Para Nakano, Selic é armadilha que trava crescimento do país

O economista Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo de São Paulo afirmou, em artigo “Para reduzir juro, Selic precisa acabar”, publicado no jornal “Valor”, na quarta-feira (14), que o uso da taxa Selic pelo Banco Central para fazer política monetária cria “uma armadilha que trava o crescimento acelerado da economia brasileira há quase duas décadas”. A taxa Selic, segundo ele, “é a taxa de juros que o Tesouro Nacional paga por seus títulos de dívida pública. Estes títulos devem remunerar um investimento financeiro de longo prazo e embutem algum risco e prêmio de liquidez”. “O Banco Central ao utilizar a taxa Selic para fazer política monetária, operações de mercado aberto (“overnight” e compromissadas), está pagando indevidamente este prêmio de risco e de liquidez que o Tesouro paga por seus títulos de longo prazo. O Banco Central, por ser emissor de moeda, não tem risco e também garante liquidez”, explica o professor e diretor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas.

“É loucura pagar taxa Selic de título de longo prazo no “overnight”. Mais importante, em todo o mundo os bancos centrais operam no mercado de moeda (reservas bancárias), onde se transacionam as sobras de caixa. Sobras de caixa não são investimentos e a taxa de juros deve ser muito baixa. Hoje 1% ou menos nos países desenvolvidos e a política monetária depende muito mais da variação da taxa do que do nível em si”.

Segundo Nakano, “os bancos para poderem operar têm que captar depósitos atrelados ao DI (igual à Selic) e pagar uma margem significativa. O mesmo com o mercado de capitais. Como poucos investimentos produtivos têm taxa de retorno maior do que estas taxas de juros, poucos no setor privado estão dispostos a emitir ativos financeiros e enfrentar um competidor como o BC”.


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