 para R$ 2,36. Em Araçatuba, os postos que pagavam R$ 2,68 pelo litro da gasolina passaram a pagar R$ 2,45 (-8,5%). O etanol que era comprado a R$ 1,71 o litro passou a ser adquirido por R$ 1,58, uma variação de -7,6%.

Com a especulação internacional com as commodities – entre as quais o açúcar -, as multinacionais, que controlam grande parte do setor sucroalcooleiro, passaram a priorizar a produção do açúcar em detrimento da produção do etanol no ano passado. Com isso, houve um aumento acentuado de preços de etanol hidratado, tendo como consequência a migração dos usuários para gasolina. Segundo a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da USP, o etanol hidratado teve aumento de 75% em reais e de 95% em dólares nos últimos 12 meses. Além do álcool hidradato, há o álcool anidro, que é misturado no percentual de 25% à gasolina, formando assim a gasolina C.

Esse etanol subiu 182% nas usinas entre junho de 2010 e abril de 2011, sem fretes ou impostos, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia (Cepea/USP). Como não há uma regulação na produção do etanol, a opção das multinacionais - tipo Shell, BP, Bunge e Luis Dreyfus - em privilegiar a produção de açúcar deixou o país sem estoque na entressafra da cana-de-açúcar.

Com o aumento de preços do etanol hidratado verificado em todo o país, houve uma queda acentuada de 40% nas vendas de álcool, com esses consumidores passando a utilizar gasolina. Por seu lado, a alta do etanol anidro acabou afetando para cima o preço da gasolina, mesmo que desde 2009 a gasolina seja vendida nas refinarias da Petrobrás para as distribuidoras ao preço de R$ 1,05 o litro.

Na última semana, a Nova Fronteira Bionergia S.A., empresa formada pela Petrobrás Biocombustível e pelo Grupo São Martinho, anunciou que vai moer 2,350 milhões de toneladas de cana na safra 2011/2012 (20% a mais que a safra anterior) e produzir 210 milhões de litros de etanol, entre anidro e hidratado.

Com o avanço da safra da cana, haverá queda do preço dos combustíveis nos postos de abastecimento. Só que o Brasil não pode ficar a cada entressafra entrando na roda-viva do aumento do preço do etanol e, por tabela, da gasolina. Por isso, as duas iniciativas da Petrobrás deverão ser consolidadas: a de aumentar sua participação na produção do etanol e de diminuir os preços de combustíveis aos postos revendedores.

DESNACIONALIZAÇÃO

A desnacionalização e a crescente monopolização na produção de álcool e açúcar no Brasil chegou a um patamar de alta gravidade com a compra da Cosan, empresa brasileira, maior produtora de açúcar e álcool do mundo, pela multinacional anglo-holandesa Shell. Essa múlti passou a controlar a produção de etanol, açúcar e energia e o suprimento, além da distribuição e comercialização de combustíveis. O negócio incluiu a aquisição pela multinacional de todas as 23 usinas de açúcar e etanol da empresa brasileira.

Com a aquisição pela multinacional das 23 usinas de açúcar e etanol da Cosan, a Shell passou a controlar aproximadamente 60 milhões de toneladas de capacidade de moagem de cana-de-açúcar por ano, com capacidade de produção de mais de 2 bilhões de litros de etanol. Além disso, a Cosan transferiu para a Shell quatro refinarias de açúcar, todos os ativos de cogeração de energia a partir do bagaço de cana-de-açúcar, participação em empresa de logística de etanol, 1.730 postos de serviços e dois terminais portuários de distribuição de combustíveis.

Nos últimos três anos ocorreram no Brasil 60 operações desse tipo envolvendo 100 usinas. A multinacional francesa Louis Dreyfus passou a ser a segunda maior empresa em operação no Brasil. A terceira era a Moema, mas foi adquirida pela norte-americana Bunge. Outra gigante que também atua no setor é a BP (British Petroleum), que acaba de açambarcar a Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA). Com isso a BP adquiriu duas usinas de açúcar e álcool - uma em Itumbiara (Goiás) e outra em Ituiutaba (Minas Gerais) com capacidade de processar 5 milhões de toneladas de cana de açúcar.

Especialistas advertem que com a monopolização, resultado das compras cada vez maiores de empresas nacionais por estrangeiras, aumenta a capacidade das empresas de segurarem seus estoques para manipularem os preços. Outros grupos dos EUA e de outros países, como Archer Daniels Midland (ADM) - maior produtora de etanol dos EUA -, Cargill, Infinity Bio-Energy, Clean Energy Bio-Energy, Globex e Pacific Ethanol, Kleiner, Perkins, Caufield & Byers, também ampliaram seus negócios no Brasil. “Sairemos de umas 400 usinas na mão de 80 grupos, para 90 usinas nas mãos de 30 grupos”, alerta o professor do Departamento de Administração - Faculdades de Ciências Sociais e Agrárias de Itapeva/Fait, Flauzino Auzino Antunes Neto


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