Grécia arde em chamas contra mega-arrocho do FMI/BCE/UE

O pacote aprovado no domingo pelo parlamento inclui redução de 22% dos salários, inclusive do mínimo e redução do seguro desemprego. No momento, a Grécia entra no 5º ano de recessão

Pressionado pelo Primeiro Ministro Lucas Papademos representante dos bancos no governo, o parlamento grego aprovou no domingo (12) à noite as medidas para satisfazer a Troika – o FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia – e mergulhar ainda mais o país na recessão e na miséria. Após mais de dois dias de discussões os dois partidos remanescentes da Frente Negra que compõem a coalizão de governo, o Pasok (social democrata, também chamado de “socialista”), e a Nova Democracia (conservadores) se submeteram à chantagem dos bancos. Na véspera da votação, o partido LAOS abandonou a frente governista, assim como seis ministros. Após a votação, a frente expulsou 43 deputados que votaram com o povo e contra o arrocho.

O pacote de “bondades” aprovado nesse domingo inclui uma redução geral e indeterminada de 22% dos salários, inclusive do salário mínimo, e de 32% para os salários dos jovens, redução do seguro desemprego e do auxílio moradia, redução das pensões dos aposentados, liquidação de todos os acordos de trabalho setoriais, demissão imediata de 15 mil servidores públicos e de 150 mil até 2015, e redução das despesas com a saúde pública.

Na sexta-feira e no sábado os trabalhadores, convocados pelas centrais sindicais tanto do setor público quanto do setor privado, fizeram uma greve geral que paralisou a Grécia. Durante todo o dia de domingo a população da capital Atenas, mais de cem mil pessoas, e de outras cidades, ocupou as ruas em grandiosas manifestações. No fim da tarde houve conflitos na Praça Sintagma, diante do parlamento cercado pela polícia. Os representantes dos manifestantes tentaram falar com os deputados, mas foram impedidos de entrar no parlamento que, se recusando a receber os representantes dos trabalhadores e desconhecendo as reivindicações populares, aprovou o assalto ao bolso do povo fazendo crescer a indignação da população.

Um quadro de convulsão social se instalou no centro de Atenas. 45 prédios, inclusive de alguns bancos, foram incendiados e mais de 30 pessoas foram feridas pela polícia e estão hospitalizadas. Também procuraram atendimento médico de emergência mais de 50 pessoas com problemas respiratórios devido aos gases utilizados pela polícia.

Assim que foi fechado o arrocho, o Emporik Bank, filial grega do Credit Agricole, anunciou a redução de 11,7% dos salários de seus empregados.

O desemprego na Grécia já passa dos 20% da população em idade de trabalhar. Entre os jovens com menos de 25 anos um em cada 2 está desempregado, mais de 48%. Em novembro de 2011 mais de um milhão de pessoas estavam sem trabalho.

Os salários dos servidores públicos, que em 2009 em média estavam em torno de 1.300 euros em 2011 e agora não passavam de 850 euros por mês, sofreram uma redução de 45% e vão cair ainda mais com os novos cortes aprovados no domingo. Os salários em geral também sofreram uma redução de 45% entre 2009 e 2012 mas se for levada em conta a inflação do período a baixa real é de 55% do valor dos salários, segundo informa Cécile Chams em artigo no jornal Solidaire. A taxa de valor agregado, a TVA, equivalente ao nosso ICMS, é a mais alta jamais atingida, 23%. Essa situação reduzirá o consumo das famílias e provocará o fechamento de empresas, mais desemprego e mais recessão.

SEM-TETO NA ACRÓPOLE

Segundo estimativas de órgãos oficiais do governo grego o número de pessoas sem casas, que vivem nas ruas, aumentou 25% de 2010 para 2012. Nas grandes cidades a situação é dramática. Em Atenas famílias com crianças dormem nas ruas inclusive nos locais históricos como o pé da Acrópole. 50 mil casas estão prestes a serem vendidas, o que fará com que essas famílias tenham que morar na rua. Num bairro do Pireu 1.500 sopas são distribuídas duas vezes por dia aos que nada têm para comer. Em Tessalônica as escolas atestam que pelo menos 600 crianças sofrem de má nutrição e a população não tem mais direito a ser atendida pelos serviços de saúde pública que fecham a cada dia.

Mas a coisa não para por aí. A classe média, os que têm os maiores salários, militares, bombeiros, professores e magistrados, agora sofrerão cortes de mais de 20% de seus salários. E o governo já avisou que “é preciso dizer a verdade ao povo, pois é preciso fazer sacrifícios e, em junho, novas medidas de ‘austeridade’ terão de ser tomadas”.

“Nós vivemos sob uma ditadura econômica e a Grécia é o laboratório onde está sendo testada a resistência dos povos. Depois de nós é vez dos outros países da Europa”, afirmou Andreas em Atenas ao jornal Liberation.

Os sindicatos e os movimentos sociais em toda a Grécia estão nas ruas, estão em luta e no próximo mês de abril haverá eleições para o parlamento, que escolherá um novo Primeiro Ministro.

Que o Olimpo com todos os deuses gregos proteja os representantes da Troika e da Frente Negra. Eles precisarão dessa proteção, pois não contarão – como contaram nesse domingo - com a polícia que, com seus salários bem mais reduzidos amanhã, terá maiores dificuldades para conter a indignação popular que não para de aumentar.

ROSANITA CAMPOS




 



 


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