Óleo vazado pela Chevron pode ser muito maior, diz procurador

Justiça proíbe que diretores da múlti saiam do país e manda recolher seus passaportes

Após novo vazamento de óleo - de um qui-
lômetro de extensão, segundo a Marinha - na Bacia de Campos, provocado pela petroleira norte-americana Chevron, o juiz Vlamir Costa Magalhães, da 4ª Vara Federal Criminal, atendeu ao pedido de liminar do Ministério Público Federal (MPF), e proibiu no sábado (17) que dezessete executivos da multinacional americana e da empresa Transocean deixem o Brasil. O juiz afirmou que “há, mais uma, vez indícios veementes de vazamento” e que os 17 executivos têm “palpáveis motivos para querer deixar o país”. O juiz determinou que os dirigentes da multinacional entregassem seus passaportes em 24 horas.

O novo desastre da Chevron foi provocado por uma fissura de 800 metros de extensão e afundamento do solo marítimo a cerca de 3 km do local do último vazamento. O governo trabalha com a avaliação de que uma área de sete quilômetros de diâmetro do solo marinho tenha sido abalada pela atuação irresponsável da empresa norte-americana. A multinacional pediu na quinta-feira autorização à ANP (Agência Nacional do Petróleo) para suspender as operações de produção no campo Frade. A proibição da saída dos executivos do país e o seu enquadramento em crime ambiental foi motivada pela atitude suspeita da empresa de suspender as atividades logo após o segundo vazamento. A procuradoria suspeita que os executivos, inclusive o presidente da Chevron, George Raymond Buck e o diretor-geral da Transocean, Guilherme Dantas Coelho, estavam se preparando para fugir do país.

O procurador da República, Eduardo Santos Oliveira, disse que vai responsabilizar criminalmente os envolvidos nos dois vazamentos. Ele ressaltou que a intenção da Chevron de suspender sua produção é “confissão de culpa e de negligência”. “A Chevron não pode sair sem finalizar o abandono (fechamento) do poço. Quero entender a dimensão do pedido. Uma série de atitudes da empresa demonstram seu desprezo pelo acidente e os danos causados”, disse o procurador.

A petroleira americana mais uma vez teve uma atitude arrogante e desprezou as autoridades ao informar que o vazamento era pequeno e que teriam sido recolhidos apenas 5 litros de óleo. O procurador contesta a afirmação da empresa e diz que o vazamento atual pode ser muito maior do que a empresa está informando.

O oceanógrafo David Zee, da UERJ, também contesta as informações da multinacional. “É preocupante pensar na quantidade de óleo que pode vazar de uma fenda de 800 metros”, alertou. A rachadura de 800 metros responsável pelo vazamento atual teria a mesma causa, segundo as investigações, da que provocou o desastre anterior: a insistência da Chevron e da Transocean em perfurar o poço com pressão da sonda equivalente a 9,5 libras por galão, que ultrapassou o limite suportável pela parede do poço. Estudos indicavam que a pressão máxima suportada era de 9,4 libras por galão. O poço não suportou a pressão e vazou óleo para o oceano.

“Eles injetaram uma pressão absurda em cima de um reservatório que não aguentava e conheciam o gradiente de ruptura da rocha”, ressaltou o delegado Fábio Scliar, delegado da Polícia Federal, responsável pelas investigações. Indagado pela Polícia Federal se a pressão excessiva, de 9,5 libras por galão, não era um procedimento arriscado, Gary Slaney, gerente da Transocean, disse em depoimento que considerava “um risco aceitável”.

Segundo o procurador, a companhia deveria gerir a crise gerada pelos vazamentos, mas tem apenas tentado minimizar os problemas com respostas evasivas e informações pouco claras. Na acusação que enviará à Justiça Federal, o MPF pode requerer até a prisão preventiva dos acusados. As penas individuais por crime ambiental e falsidade ideológica podem, segundo ele, passar de 18 anos mais multa. O IBAMA comunicou que a informação sobre o vazamento atual só foi feita dez dias após a sua descoberta.

A Chevron confessou que não é possível afirmar se o local corre o risco de novos vazamentos, “isto ainda está no campo das hipóteses”. Segundo o procurador, a multinacional “não tem como parar o vazamento no campo de Frade, na bacia de Campos. “O desastre de novembro passado levou a uma rachadura no reservatório, enquanto a empresa tentava indevidamente atingir a camada pré-sal”, acrescentou o procurador Eduardo Santos de Oliveira. “Não há nenhuma maneira de parar esse vazamento até que o reservatório esteja esgotado”, prosseguiu Oliveira, acrescentando que o acidente de novembro quebrou o “selo” do reservatório. “O selo foi quebrado e óleo vai vazar até que se esgote”, disse.


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