Juro no BB pode cair para até 2% ao mês e taxas na CEF a 4%

Presidenta quer “equilibrar taxa interna [dos juros] com a internacional” para barrar “tsunami monetário”

A presidenta Dilma Rousseff afirmou, neste domingo (11), em entrevista ao jornalista Luis Nassif, que a “redução dos juros, pelo Banco Central, não é só para esquentar a economia brasileira”. “A intenção maior é equilibrar a taxa interna com a internacional. Hoje em dia esse diferencial é responsável pela maior arbitragem que existe no mundo”, prosseguiu Dilma, numa referência ao fato de que o juro real no país (4,2%) - ainda o mais alto do mundo - atrai essa enxurrada de dólares dos países ricos, o que Dilma chama de “tsunami monetário”. A média dos juros reais nas 40 economias mais relevantes está negativa (0,7%).

Com isso, o resultado é o câmbio deformado, com subsídio às importações e o encarecimento dos produtos exportados, travando o desempenho da indústria e da economia do país.

Preocupada em alavancar o desenvolvimento do país e com a ação dos juros sobre o consumo e o crédito, a presidente Dilma determinou recentemente que os bancos públicos dêm o exemplo e reduzam os juros cobrados dos seus clientes. De acordo com fontes do governo, a presidente mandou que o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF) baixem os juros cobrados em vários produtos, inclusive os mais caros, como cheque especial e crédito rotativo no cartão. Os estudos visam reduzir os juros para 2% ao mês, em alguns casos, no Banco do Brasil. Hoje o banco chega a cobrar 8,47% ao mês de clientes que entram no cheque especial. Seria um corte de 76% nos juros. Há projeto semelhante na Caixa, buscando diminuir algumas taxas para 4% ao mês.

Dilma quer com isso que os bancos privados sejam levados a reduzir o spread (diferença entre o custo de captação do banco e o que ele cobra nos empréstimos), bastante alto no país. Sem dúvida isso mostraria que se os bancos podem diminuir os juros, o BC também não teria porque não fazer um corte mais drástico e necessário na taxa Selic.

Segundo um técnico do governo ouvido pela reportagem de “O Globo”, a ideia é “fazer um plano audacioso, que mexa com todo o mercado”. Pelo plano, o BB pretende cortar juros para funcionários públicos, para empresas que tenham conta no banco e para a população de baixa renda. Com isso, o BB e Caixa aumentariam seus clientes compensando a redução dos ganhos com os juros. Em contrapartida seriam exigidas algumas garantias dos clientes para terem acesso a taxas mais baixas.

PROTECIONISMO

Na entrevista concedida a Luis Nassif, a presidente Dilma também falou que a “desvalorização cambial artificial [dos países ricos] é uma forma de protecionismo feroz”. Ela disse que “há um discurso dos países centrais de que são defensores do livre comércio. Mas praticam o protecionismo mais feroz que se conhece”. “Se perguntar hoje qual é o maior cuidado do governo, respondo: é acompanhar como o Brasil se defende dessas políticas que são abertamente protecionistas praticadas pelos governos desenvolvidos”, salientou a presidenta.

Ao comentar a situação da crise nos EUA, Dilma lembrou que eles “empurraram a crise com a barriga, aumentaram a quantidade de dinheiro nos bancos, mas não rolaram as dívidas das famílias, o que poderia ter destravado o mercado interno”. “Só agora nas eleições, depois de quatro anos de crise, começam a rolar as dívidas das famílias”, lembrou.

O ‘quantitative easing’ (programa de inundação do mundo com dólares) do governo americano “é um mix de política macro, com taxas de juros lá embaixo, expansão monetária acelerada e objetivo de segurar o lado fiscal. É evidente que por trás dela há a intenção de desvalorizar o dólar e melhorar o emprego interno”. “E essa desvalorização artificial da moeda não está regulada pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Então não venham reclamar de algumas medidas absolutamente defensivas que o Brasil toma”, salientou.

TSUNAMI

Ela lembrou o filme ‘Muito Grande para Falir’ para mostrar que “na cena final o Secretário do Tesouro Paulson pergunta a Ben Bernanke se estava satisfeito com o fato dos grandes bancos terem absorvido os empréstimos para rolar dívidas. Bernanke, quieto, responde: não tenho certeza se eles vão emprestar”. “De fato”, lembrou Dilma, “não emprestaram: uma parte ficou depositada no próprio FED, outra parte foi devolvida”.

“No caso da Europa, são um trilhão de euros emprestados a 1% ao ano, que em breve entrarão na ciranda financeira. Irão investir em títulos da Itália e Espanha, aumentando sua exposição? Não: virão fazer arbitragem aqui e em outros países. Tem uma enorme bolha a caminho”, frisou Dilma. “Hoje em dia, via tsunami monetária, está em curso no mundo a prática das desvalorizações competitivas, o que se chama de ‘empobreça seu vizinho’. “É uma situação esquizofrênica na Europa, que não consegue uma solução de crescimento”, afirmou.

Dilma alertou para a gravidade da crise social nos países europeus. “Muitos países estão com graus de desemprego do ponto de vista político incompatível com sistemas democráticos abertos. A dívida grega não é financiável, assim como a de Portugal. Como conviver com nível de desemprego que chega a atingir 45% dos jovens? Destrói o tecido social, tira das pessoas a esperança”, alertou.

Sobre o Brasil, Dilma ressaltou que “as condições do mercado internacional mudaram”. “Estamos vivendo situação diferenciada. Não se pode perder a consciência do tsunami monetário. Tem que fazer avaliação sobre as estratégias a serem tomadas, e não se faz de forma abrupta e apaixonada. Com muita cautela, frieza, tranquilidade, iremos acompanhar o desenrolar da situação e tomar as medidas cabíveis”. “Não tenho como adiantar as medidas cabíveis, mas para o governo brasileiro esta é a questão principal”, destacou. “Se perguntar hoje qual é o maior cuidado do governo, respondo: é acompanhar como o Brasil se defende dessas políticas que são abertamente protecionistas praticadas pelos governos desenvolvidos”, garantiu a presidenta.

Dilma falou também das medidas que pretende tomar para defender a indústria nacional. “O Brasil vai institucionalmente tomar medidas para garantir que nosso mercado interno não seja canibalizado. Tem queda na indústria, mas dá para reverter. Não daria se deixássemos continuar por dois, três anos. Agora dá e vamos fazer o possível e o impossível para defender a indústria nacional”.

Descrevendo as atividades da Feira de Tecnologia de Hannover, na Alemanha, ela disse que aproveitou bastante, que conferiu os stands alemães e destacou que quase todos eram apenas filiais de empresas coreanas. Ela disse também, ao final da entrevista, que entusiasmou-se com o sistema de controle de voo da Embraer, com a apresentação de Marcos Stefanini, de uma empresa brasileira de TI, que “mostrou o grande diferencial brasileiro: jeitinho, criatividade”.

SÉRGIO CRUZ


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