“Acordo” só leva mais dinheiro a
bancos e agrava dívida da Grécia

“Reestruturação” da dívida grega não passa de uma intensificação do assalto. O país agora deve 130 bilhões ao FMI/BCE para repassar aos bancos, que ainda recebem para se livrar de seus títulos podres

Enquanto a mídia alardeava que a Grécia estava “recebendo” o maior resgate “da história” ou simplesmente xingava os gregos de “caloteiros”, 85% dos credores privados aceitaram na semana passada a “reestruturação da dívida”. Através da qual se livraram de papéis que já praticamente nada valiam no mercado, trocados por outros nominalmente menores, mas de recebimento garantido por um empréstimo casado do FMI e BCE, de 130 bilhões de euros.
Dessa forma, para a Grécia a “redução da dívida” em 110 bilhões de euros não passou da transformação de uma dívida com credores privados - encalacrados com a especulação que promoveram e tementes de uma moratória -, por uma dívida com o FMI e o BCE, de 130 bilhões de euros, em condições muito mais penosas.

Por terem especulado abertamente contra os títulos gregos, para jogar os juros que recebiam na estratosfera, os bancos não deveriam receber nada, mas ficarão com 46,5% do atual valor de face. (veja página 8). Do empréstimo de 130 bilhões de euros, 30 bilhões são um adiantamento aos bancos para que procedam à troca de títulos.

E os credores privados foram agraciados com outra notável vantagem: os novos títulos, ao invés de atenderem à legislação grega como antes, terão em caso de litígio como foro um tribunal de Londres. O que visa proteger os bancos de perdas no caso eventual de uma saída da Grécia da zona do euro e volta do dracma como moeda grega, criando um obstáculo legal a uma moratória em dracmas.

A situação da dívida grega continua insustentável, ficando em 140% do PIB. Na melhor das hipóteses, cairia para ainda insustentáveis 120% do PIB, mas há um risco grande, devido à depressão econômica que os pacotes de arrocho da troica provocaram na Grécia, de que a dívida volte a 160% do PIB.

LEITE DAS CRIANÇAS

Ainda para garantir os bancos credores, a última cúpula da União Europeia aprovou a exigência de que a Grécia mantenha uma conta em separado para proceder aos pagamentos, na qual será depositado o novo empréstimo. Há ainda o diktat de que entre na constituição grega a obrigação de pagar os credores acima de qualquer outra despesa, seja o leite das crianças, o salário dos servidores, as verbas dos hospitais ou as aposentadorias.

Na falta de uma legítima moratória, que alivie a situação do povo grego e restabeleça a soberania e a possibilidade de restaurar a economia, está sendo apenas adiado o desfecho. Nos últimos meses, nas ruas, o povo grego tem manifestado o que pensa da “salvação” que vem do FMI, do BCE e de Berlim, e do assalto promovido pelos bancos credores.

                                                                                               

                                                                                               
                                                                                             
ANTONIO PIMENTA
                                                                                            

                                                                                         






                                                                                             






 



 


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