CIA treina bandos mercenários para intervir no Oriente Médio

Os mercenários serão usados “dentro ou fora” dos Emirados Árabes e seu treinamento é feito por cerca de 40 ex-membros dos esquadrões de assassinos da CIA, além de ex-integrantes da Legião Estrangeira

Um exército mercenário secreto, com 800 homens, está sendo montado e treinado, nos Emirados Árabes, pelo fundador da notória Blackwater, e agente da CIA, Erik Prince. Segundo documentos obtidos pelo “New York Times”, o objetivo da força mercenária é esmagar “revoltas internas”, isto é, revoltas contra o regime pró-EUA -, e proteger oleodutos. O contrato com Prince, que está atuando sob nova fachada, a “Reflex Responses” – já tida como R2 -, chega a US$ 529 milhões.

Os mercenários serão usados “dentro ou fora” dos Emirados, e seu treinamento está sendo feito por cerca de 40 ex-membros dos esquadrões de assassinos da CIA e de veteranos de unidades de operações especiais ingleses e alemães, além de ex-integrantes da Legião Estrangeira francesa. Ex-militares colombianos e de outras origens compõem o corpo doa tropa mercenária. Um pelotão de mercenários sul-africanos, com larga experiência em sabotagem e golpes, foi chamado para reforçar os legionários.

AGRESSÃO À LÍBIA

A constituição dessa legião mercenária reitera a intervenção dos EUA no Oriente Médio para controlar as áreas de produção – como no Iraque – assim como as receitas da venda do petróleo. Agressão acelerada, agora, com os bombardeios da Otan à Líbia, e que segue latente diante do Irã.

A partir do chamado “Choque do Petróleo”, em 1973, em decorrência do conflito árabe-israelense, a espoliação dos países produtores pelos EUA deixou de ser centralmente via preço aviltado do barril, para passar a envolver o controle da renda maior obtida na venda do petróleo. O que tomou forma com acordo de Washington com a Arábia Saudita. Uma verdadeira máquina de reciclar dólares e depositá-los nos EUA; e os bancos ainda ganham com a especulação com os “barris de papéis” nas bolsas de apostas de commodities.

Assim, dos contratos leoninos em que as Sete Irmãs ficavam com quase tudo (sistema de concessão), chegou-se ao sistema de partilha, em que 80-90% vai para o produtor. No entanto, essa renda maior do petróleo não fica no país produtor, acaba nos EUA aplicada em títulos do Tesouro, e o rendimento vai, em grande parte, para as corporações norte-americanas – como a Halliburton -, que ficam com o filé mignon das obras de infraestrutura realizadas, cabendo às empresas locais as sobras. Esses países também compraram grandes quantidades de armas norte-americanas, claro que inferiores às vendidas e até doadas a Israel.

O jornal novaiorquino disse que, “segundo autoridades norte-americanas, o programa de formação de um batalhão [de mercenários] tem o apoio de Washington.” O NYT observa, porém, que os Emirados “ao dependerem de uma força em grande parte criada pelos americanos, introduziram um elemento volátil numa região explosiva, e onde os EUA são vistos com suspeita”.

Após os escândalos dos assassinatos de civis cometidos pela Blackwater, o pior deles, o da praça Nisour, em que 17 civis iraquianos foram mortos em um cruzamento de ruas em Bagdá, Prince anunciou que queria vender a torrada empresa. Chegou-se a falar no interesse do grupo Carlyle, a corporação ligada à família Bush, e ainda do fundo Cerberus – ex-dono da montadora Chrysler -, que também possui a DynCorp, fachada do Pentágono usada contra a Iugoslávia, e também na Colômbia, Iraque e Afeganistão.

Acabou que a venda foi para o fundo Forté, presidido por um cidadão que é funcionário de Prince desde 1998. Ou seja, um laranja. Prince, ainda que da CIA, herdou na década de 1990 uma corporação de autopeças, que foi vendida por US$ 1,35 bilhão. Antes da “venda” ao Forté, a Blackwater maquiou o nome, para Xe – em referência ao gás xenônio, que fica na extrema-direita da tabela de elementos químicos.

“MR. FAZ TUDO”

O ex-advogado da CIA, e agora jornalista, Adam Ciralsky, revelou em janeiro do ano passado, na revista “Vanity Fair”, que, conforme várias fontes no Q-G da espionagem norte-americana, Prince é agente encoberto da CIA, a quem chamou de “Mr.Faz Tudo” da guerra ao terror, e, à Blackwater, de “guarda pretoriana da CIA e do Departamento de Estado”. Para confirmar que a Blackwater é um braço da CIA, era ela que dava proteção à agência e à embaixada norte-americana, tanto no Iraque quanto no Afeganistão. Prince também fez – ou faz - parte do esquadrão clandestino de assassinos, montado pela CIA, e cujo desmonte foi comunicado pelo chefe da CIA, Leon Panneta ao congresso dos EUA. Também operou, conforme o NYT, bombardeios com drones e mísseis Hellfire. A Blackwater, ou Xe, tem até mesmo um braço de aviação, a Presidencial Airways, que abastece os postos mais remotos no Afeganistão.




                                                                     ANTONIO PIMENTA

 


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