SP: panes no Metrô e na CPTM prejudicam 195 mil passageiros

Linhas 1 e 3 do Metrô e Linha 9 da CPTM foram afetadas. Número de panes dobrou no último ano

Uma série de falhas nas linhas do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), fez com que a última quarta-feira se tornasse um caos para milhares de paulistanos. Segundo as estimativas oficiais, ao menos 195 mil usuários foram prejudicados em diferentes eventos durante todo o dia.

“Esse tipo de falha não é surpresa. Elas são constantes”, afirmou Vanderlei Buenos, que saiu de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, e precisava chegar ao centro da capital, onde disputaria uma vaga de emprego.
Com interrupções momentâneas e circulação mais lenta das composições, houve superlotação dentro e fora das estações, com vários transtornos para quem tentava embarcar.

No Metrô, ocorreram panes em composições de dois ramais entre os horários das 6h46 e 8h03. Na Linha 1 Azul, que liga as regiões norte e sul da cidade, um trem apresentou pane entre as estações Vila Mariana e Santa Cruz.

A pane foi suficiente para travar as conexões e tumultuar o acesso às estações, plataformas e trens. Nesse eixo, onde são transportadas, diariamente, cerca de l,5 milhão de pessoas, o Metrô calcula que cerca de 65 mil usuários tenham sido prejudicados.

Já na Linha 3 Vermelha, que liga as zonas leste e oeste, a companhia estima que tenham sido afetadas em torno de 100 mil pessoas. Nessa linha, o problema foi no sistema pneumático de uma composição que ficou retida na Estação D. Pedro II, no sentido Barra Funda. Os passageiros tiveram de ser retirados do trem.

A demanda diária desse ramal é 1,4 milhão de pessoas e, com tanta gente querendo embarcar, a estratégia adotada pela empresa foi a de fechar algumas estações e bloquear alguns acessos para evitar riscos à saúde do usuário, segundo justificou a companhia. A CPTM estimou em cerca de 30 mil o total de passageiros atingidos pelo defeito no sistema de energia da Linha 9 Esmeralda, que liga o município de Osasco, a oeste da Grande São Paulo, com a região do Grajaú, no extremo sul da cidade de São Paulo. As composições estavam circulando por uma única via, entre as estações Granja Julieta e Santo Amaro. Em razão disso, a disputa por um lugar no embarque ou dentro dos trens causou desconforto aos usuários e a maioria chegou atrasada ao trabalho ou a outros compromissos.

Infelizmente essa se tornou a realidade dos últimos anos no sistema de transporte metropolitano. O desleixo do governo estadual (que é responsável pelos trens e metrôs), com a manutenção, e a falta de investimento, fizeram com que o sistema de trens paulista se tornasse superlotado, lento e extremamente defasado.

“É um absoluto desrespeito do governo com o cidadão, trabalhador, estudante. Hoje o trem sentido Osasco ficou 45 minutos no Terminal Grajaú lotado e com as portas abertas, quando finalmente prosseguimos viagem o trem ficava de 10 a 15 minutos parado em cada estação, porque estávamos todos apertados dentro do trem e as pessoas que aguardavam nas estações tentando entrar não conseguiam, pois não cabia mais ninguém! Tinha pessoas passando mal, mulheres com suas crianças apertadas entre as pessoas, mulheres grávidas”, relatou a usuária Dayana Oliveira.

“Estava tudo superlotado e eu levei uma hora e 40 minutos em um trajeto que faço em meia hora todos os dias”, disse a estudantes, Alba Marcondes, que utiliza a Linha Azul do Metrô para ir à faculdade.

De acordo com o Metrô, a linha 2 Verde concentra o maior número de paralisações. Os casos mais que triplicaram no período, subindo de sete (2010) para 24 (2011). Algumas dessas panes foram consideradas graves, como incêndios e choques de trens.

No caso da CPTM, os acidentes ocorridos foram ainda mais graves. Em 2011, cinco trabalhadores que prestavam manutenção em linhas foram atropelados e perderam as suas vidas.
 


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