Lula: recuperação do mínimo foi a base para o país crescer

No Foro de São Paulo, ex-presidente resgatou a necessidade de distribuir renda e gerar emprego

O ex-presidente Lula afirmou, na quinta-feira (19), durante o 17º Foro de São Paulo, realizado em Manágua, capital da Nicarágua, que é necessário valorizar as conquistas alcançadas nestes 20 anos, porque “nosso continente passou por um verdadeiro furacão de democracia”. “Nos disseram repetidas vezes que primeiro é preciso fazer a economia crescer e só depois distribuir a riqueza. Nós demonstramos o contrário: é preciso distribuir a riqueza para que a economia cresça”, frisou.

Entre as principais conquistas de seu governo, Lula disse que estão “o aumento de 62% do salário mínimo, a geração de 15,3 milhões de empregos formais e a desapropriação de 47 milhões de hectares de terra”. Segundo ele, “o financiamento agrícola foi duplicado e 45 milhões de trabalhadores tiveram acesso ao sistema bancário, enquanto 28 milhões saíram da pobreza”. “O que custa menos a um governo é gastar dinheiro com os pobres, e mostramos isso ao garantir um salário mínimo a 52 milhões de pessoas, o que fez a economia avançar”, analisou.

O Foro de São Paulo reúne 48 partidos de esquerda de 36 países da América Latina e Caribe, Europa, Ásia e África. 29 partidos participaram como convidados. Participam do encontro, além de Lula e o anfitrião, Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, o ex-governante hondurenho Manuel Zelaya, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, a Nobel da Paz, Rigoberta Menchú, o presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba, Ricardo Alarcón, o representante do Partido Pátria Livre (PPL), do Brasil, Nelson Chaves, representantes das embaixadas da Líbia na Nicarágua e na Venezuela, entre outros.

Lula ressaltou ser necessário fazer “uma discussão mais aprofundada sobre o desenvolvimento das forças de esquerda, para fortalecer os partidos, as alianças. Temos que “unir as diferenças para derrotar os antagônicos”. “Há 20 anos”, afirmou, “era difícil imaginar que um dia um ‘índio’ como Evo Morales na Bolívia conquistaria o poder, ou que a esquerda levaria a Argentina e o Brasil a ter uma economia em progresso”. Lula também disse que o Partido Comunista de Cuba (PCC) foi fundamental para construir a unidade da esquerda latino-americana. O ex-presidente disse também que a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), do presidente Daniel Ortega, “é a força democrática mais viva, que mais evoluiu” no hemisfério.

O ex-presidente ainda acrescentou que a esquerda na América Latina já demonstrou saber governar com mais competência do que a direita, e disse que o processo de integração deve avançar, “porque é a única oportunidade para resolver os problemas que por séculos afetaram os mais pobres”. Lula presidiu o primeiro dia de discussões no Foro de São Paulo.

Em seu discurso, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, pediu ao Conselho de Segurança da ONU, em particular à China e à Rússia, a convocação de uma reunião que se pronuncie sobre um cessar-fogo na Líbia e estabeleça as condições de negociação no país africano (veja matéria na página 7). “Nós fazemos este pedido desde este foro ao Conselho de Segurança, em particular à Federação Russa e à China, para que convoque o Conselho o mais rápido possível, para que o Conselho se pronuncie formalmente sobre a cessação destes bombardeios e para que sejam abertas as condições para a negociação”, indicou o presidente da Nicarágua.

Ortega propôs a criação de um prêmio da paz que leve o nome do bispo salvadorenho Óscar Arnulfo Romero. Segundo ele, o primeiro agraciado com esse prêmio deveria ser o presidente Lula. “Peço que este prêmio seja outorgado a um homem que dedicou sua vida ao povo, aos trabalhadores e à luta pela paz não só em seu país, mas perante o mundo”, defendeu o líder da FSLN.


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