|
CGT grega rejeita chantagem
de Merkozy:
"Não vamos retroagir à escravidão"
Na segunda-feira (9), a chanceler alemã, Angela Merkel, e
o presidente francês, Nicolas Sarkozy, aumentaram a pressão sobre a Grécia,
alertando que o empréstimo garantido pela União Europeia e o FMI está em
suspenso até que Atenas realize as reformas que eles consideram necessárias
e conclua as negociações para reduzir sua dívida pública.
REDUÇÃO DO MÍNIMO
Após duas horas de reunião, os líderes das duas maiores
economias do bloco, já conhecidos como "Merkozy", reforçaram a idéia da
troika que conformam o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Européia e
o Banco Central Europeu de exigir que o governo heleno, além de acabar com o
déficit e a dívida públicos, implemente mais uma redução do salário mínimo,
abaixo dos 600 euros. A possibilidade desse arrocho foi rejeitada pelos
sindicatos: "Merkel e Sarkozy, na sua subserviência doentia aos interesses
dos banqueiros e da especulação, perderam a noção de realidade. Nosso povo
não vai aceitar, e isso já o expressamos a Papademos. Não temos mais
condição de sobrevivência. Não vamos regredir à escravidão", afirmou Yannis
Panagopulos, presidente da CGT grega.
A chanceler alemã chegou a elevar o tom exigindo mais
empenho do novo governo grego, liderado pelo premiê Lucas Papademos. "Atenas
deve cumprir com suas obrigações para com a Comissão Europeia, Banco Central
Europeu e o Fundo Monetário Internacional", disse.
A União Européia ainda pressionou os governos da Bélgica,
Hungria, Polônia, Chipre e Malta para que implementem as medidas de cortes
que já emplacaram em Atenas, Portugal, Irlanda e outros países da região. As
medidas sugeridas de cortes orçamentários, privatizações de empresas
públicas e aumentos de impostos ao conjunto da população foram comunicadas
pelo comissário de Assuntos Econômicos e Monetários do bloco, Olli Rehn.
PROTESTOS
O jornal belga De Tijd informou que Rehn enviou uma carta
ao ministro das Finanças desse país, Steve Vanackere, onde exige que seu
governo adote "nos próximos dias" novas medidas de arrocho fiscal no valor
de entre 1,2 e 2 bilhões de euros. "Isso mostraria que a Bélgica assumiu o
esforço fiscal requerido para o déficit abaixo de 3% do PIB em 2012", disse
o funcionário em sua missiva.
A política pretendida por Merkel e Sarkozy tem provocado centenas de
protestos por todo o continente, onde milhões de pessoas exigem a criação de
empregos, o respeito aos direitos adquiridos, mais salários. Em resumo, que
a atual crise não caia nas costas dos trabalhadores e do povo. |
|