Herói da luta anti-nazi conclama
gregos a derrotar eixo FMI-Berlim

Manolis Glezos ressaltou que a luta contra a submissão à troika “começou aqui mas se move para outros países. É por isso que vemos essa solidariedade, porque as pessoas estão reagindo”

Aos 89 anos, o herói nacional grego, Manolis Glezos, por ter escalado a Acrópole para rasgar a bandeira da suástica na Acrópole e hastear o pavilhão grego, no início da invasão nazi na II Guerra Mundial, convocou seu povo à luta contra “a mais recente ocupação da Grécia”, a do FMI, BCE e Berlim. No domingo 12 de fevereiro, no auge das manifestações em Atenas contra a rendição do governo Papademos, Manolis foi agredido por policiais e atacado com spray de pimenta, quando se dirigia ao parlamento, com o compositor Mikis Theodorakis, para condenar a aprovação do infame acordo.

Mais tarde ele disse: “Basta. Eles não têm a menor idéia do que um levante do povo grego significa. E o povo grego, independentemente de ideologia, ergueu-se”.

Autor, junto com Theodorakis, de uma carta aberta pela mobilização popular contra o fascismo financeiro, Manolis afirmou que “uma nova democracia está nascendo na Grécia, uma democracia direta. Talvez tenhamos ainda um longo caminho pela frente, um caminho muito difícil, mas os fundamentos estão muito bem definidos desde que as pessoas se uniram para protestar em 25 de maio”. Sobre a nova ocupação nazi, ele disse que “hoje alcançamos um nível de submissão que se aproxima dos 100%. Estrangeiros estão decidindo tudo, tudo”.

O ato de Manolis, com seu amigo e camarada Lakis Santas, naquela noite de 30 de maio de 1941, espalhou a esperança, num dos períodos mais negros da guerra, entre os países ocupados e os que resistiam ao nazismo. A notícia da façanha correu a Europa. “Hitler fez um discurso no parlamento alemão no qual disse: ninguém na Europa se opõe a nós”, narrou Manolis recentemente. “Mas nós lhe dissemos, isso é o que você alega, agora é que vai começar a batalha”. 70 anos depois, o incansável lutador se mantém em guarda, como fez contra a ocupação nazi, na guerra civil grega, contra a ditadura dos coronéis gregos e agora contra a submissão da Grécia aos bancos credores e FMI.

Ele foi preso três vezes na II Guerra, duas vezes pelos nazistas e uma pelos italianos. Foi torturado, mas fugiu todas as vezes. Foi condenado à morte à revelia. Durante a guerra civil grega e a ditadura militar que se instaurou depois, Manolis foi sentenciado à morte duas vezes, passando mais de 11 anos preso por suas convicções políticas, além de mais quatro anos no exílio. Foi eleito deputado enquanto estava na prisão.

COBAIAS

“Nós nos tornamos cobaias de políticas exigidas por governos cujo deus é o dinheiro”, denunciou o veterano combatente, assinalando que “começou aqui mas vai se mover para outros países. É por isso que estamos vendo essa solidariedade, porque as pessoas estão reagindo”. Nas últimas semanas, na Europa e nos EUA, propagou-se a consigna “todos nós somos gregos”.

Sobre a dívida grega, engordada pelos juros de escorcha cobrados pelos bancos, Manolis defendeu que não seja paga e apontou ainda que até hoje a Alemanha não pagou as reparações de guerra devidas à Grécia após a II Guerra. “Não esqueço, não esqueço”. Theodorakis calcula em 500 bilhões de dólares a dívida da Alemanha para com a Grécia.

“Hoje, a única solução são as eleições gerais”, assinalou. “O nosso sistema eleitoral está um caos. O governo está completamente afastado dos desejos das pessoas. Precisamos de eleições e que os partidos de esquerda se unam, que deixem de lado as suas divergências e consigam uma oportunidade para governar.”
 

                                                                                           

                                                                                         

ANTONIO PIMENTA





                                                                                             






 



 


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