Bancários recusam 0,56% de aumento e deflagram greve

Reivindicação é aumento real de 5% nos salários 

Os bancários aprovaram em assembleias realizadas em diversos estados, entrar em greve por tempo indeterminado a partir desta terça-feira. Frente à proposta de “aumento real” de 0,56%, e diversas rodadas de negociação sem avanços com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), a categoria aprovou a greve e mobilização nacional por aumento real de 5%, entre outras reivindicações.

Os bancos se recusaram a garantir a manutenção dos empregos, se recusaram a garantir mais segurança e também o fim das metas abusivas. Sobre os salários, os bancos argumentaram que os bancários estão “há muito tempo recebendo aumento real”. Já o lucro bilionário dos bancos continua batendo cada vez mais recordes. A primeira “proposta” dos bancos foi aumento real de 0,37%. Com a recusa da categoria, resolveram aumentar o montante para a impressionante cifra de 0,56%.

Desde o início da campanha, que se estende por mais de um mês, as entidades vêm afirmando que não aceitam proposta salarial sem o aumento real, e que não se intimidam com a campanha dos bancos contra os aumentos salariais.

“Os maiores bancos do país lucraram mais de R$ 25 bilhões somente no primeiro semestre de 2011”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional. Conforme a entidade, em 2010 cada diretor e conselheiro do Santander embolsou, em média, R$ 381 mil por mês; os do Bradesco, R$ 380 mil; e os do Itaú Unibanco, R$ 486,6 mil (diretores) e R$ 85,4 mil (conselheiros).

Enquanto os lucros sobem, afirma Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, “a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) não melhora e também não há qualquer indicação para a melhoria dos empregos e das condições de trabalho. Há bancos em pleno crescimento, como Itaú e Santander, que têm até redução de quadro, o que agrava muito a situação dos bancários”, ressaltou.

Diante da intransigência dos bancos, as entidades convocaram assembleias gerais em diversos estados. Milhares de trabalhadores se reuniram em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Alagoas, Espírito Santos, Campinas, Piracicaba, Juiz de Fora, Dourados, Vitória da Conquista e Teresópolis, aprovando a greve.

Na última quarta-feira (21), trabalhadores bancários se somaram aos trabalhadores dos Correios, petroleiros e servidores numa manifestação no Rio de Janeiro em defesa do aumento nos salários para garantir que o Brasil volte a crescer e siga no rumo iniciado pelo presidente Lula.

De acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, o piso salarial dos bancários do Brasil é menos que na Argentina e Uruguai. “Aqui fica em US$ 735,29, metade que o da Argentina (US$ 1.432,21) e muito menos que o do Uruguai (US$ 1.039). Isso, apesar de nosso país responder por boa parte do lucro das instituições financeiras no mundo”.

“Nossa luta é para que o piso seja valorizado de forma a reduzir todas essas diferenças. Não é justo também que um alto executivo chegue a receber 400 vezes mais que o piso da categoria. Todos têm de ser reconhecidos por seus esforços”, afirma Raquel Kacelnikas, secretária-geral do Sindicato.

A pauta da categoria reivindica um piso salarial de R$ 2.297,51. Além disso, vale alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio creche/babá de um salário mínimo (R$ 545) e PLR de três salários mais R$ 4.500. Os bancários também reivindicam o fim das terceirizações nos bancos.

“Esperamos que a força da greve faça com que os bancos apresentem uma proposta que garanta emprego decente aos bancários”, destacou o presidente da Contraf. Novas assembleias serão realizadas na quarta-feira, 28, em vários estados, para avaliar o movimento.


Capa
Página 2
Página 3 Página 4 Página 5 Página 6 Página 7 Página 8