Europa realiza ‘Dia de Luta’  contra arrocho do FMI-BCE

O “Dia de Luta Europeu” covocado e dirigido pela Confederação Europeia de Sindicatos na quarta (29) foi um rotundo “Basta!” ao saque perpetrado contra os povos do continente para cevar bancos

Na véspera da assinatura em Bruxelas do “pacto fiscal” destinado a intensificar o saque sobre os povos da Europa, manifestações tomaram as ruas na quarta-feira (29) para repudiar a troika (FMI-Banco Central Europeu-Comissão Europeia) e o arrocho que se estende sobre o velho continente.

Na França, 130 mil pessoas se expressaram em 160 cidades, com as maiores manifestações em Paris, Marselha, Nantes e Bordeaux. Na Espanha, 50 mil se reuniram na Porta do Sol em Madri e mais 50 mil em Barcelona. Outros protestos em mais meia centena de cidades. Também os estudantes, em grande número, foram às ruas em Madri, Barcelona, Valência e mais 40 cidades para repelir os cortes à educação e a repressão policial.

Na Grécia, uma greve geral de três horas e uma concentração na Praça Sintagma, diante do desmoralizado parlamento. Em Lisboa, no Porto e nas capitais provinciais, os trabalhadores portugueses condenaram a “austeridade” e reforçaram a convocação para a greve geral do dia 22 de março.

O “Dia de Luta Europeu”, convocado pela Confederação Europeia dos Sindicatos, levou centenas de representantes sindicais a Bruxelas, do continente inteiro, para repelirem o pacto fiscal. Na manifestação de Madri um cartaz sintetizou o enfrentamento em curso na Europa: “Não ao Guantánamo laboral”.

O simples fato de que o FMI – conhecido instrumento de dominação dos EUA sobre os demais povos – esteja atualmente “supervisionando” as economias da Itália, Espanha, Grécia e Portugal, para ficar nos casos mais flagrantes, já fala por si só sobre o nível de subordinação dos dirigentes europeus a Washington. Não apenas dos goldman-boys como o primeiro-ministro grego Papademos, ou o italiano Monti, que ninguém elegeu, mas também de Merkel, com os 75 mil soldados norte-americanos em 227 bases na Alemanha, e Sarkozy, le americaine.

Não se trata de que os europeus tenham vivido – como são acusados os gregos – “acima de suas posses”, mas de que os erários desses países tiveram que passar a pagar juros acima de qualquer possibilidade. A crise europeia atual é uma derivação da implosão que atingiu Wall Street e, via derivativos, abalroou os bancos europeus, levando os governos a megaoperações de resgate, que jogaram a dívida pública na estratosfera.

Para compensarem os prejuízos com o lixo tóxico que lhes foi vendido pelos bancos norte-americanos, os bancos europeus especularam a seguir com os papéis da dívida inflada, lançando os juros nos cornos da lua. E para essa extorsão contaram com a prestimosa colaboração dos bancos norte-americanos e seus apêndices, como os fundos de ‘investimento’ e as agências de ‘classificação de risco’. E os bancos puderam impunemente promover tal sangria porque o Tratado da União Europeia proíbe o BCE de emprestar dinheiro a um país membro e também proíbe que um país empreste a outro. Os países são obrigados a se financiarem junto à banca privada.

Mesmo assim, ainda sob efeito da indigestão com trilhões de derivativos podres, a situação dos bancos europeus é tal que, em pouco mais de dois meses, para serem mantidos à tona, o BCE os inundou com 1 trilhão de euros, através de empréstimo com prazo de três anos e juro de 1% - isto é, juros negativos já que a inflação prevista para 2012 na zona do euro é de 2,1%. Desse montante, 530 bilhões de euros foram injetados em 800 bancos nesta quarta-feira. Enquanto enchiam aos borbotões as arcas dos bancos, exigiam o sangue dos gregos, italianos, espanhóis, portugueses e em geral de todos os europeus para empréstimos que também vão direto para o caixa dos bancos.

MERKOZY

Como denunciaram as personalidades gregas Mikis Theodorakis e Manolis Glezos em seu manifesto contra a escravização dos povos da Europa através da dívida, tentam colocar “no lugar das imperfeitas democracias que temos a ditadura do dinheiro e a banca, cujo centro político está fora da Europa continental, apesar da presença de poderosos bancos europeus no coração do império”. “Começaram com a Grécia, utilizada como cobaia para deslocar-se a outros países da periferia europeia e, pouco a pouco, até o centro”. É o que faz o “pacto fiscal” de Merkozy.

Intentam instaurar um limite draconiano para o déficit orçamentário estrutural, de 0,5% do PIB, para liberar mais dinheiro para os bancos. Também a dívida pública – que foi inflada ao se socializarem as dívidas dos bancos – terá de ser reduzida a 60% do PIB. O que só pode se traduzir em um arrocho virulento e recessão, aumento da idade mínima para se aposentar, cortes dramáticos na educação e saúde, desemprego recorde e volta a um patamar de pobreza que não se via há décadas. É isso que está levando o povo às ruas, com um só grito: “Basta!”.

                                                                                              

ANTONIO PIMENTA





                                                                                             






 



 


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