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Uma observação
sobre PIB e inflação
Durante a reunião que promoveu com as centrais
sindicais, a presidente Dilma, ouvindo as críticas dos líderes sindicais à
política econômica que fez com que o crescimento de 7,5% em 2010 fosse reduzido
a exíguos 2,7% em 2011, argumentou que seus interlocutores, quando comparavam
esses resultados, esqueciam a inflação de um e outro ano.
No entanto, a inflação de 2010, medida pelo
índice oficial, o IPCA, foi 5,9%. A inflação de 2011, também pelo IPCA, foi
6,5%. No acumulado do ano (e não somente) todos os meses de 2011 tiveram
inflação superior aos mesmos meses de 2010 (cf. “Indicadores IBGE, Sistema
Nacional de Índices de Preços ao Consumidor”, janeiro 2010-dezembro 2011).
Portanto, no ano em que o Brasil cresceu 7,5%
houve uma inflação menor do que naquele em que cresceu apenas 2,7%. A queda do
crescimento em 4,8 pontos percentuais – uma queda de 64% - não redundou em menor
inflação, pelo contrário.
A política econômica dos srs. Mantega e Tombini
asfixiou o crescimento, supostamente para combater uma inflação que nada tinha a
ver com o Brasil, era apenas o resultado da especulação com commodities em
Chicago e Nova Iorque, lugares onde não vigora a taxa de juros do BC, portanto,
como disse o ex-ministro Delfim Neto, era inútil aumentá-las - até porque essa
bolha especulativa inevitavelmente estouraria, com redução dos preços, o que
começou a acontecer já no segundo semestre do ano passado.
Em suma, manietaram o crescimento para, ao
final, ter como resultado uma inflação maior do que a do ano anterior – aquele
em que eles consideravam excessivo o crescimento, que criaria inflação.
Sobre uma questão análoga – o crescimento de
9,2% da Argentina no ano passado – a presidente também apontou o problema da
inflação, que naquele país teria sido de 20%.
Trata-se de um equívoco, compreensível devido à
campanha da mídia, inclusive norte-americana, sobre isso. A inflação de 2011 na
Argentina, medida pelo Instituto Nacional de Estadística y Censos (INDEC), que
tem naquele país o mesmo papel que o IBGE tem no nosso, foi 9,5%. A cifra citada
pela presidente é a que a oposição (o equivalente lá de tucanos e assemelhados)
vem brandindo contra o governo da presidente Cristina Kirchner. Trata-se de uma
oposição tão golpista – ainda que cada vez mais sem significação - que quer
determinar na marra até quais são as estatísticas, apenas porque querem que
sejam outras.
C.L
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