Manifestações por todo o país pelo sexto dia consecutivo
(houve atos em 20 cidades) e exigência de renúncia do governo, é a atmosfera
vivida na Romênia depois que o presidente, Traian Ba-sescu, enviou projeto
ao Congresso com cortes nos salários, aposentadorias e privatização da
saúde.
Após uma sexta-feira de protestos com barricadas de fogo
em Bucareste, Basescu pediu de volta o projeto. Mas as manifestações não
pararam. Os manifestantes denunciam o enfrentamento da crise na Europa e EUA
pelo governo que, quer apenas garantir o pagamento da dívida a bancos e que
baixou a repressão policial causando o ferimento de 70 pessoas e a prisão de
mais de 200.
O primeiro-ministro, Emil Boc, descartou a renúncia do
governo, apelando à “estabilidade política e econômica”. Apesar do
compromisso do governo de apoiar a convocação de sessão extraordinária, na
segunda-feira, para que o parlamento trate da situação econômica e respostas
a protestos, a oposição não se satisfez e convocou grande manifestação pela
renúncia do governo.
Antes do atual projeto, após receber em 2009 um
empréstimo de 27 bilhões de euros do FMI, a Romênia já havia reduzido
salários públicos, elevado impostos e cortado programas sociais. O FMI e a
agência Moody’s aplaudiram as medidas do governo agora execrado pela
população.