Ato em defesa da indústria cobra solução para juros altos e câmbio

Lideranças empresariais e sindicais defendem, no Grito de Alerta em São Paulo, redução mais acelerada dos juros e câmbio equilibrado para frear o desmantelamento da indústria nacional

   As Centrais Sindicais, entidades empresariais do setor produtivo, como a Fiesp, Abimaq, Abinee, e os estudantes realizaram na quarta-feira (4) uma histórica manifestação com 90 mil pessoas em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo. Foi o terceiro ato do Grito de Alerta em Defesa da Produção e do Emprego, que exige a redução acelerada dos juros, câmbio equilibrado e fim da chamada Guerra dos Portos para reverter o processo de desindustrialização que vive o país, que fez com que a indústria de transformação tivesse sua participação no PIB reduzida de 27,2% em 1985 para 14,6% em 2011.

    O ato foi marcado por críticas de trabalhadores e empresários ao pacote econômico anunciado pelo governo no dia anterior como a segunda etapa do programa Brasil Maior, que deverá totalizar R$ 60,4 bilhões. Entre outras medidas, a ampliação da desoneração da folha de pagamento para 11 novos setores, com a substituição da contribuição previdenciária patronal (20% dos salários) por um imposto sobre o faturamento, com alíquota entre 1% e 2%, o que implicará em uma renúncia fiscal de R$ 7,5 bilhões.

     Para os manifestantes, as medidas são insuficientes, pois o cenário econômico demanda medidas que enfrentem as causas da queda da atividade da indústria de transformação. “Foram anunciadas ontem [03/04] várias medidas importantes pelo governo federal. Nós vamos continuar cobrando a reforma tributária, a redução da taxa de juro e decisão sobre a questão do câmbio. Mas nós não podemos deixar de fazer aqui nesse momento uma cobrança de que o plano Brasil Maior tem que ter repercussão nos estados. Precisamos também de um plano São Paulo Maior”, afirmou o presidente da CUT, Artur Henrique.

     O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), destacou que o pacote “tem medidas pontuais e importantes. O governo desonerou 11 setores, mas a indústria nacional é composta por 127 setores. O plano não ataca o cerne do problema, que é a questão dos juros e do câmbio”. De acordo com Paulinho, “a manifestação que estamos realizando serve para mostrar o rumo que trabalhadores e empresários querem para o país. Estão aqui aqueles que querem defender a indústria nacional e que os empregos sejam gerados no Brasil”.

     De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, as medidas anunciadas são mais do mesmo: “São medidas boas, mas o governo está olhando para os efeitos. Nós precisamos enfrentar as causas: um câmbio distorcido, os juros mais altos do mundo, o alto preço da energia. O que foi feito ontem [03/04] pelo câmbio? Nada. Querem câmbio flutuante? Que flutue, desde que seja acima de R$ 2 a R$ 2,20”.

     Para o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, “está acontecendo algo novo no Brasil. Precisamos continuar juntos e definir o Brasil que queremos. Se um Brasil potência ou um Brasil colonizado”. Segundo o empresário, “o juro no Brasil é um câncer. Nos últimos dez anos, R$ 2 trilhões foram canalizados para os bancos. É a maior transferência de renda em nosso país. Por isso não sobra dinheiro para saúde, educação e investimentos”.

     “As medidas que o ministro Mantega apresentou eu resumo em poucas palavras: a montanha pariu um rato. É muito pouco o que ele nos propôs. Não baixou os juros, não mexeu no câmbio, mexeu na desoneração da folha de pagamento, com risco para a Previdência Social”, frisou o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira). “É preciso baixar o juro a 1% para que se possa dar espaço para a indústria, para gerar emprego e para o desenvolvimento nacional”, acrescentou.

     Conforme o presidente da CTB, Wagner Gomes, “o movimento sindical brasileiro acolheu com espírito crítico o pacote econômico contra a desindustrialização. Ele contém uma ou outra medida positiva, mas peca pela timidez ao manter a política macroeconômica: juros altos, câmbio flutuante e superávit primário”.

     “Estamos nesse evento dentro de um mesmo barco, trabalhando em defesa da indústria nacional, da economia brasileira e do nosso país. Os países ricos estão querendo mais uma vez jogar suas crises no nosso território. As classes trabalhadora e empresarial não vão permitir. Essa manifestação tem a importante finalidade de garantir a indústria brasileira e a geração de novos empregos”, sublinhou o presidente da NCST, José Calixto.

     Na avaliação do presidente da UGT, Ricardo Patah, “este ato é emblemático, pois tem a finalidade de alertar, toda a sociedade, sobre algumas questões da macroeconomia que precisam ser mudadas. Para isso foi fundamental essa união entre sindicatos de trabalhadores e patronais em prol da produção de empregos, capacitação e melhoria na distribuição de renda”.

     “A UNE saúde a unidade do povo brasileiro em defesa do seu futuro, de um projeto nacional de desenvolvimento, que faça com que o Brasil proporcione para sua juventude e para sua população melhores condições de vida e de trabalho. Esse Grito de Alerta traz para o debate público a necessidade de medidas concretas, como a redução dessa taxa indecente de juros que apenas beneficia os banqueiros e especuladores do nosso país”, enfatizou o presidente da UNE, Daniel Iliescu.

     As próximas manifestações do Grito de Alerta acontecerão no próximo dia 12 em Belo Horizonte, dia 13 em Manaus e no dia 10 de maio em Brasília.

VALDO ALBUQUERQUE


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