Alstom, Siemens e o propinoduto europeu no Brasil

EMERSON LEAL (*)

Gilberto Nascimento, do portal R7, acaba de publicar uma matéria que me fez lembrar o episódio envolvendo aquele engenheiro do DER de São Paulo no processo das concessões de rodovias paulistas. Ele procurou o governador para fazer denúncias relacionadas com as concessões. Resultado: o governador de SP não quis saber. Procurou então o vice, que também não lhe deu ouvidos.

Qual o xis da questão? O engenheiro afirmou que as concessões já estariam definidas antes do processo licitatório. Ele sabia a priori quem ficaria com qual trecho das rodovias numa licitação que seria definida só dali a três meses. Como ninguém quis saber de sua denúncia, foi ao Cartório e a registrou. Três ou quatro meses depois, quando abriram os pacotes, tudo se confirmou.

O interessante é que a grande mídia também não quis saber da história. Não publicou nada! Claro, o governo era do PSDB. O mesmo ocorre no caso desta denúncia recente relatada no portal R7, sobre a qual a mídia também se cala. Ou, se divulga alguma coisa, o faz de forma diluída nas páginas internas dos jornalões. Nada de manchetes ou estardalhaços. Vamos à denúncia.

As promotorias públicas da Alemanha e Suíça realizaram investigações sobre pagamento de suborno pelas empresas Alstom (francesa) e Siemens (alemã) a políticos e autoridades da Europa, África, Ásia e América do Sul. A Siemens teria pago propinas da ordem de US$ 2 bilhões; e a Alstom, de US$ 430 milhões – inclusive a políticos e empresas do Brasil.

Segundo Gilberto Nascimento, um certo “Sr. F. [que não quis ser identificado] acompanhou de perto contratos firmados pelas duas empresas multinacionais com os governos do PSDB de São Paulo e do DEM do Distrito Federal para a compra de trens e manutenção de metrô”, supostamente fraudulentos. Por outro lado a Alstom foi acusada pela Procuradoria suíça “de pagar US$ 6,8 milhões em propinas para receber um contrato de US$ 45 milhões no metrô de São Paulo”.

O Sr. “F.” encaminhou à Promotoria Pública de São Paulo e ao Ministério Público Federal documentos e detalhes a respeito dos “acertos” e negociações que teria havido entre as duas multinacionais e empresas de lobistas brasileiros, intermediárias junto aos governos de São Paulo e do Distrito Federal. As negociações com o governo paulista envolviam, inclusive, contratos para a Linha 5 do metrô no Capão Redondo e para a entrega e manutenção de trens na Capital; e, com o governo do Distrito Federal, para a conservação do metrô de Brasília.

Alstom e Siemens, bem como representantes dos governos de São Paulo e do Distrito Federal, juram – claro – que tudo foi feito na mais perfeita ordem. O deputado estadual Simão Pedro (PT), contudo, não deixa por menos: deverá encaminhar nos próximos dias representação ao Ministério Público de São Paulo pedindo investigação dessas denúncias, sobre as quais a grande mídia monopolista se cala.

(*) Doutor em Física Atômica e Molecular e vice-prefeito de São Carlos
 


 

Primeira Página

 

Página 2

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Corte no Orçamento reduz 5,1 bilhões do programa Minha Casa, Minha Vida

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Serra defende mais arrocho

Expediente

Página 3

Mantega recita o FMI: país não pode crescer ‘mais de 4,5%, 5%’ 

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Requião: congelamento do salário mínimo é um erro

Página 4

Governo do DF recupera de OSs a gestão da Ceasa e Vilas Olímpicas

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Operadoras de telefonia terão que reduzir preço da assinatura básica à população de baixa renda

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Distribuidoras de energia elétrica terão que indenizar consumidores por cobrar R$ 7 bilhões indevidamente

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CARTAS

Página 5

Movimento Social: política de corte é oposta à que foi aprovada nas urnas

Em encontro com Lupi, Neto defende que aumento real do mínimo seja assegurado

Confederação dos Servidores condena o congelamento de concursos públicos

NCST critica reajuste de 4,5% na tabela do Imposto de Renda

Petrobrás: terceirizados da área de sondagem entram em greve

ESPORTES

Página 6

Americanos ocupam as ruas em apoio aos servidores de Wisconsin

Tunísia: levante popular derruba premiê remanescente da ditadura de Ben Ali

Tunísia, Egito, Líbia, Revolução Nacional Árabe ou a guerra dos monopólios pelo controle do petróleo

A Folha e o neocolonialismo petroleiro-1

Página 7

Kadafi: “Estamos dispostos a defender a independência do nosso país”

Líderes mundiais condenam ingerência externa na Líbia

Conselho de Segurança da ONU se submete aos EUA e aprova sanções contra a Líbia

Repórter da Telesur informa que atos transcorrem em clima de normalidade

Iraque: polícia atira em manifestantes e assassina 14

Próximo passo deve ser a Constituinte

 

Página 8

A cultura livre do Creative Commons: um capitalismo bonzinho e altruísta