Dezenas de conhecidos intelectuais do mundo inteiro divulgaram o documento “Pela
solução política ao conflito colombiano”, convocando o governo da Colômbia “e,
por extensão, o dos Estados unidos”, a aceitarem a proposta em prol de uma saída
negociada para a situação do país que vive uma guerra civil de fato.
O texto é assinado por escritores como o espanhol Alfonso Sastre, e o cubano
Roberto Fernández Retamar; jornalistas como Pascual Serrano da Espanha, o
uruguaio Aram Aharonian, o mexicano Carlos Fazio, e a argentina Stella Calloni;
teólogos como François Houtart da Bélgica, filósofos, historiadores e atores. O
premio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel (Argentina), o vice-presidente do
Conselho Assessor do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Jean Ziegler (Suiça),
e
Piedad Córdoba, porta voz de “Colombianas y Colombianos por la Paz”, estão entre
os primeiros nomes da lista de apoiadores.
O texto destaca a responsabilidade dos Estados Unidos no recrudescimento do
conflito, uma vez que os norte-americanos pretenderam “converter essa nação em
uma base militar continental, com a finalidade de conter os projetos
democráticos que se desenvolvem na América Latina”.
“O conflito interno na Colômbia leva quase seis décadas e tem se convertido em
um dos mais antigos do mundo, junto ao da Palestina e de Caxemira. Nesse
confronto, a população civil tem sido a principal vítima. Segundo as cifras
divulgadas pelas organizações de direitos humanos nacionais e internacionais são
mais de 60 mil os detidos-desaparecidos; oito mil presos políticos; centenas de
fossas comuns; cinco milhões de camponeses, indígenas e afrodescendentes
violentamente desalojados de suas terras nos últimos dez anos, e milhares de
assassinatos políticos a cada ano”, assinala o texto.
“Instâncias internacionais, como a ONU, assinalam que o Estado, juntamente com
grupos paramilitares, é o máximo responsável por tal violência. A insurgência,
representada nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército
de Libertação Nacional (ELN), apesar de que em uma mínima proporção, também têm
sua parcela de responsabilidade”, acrescenta.