Juro e câmbio atingem emprego no centro industrial do país: -3%

De outubro até janeiro, o emprego na indústria de São Paulo registra quedas consecutivas: –3,5%, –3,7%, –3,3% e –3,0%, na comparação com o mesmo mês de 2011, bem acima da média nacional de -0,5%

O emprego na indústria brasileira caiu 0,3% em janeiro de 2012 em relação a dezembro passado, na série com ajuste sazonal, segundo Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES), do IBGE, divulgada na quarta-feira (14).

Ainda que tenha recuado menos do que a produção industrial – com queda de 2,1% em 2011-, os juros altos e o câmbio subsidiado, que favorecem as importações predatórias e a desnacionalização, já atingem o emprego industrial que registra quedas desde setembro do ano passado, com uma pequena variação positiva de 0,1% em dezembro de 2011, na comparação com o mês anterior. Em setembro, o recuo foi de -0,4%, outubro -0,5% e novembro -0,1%.

“O fato é que o emprego industrial está acompanhando o que vem ocorrendo na produção. Se, nos oito primeiros meses do ano passado, o número de ocupados na indústria ficou estável, a partir de setembro ele deixou de resistir à forte perda de ritmo da produção observada ao longo de 2011 e começou a cair”, diz o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “O emprego industrial também já está sendo afetado pelos fatores mais gerais que estão comprometendo a competitividade da indústria e, consequentemente, empurrando sua produção para baixo, quais sejam, o elevado custo de se produzir no País e a moeda valorizada”.

Os dados do IBGE mostram o quadro alarmante no centro industrial do país. No Estado de São Paulo, o emprego industrial em 2012 começou pior do que no ano passado, caindo -3,0% em janeiro, bem acima da média nacional de -0,5%, na comparação com janeiro de 2011. De outubro a janeiro, o emprego na indústria paulista registrou quedas consecutivas de -3,5%, -3,7%, -3,3% e -3,0% na mesma base de comparação. “No centro industrial do País, em São Paulo, onde a indústria é mais diversificada, a queda no número de pessoas ocupadas vem sendo maior do que na média brasileira. O temor é que o padrão de São Paulo se imponha para o resto do País, ampliando as demissões no setor como um todo”, alerta o Iedi. “No Rio de Janeiro, outro centro importante para o emprego industrial, o número de ocupados ficou estagnado em dezembro (0,0%) e caiu em janeiro (–0,7%)”, ressalta o instituto.

Segundo o IBGE, São Paulo registrou taxas negativas em 13 dos 18 setores investigados, sendo as maiores nas indústrias de produtos de metal (-9,4%), metalurgia básica (-17,9%), borracha e plástico (-8,2%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-6,8%), papel e gráfica (-5,7%), calçados e couro (-12,3%), têxtil (-4,4%) e vestuário (-3,9%).

Nas regiões pesquisadas pelo IBGE, as maiores quedas, além de São Paulo (-3,0%), foram no Ceará (-2,8%), Santa Catarina (-1,5%), Bahia (-1,4%), Espírito Santo (-1,1%), Rio de Janeiro (-0,7%) e região Nordeste (-0,4%). Paraná (4,6%), Minas Gerais (2,5%), regiões Norte e Centro-Oeste (1,7%) e Pernambuco (4,2%) são apontadas como as principais contribuições positivas.

Segundo o IBGE, “ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral assinalou variação negativa de 0,1% na passagem de dezembro para janeiro e manteve o desempenho predominantemente negativo observado desde outubro último. Na comparação com janeiro de 2011, o total do pessoal ocupado na indústria recuou 0,5%, quarta taxa negativa neste tipo de confronto, praticamente repetindo a queda assinalada no último trimestre do ano passado (-0,4%). A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos 12 meses, avançou 0,8% em janeiro de 2012, e prosseguiu com a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2011 (3,9%)”.

 


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