Joaquim: um homem corajoso e determinado

MIGUEL MANSO*

Talvez por razões de estilo, por estar muito chocada ou por outro motivo que não nos ocorre agora, a prefeita Maria Antonieta de Brito tomou tanto cuidado para não melindrar a Secretaria Estadual de Segurança e a Delegacia do Guarujá, na entrevista coletiva, que acabou aliviando o desinteresse de ambas em oferecer um mínimo de proteção ao amigo Joaquim – o que poderia ter evitado um crime político premeditado e previamente anunciado.

O fato é que as ameaças contra a vida de Joaquim eram públicas e notórias, tendo sido fartamente noticiadas na imprensa local desde o seu sequestro no dia 11 de maio de 2010, na saída da prefeitura. Que tipo de investigação foi feita para identificar, prender ou ao menos pressionar e desestimular seus promotores?

Joaquim mudou de residência; foi para um local mais seguro, com circuito de tevê monitorando e gravando os movimentos nas imediações do local; passou a usar carro blindado. O que pôde fazer, individualmente, para melhorar a sua segurança, ele fez. Quem no mundo político do Guarujá não sabia disso?

A prefeita disse na coletiva que quando esteve em novembro do ano passado com o secretário de Segurança do Estado tratou apenas da Operação Verão e do assassinato do vereador Romazzini, do PT, ocorrido em 26 de novembro de 2010, e não das ameaças contra Ricardo Joaquim. Disse também que em 31 de dezembro de 2011, após ter recebido deste a denúncia de uma nova ameaça, acionou o coronel Del Bel, da Polícia Militar, comandante da Operação Verão, que prontamente ofereceu uma escolta, mas Joaquim declinou da escolta e preferiu se dirigir à Polícia Civil. Só não disse que ele estava certo, porque naquele momento o problema não era de escolta, mas de investigação, de diligência, e rápida, porque a denúncia que levou à Delegacia do Guarujá era bem determinada. E tanto era que o delegado, que fez ouvidos de mercador e não investigou nada, não conseguiu negar a ida de Joaquim até lá. Procurou apenas embaralhar as cartas alegando a inexistência de um BO, como se sem BO a denúncia não existisse e a diligência não pudesse ser efetuada.

Se aliviar a inoperância da Secretaria de Segurança do Estado e da Delegacia do Guarujá, ao longo de todo esse trágico episódio, ajudasse alguma coisa para que houvesse agora uma investigação capaz de retirar esse crime do rol da impunidade, nós seríamos os primeiros a aliviar. O problema é que não ajuda, e estamos seguros de que a população do Guarujá e do Brasil não aceita que a morte de Joaquim seja em vão.

Para reavivar as memórias sobre o modus operandi das máfias que tentam intimidar e submeter as instituições do Guarujá, devo concluir esse texto com um breve relato. Depois de sequestrado por três elementos, em 2010, Joaquim foi mantido dentro de um carro, cercado por outros dois carros, com 10 bandidos fortemente armados, que o torturaram física e psicologicamente, dizendo que sua filhinha recém-nascida, a Manuela, e sua esposa Adriana estavam em mãos da quadrilha e seriam mortas se ele não assumisse o compromisso de lhes entregar o “dinheiro do caixa 2” de Antonieta. Joaquim recebeu coronhadas, socos e ameaças de ter sua genitália destruída à bala. Mas respondeu que o governo de Antonieta era de trabalhadores, que ele era petroleiro e que jamais admitiria tais desonestidades. Mesmo correndo o risco de nunca mais ver sua família, defendeu sua honra e a do governo em que se orgulhava de participar, deixando seus algozes na situação de matá-lo ou soltá-lo.

Ele não era um homem descuidado. Era apenas muito corajoso e determinado.

*Miguel Manso é presidente do PPL de São Paulo e secretário Nacional de Organização do PPL


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