China e Rússia vetam a tentativa dos EUA de impor sanções à Síria

Brasil, África do Sul e Índia também negaram apoio à ingerência e optaram pela abstenção

Os BRICS rejeitaram a tentativa dos Estados Unidos de impor sanções à Síria usando para isso a ONU. A manobra norte-americana para justificar seu afã de causar prejuízo às relações comerciais e financeiras sírias foi bloqueada no Conselho de Segurança na terça-feira.

A Rússia e China votaram contra (como têm o direito de veto, seus votos sepultaram a proposta de condenação à Síria). Além dos votos contrários, o Brasil, a Índia, a África do Sul e o Líbano recusaram-se a votar e se abstiveram.

Desde o mês de abril deste ano, que membros do governo dos EUA estão ameaçando sanções unilaterais contra a Síria. Na verdade seriam novas sanções uma vez que os EUA já aplicam embargos ao país desde 2004. Neste mês, Obama declarou que "se opõe fortemente à forma com que o governo Sírio trata seus cidadãos". Isso sem se preocupar em descrever que tipo de "tratamento" seria tão condenável e menos ainda em provar a suposta violência governamental que, segundo Obama e outros membros de sua administração, o governo sírio estaria exercendo contra os cidadãos deste país.

Os governos europeus no Conselho - assim como fizeram na aprovação de sanções e na agressão militar contra a Líbia – apoiaram a proposta de condenação contra a Síria (da Europa, votaram com a resolução a França, Inglaterra, Alemanha, Portugal e Bósnia e, além destes, a Colômbia, o Gabão e a Nigéria).

O embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, destacou os esforços de seu país, juntamente com a China, que escreveram uma proposta onde "nos referimos à preservação da soberania nacional e aos princípios de não-interferência nas questões internas da Síria", além da aposta "no diálogo para ser atingida a paz social, o interesse nacional e o fortalecimento da vida social e política da Síria".

Churkin acrescentou que "é inaceitável que se ameace a Síria com a imposição de sanções uma vez que isso contradiz o caminho da solução através do diálogo" e que "nosso receio é de que a aprovação da resolução [defendida pelos EUA] leve a conflitos e até à guerra na Síria o que afetaria a estabilidade na região".

Churkin destacou que os oposicionistas extremistas "buscam apoio das potências ocidentais" e "atacam aqueles que cooperam com as forças de segurança e as universidades e escolas". Ele aproveitou sua intervenção para expressar suas condolências à maior autoridade religiosa do país, o Gran-Mufti da Síria, Ahmad Bader Hassoun, que perdeu um filho, morto em atentado dos terroristas que conspiram contra o governo sírio.

O embaixador da Síria, Li Baodong, destacou: "Esperamos que o governo sírio implemente as reformas o mais rápido possível. A comunidade internacional deve fornecer uma ajuda construtiva para facilitar que se chegue a estes objetivos".

Baodong acrescentou: "Exigimos o total respeito pela soberania e independência da Síria", além de que "ameaçar com sanções ou impô-las não vai ajudar a resolver nada pois não alivia a tensão", e ainda que "nossas considerações não foram levadas em conta e por isso votamos contra".

Já o embaixador da Índia na ONU, Singh Puri, recomendou à oposição síria que "ponha um fim à suas ações armadas e se engaje no diálogo nacional".

A representante do Brasil, Maria Luisa Viotti, afirmou que o Brasil "pôde perceber a iniciativa do governo sírio com relação à implementar as reformas do sistema político".

A embaixadora dos EUA, Susan Rice se disse "ultrajada" por que o Conselho não adotou o texto e acrescentou que "sugerir que a resolução levaria a intervenção militar é uma artimanha".

Declaração que não engana ninguém, haja visto a resolução do Conselho de Segurança, 1973, que abriu passo à agressão contra a Líbia pela Otan, como lembrou o assessor para Assuntos Internacionais do governo brasileiro, Marco Aurélio Garcia (ver matéria na página 3).


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