Obama fala em cortar gasto militar e agride governos independentes

Presidente americano anuncia corte simbólico no orçamento militar e, modestamente, atualiza a lista do “Eixo do Mal” de Bush, acrescentando a China

O presidente Obama apresentou na quinta-feira (5) um plano de redução cosmética dos gastos militares dos EUA que representa uma diminuição de US$ 45 bilhões a cada ano, durante uma década, ou seja, modestos 6,5% ao ano, considerando-se o Orçamento atual de US$ 687 bilhões.

Candidato à reeleição em novembro, Obama tenta enganar, de novo, aos que votaram nele por suas promessas de acabar com a guerra do Iraque e fechar o campo de tortura na base militar em Guantánamo, compromissos que ele traiu sem a menor cerimônia. Ao mesmo tempo, ele afunda ainda mais na política de guerra que manteve até agora - e até deu uma contribuição própria ao perpetrar o criminoso bombardeio na Líbia que resultou no assassinato do líder Muamar Kadafi para que os mercenários financiados pelos EUA tomassem o governo para entregar o petróleo do país.

Para continuar agradando ao cartel belicista, Obama ameaça a China e a Coreia Popular, faz sanções ilegais contra o Irã, estimula o terror na Síria e intensifica agressões aos governos soberanos. Ao mesmo tempo, anuncia redução simbólica de 13,3% do efetivo do exército em 10 anos para abrir espaço para cortar recursos dos programas sociais e outros investimentos públicos.

Em seu estilo de pregador malandro - sem ofender aos pregadores sinceros - Obama faz um discurso indefinido, ora de pomba da paz, ora de falcão belicista, aparentemente para a mesma platéia. Diz que não dá para os EUA se envolver em duas guerras ao mesmo tempo, enquanto coloca claramente a China como inimigo a ser contido militarmente, afirmando que “no longo prazo, a emergência da China como potência regional terá o possível efeito de afetar a economia e a segurança dos EUA de uma série de formas”, como diz o documento que foi apresentado no Pentágono, tendo ao lado Leon Panetta, secretário da Defesa. O orçamento da defesa da China é equivalente a US$ 144 bilhões e o dos EUA é quase 5 vezes maior.

Na ocasião, Obama disse que “os EUA são a maior força pela liberdade e segurança que o mundo jamais conheceu” e que se alcançou essa façanha após haver sido “construída a força militar melhor capacitada, melhor dirigida e melhor equipada na história”. Certamente os coreanos do norte e os vietnamitas não concordam com essa avaliação, pois foram os primeiros a derrotar militarmente esse colosso imperial. A resistência iraquiana, que deu sua contribuição para afastar do país as tropas de ocupação - embora ainda seja necessário concluir o trabalho de expulsar os 16 mil mercenários e 200 marines que Obama mantém no Iraque - também não viram as tais “forças da liberdade” de Obama, que levaram ao país a tortura de Abu Graib, o massacre de civis e a destruição do país para roubar o petróleo. No Afeganistão, o mulah Omar, líder da guerrilha talibã, não aceitou a proposta de cooptação feita pelo governo Obama, na tentativa de sair do atoleiro. “Nosso compromisso é com a libertação do Afeganistão ocupado”, respondeu o mulah Omar.

O Obama que fala agora em redução de gastos militares é o mesmo que está tratando de aumentar a frota de drones - aviões-robô - de 230 para 960 que manterá espalhados pelo mundo para assassinar civis, como tem feito no Paquistão e Afeganistão. Só que, diante de frota tão numerosa, os “pilotos” no solo serão funcionários de empresas privadas. Aliás, o assassinato de 15 civis na fronteira do Paquistão com o Afeganistão em junho do ano passado foi perpetrado já por um funcionário terceirizado.

SÍRIA

Em relação à Síria, a política de Obama implementada pela secretária de Estado Hillary Clinton é de apoio explícito às forças terroristas que operam no país com apoio e financiamento da CIA. Diante do atentado terrorista que matou 26 pessoas e deixou 63 feridas na capital Damasco na sexta-feira dia 6, a porta-voz de Clinton, Victoria Nuland, disse apenas que “a violência não é a resposta, a resposta é a saída do presidente Assad”. Não houve a condenação de um crime hediondo, um morticínio de civis, numa área com escola de ensino básico, às 10: 55 h da manhã (ver matéria na página 6). Victoria Nuland é mesma que instigou os terroristas que atuam na Síria a não aceitar a anistia oferecida pelo governo Assad para os que entregassem as armas. “Se estivesse no lugar de vocês, não entregaria as armas”, orientou a porta-voz da diplomacia de Obama.

Com relação ao Irã, os EUA tomam medidas ilegais, como a tentativa de impedir que o país persa venda o seu petróleo, cobrando dos governos capachos da Europa que também façam o mesmo. Tudo isso sob o pretexto de que o Irã tem um projeto de construir bomba atômica. A consistência de tais acusações é do mesmo nível das falácia das “armas de destruição em massa de Sadam” na época do governo W. Bush.

Não fora Obama um pacifista, convicto e premiado, em que mundo estaríamos ?

SEZARIO SILVA


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