Americanos ocupam Wall Street contra especulação e por emprego

O cineasta Michael Moore e a atriz Susan Sarandon levaram apoio ao movimento em Wall Street. “Isto é literalmente um levante do povo que tínhamos que ter e vai espalhar-se”, saudou Moore

Milhares de pessoas, vindas de todos os cantos dos EUA, estão há 12 dias acampados nas imediações da Bolsa de Nova Iorque, para exigir que Wall Street ponha fim à sua ganância e preste contas à justiça e que haja outra alternativa que não o desemprego e a perda de casas para milhões de americanos. O grito de “All day, all week, occupy Wall Street” [todo dia, toda semana, ocupem Wall Street] já se estendeu a Los Angeles, Chicago, Boston, e muito além, tendo já alcançado 52 cidades norte-americanas. Mais de 1200 pessoas já foram presas mas o movimento continua a crescer.

MEDICARE MELHOR

O movimento iniciado em 17 de setembro defende, entre outras demandas, Impostos dos ricos e das corporações; Fim das guerras, trazer as tropas para casa, cortar gastos militares; Proteger a rede de segurança social, fortalecer a Segurança Social e Medicare melhor para todos; Transição para uma economia de energia limpa, reverter a degradação ambiental e Proteger os direitos dos trabalhadores, incluindo negociação coletiva, criar empregos e aumentar os salários; e cobra ainda “que o governo represente o povo, não apenas a 1% do topo”. O compromisso assinado por milhares de chamadas para que usemos nossos recursos para as necessidades humanas e a proteção ambiental, não para a guerra e a exploração.

Na segunda-feira (26), o cineasta Michael Moore foi até lá dar sua solidariedade, após uma marcha pacífica de três quilômetros até a praça Union, perto da Quinta Avenida, no sábado, ter sido reprimida pela polícia com 80 prisões e gás de pimenta contra mulheres. Em outros dias, já havia outros 25 jovens detidos.

Na quarta-feira (28), foi a vez da atriz Susan Saran-don. Na ausência de aparelhagem de som, proibida pela prefeitura de Nova Iorque, até megafone, Michael falou aos manifestantes pelo antigo sistema de que tudo o que o orador diz vai sendo repetido por quem está próximo até alcançar a todos. “Isto é literalmente um levante do povo que tínhamos que ter”, lhes disse o cineasta. “Irá continuar a se espalhar. Tinha de começar em algum lugar. Começou com algumas centenas e já cresceu para alguns milhares. E vai crescer para dezenas de milhares, e para centenas de milhares”, afirmou Michael Moore. Ele pediu ainda que fossem presos e condenados “todos os que destruíram a vida de milhões de pessoas”.

“GERAÇÃO PERDIDA”

Cada frase, cada pedaço de frase, ecoado por todos os manifestantes. “Dentro de três meses, dentro de um ano, dentro de dez anos, dentro de cem anos será lembrado os que desceram a esta praça para iniciar este movimento”. Em entrevista à rede de TV NPR, uma das manifestantes do “Ocupem Wall Street”, Elena Spencer, viúva de um militar jovem e mãe de uma criança, da cidade de Buffalo, deu seu relato sobre o que está levando a juventude a se manifestar. “Estou falando de gente que tem diploma universitário, em muitos casos, que têm de trabalhar por US$ 8 por hora [salário mínimo] porque não há emprego. Minha geração – eu tenho 23 anos – se sente como uma geração perdida”.


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