Bancos estatais aceleram redução de juros para famílias e empresas

É chegada a hora do BC derrubar a Selic

Na semana passada, o Banco do Brasil lançou o programa Bom pra Todos, que vai disponibilizar a partir do dia 12 um volume adicional de R$ 43,1 bilhões nos limites de crédito para micro e pequenas empresas e para pessoas físicas - R$ 26,8 bilhões e R$ 16,3 bilhões, respectivamente -, bem como promover cortes nas taxas de juros em várias operações de crédito. Nesta segunda-feira (9), a Caixa Econômica Federal anunciou medidas no mesmo sentido, através do programa Melhor Crédito.

As micro e pequenas empresas terão acesso a R$ 10 bilhões em financiamento a juros mais baixos.

No BB, por exemplo, as linhas voltadas à aquisição de bens e serviços de consumo terão os juros médios reduzidos em 45%. Na Caixa, as taxas cobradas sobre crédito de longo prazo terão corte de até 78%.

A redução de juros pelos bancos estatais coloca o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em uma sinuca de bico. Afinal, se Banco do Brasil e Caixa podem reduzir os juros pela metade, o BC também pode reduzir a taxa Selic na mesma magnitude para que a taxa real de juros no Brasil convirja para a medial, atualmente em -0,7%, eliminado, assim, o diferencial de juros, que tem permitido a invasão de uma verdadeira avalanche de dólares em nosso país– um tsunami monetário, para usar uma expressão da presidente Dilma, emitido pelos países centrais -, provocando desequilíbrio no câmbio.

Quando do lançamento do pacote de medidas econômicas no último dia 3, um dia antes do BB anunciar a redução de juros, a presidente Dilma Rousseff havia levantado a questão da queda dos juros. “Queremos sim juros e spreads [diferenças entre o custo de captação do banco e o que ele cobra nos empréstimos] menores no Brasil. Com isso, as empresas vão poder investir na expansão da produção, na modernização do processo produtivo, na geração de inovações”.

Nesta segunda-feira, nos Estados Unidos, ao criticar as políticas monetárias expansionistas dos países centrais – que tem como ponta-de-lança o ‘quantitative easing’ (programa de inundação do mundo com dólares) do governo americano – que levam à desvalorização de suas moedas e ao comprometimento das economias dos países emergentes, Dilma voltou a falar na redução dos juros no Brasil. “Eu espero que haja um processo de convergência dos juros para as taxas internacionais”, declarou a presidente. O Copom se reúne na próxima semana para decidir sobre a taxa Selic, atualmente em 9,75% ao ano – 4,2% em termos reais (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses).

Os resultados da atividade econômica em 2011 e início de 2012 apontam o estrago dos juros alucinados do BC sobre a indústria, em particular da indústria de transformação, o setor mais dinâmico e o núcleo de qualquer política que almeje o crescimento: no ano passado, a indústria de transformação teve uma variação de apenas 0,1% sobre 2010, um resultado pífio e previsível após cinco aumentos da taxa básica de juros, corte no orçamento e restrição de crédito – e ainda tendo que conviver com uma avalanche de importados, subsidiados por um câmbio deformado pelos juros siderais do BC.

A situação deletéria em que se encontra a indústria conduziu às manifestações conjuntas entre trabalhadores e empresários, denominadas de Grito de Alerta em Defesa da Produção e do Emprego – não é à toa que as duas primeiras reivindicações do manifesto divulgado pelas Centrais Sindicais (CUT, Força Sindical, CGTB, CTB, NCST e UGT) e entidades empresariais (Fiesp, Fiemg, Abimaq, Abinee, Sinditêxtil, entre outras) são exatamente as reduções da taxa Selic e do spread bancário.

No Banco do Brasil, micro e pequenas empresas terão redução de 15% na taxa média nas principais linhas de capital de giro, que passarão a cobrar juros a partir de 0,96% mensais. Cheques pré-datados, duplicatas, promissórias e cartões terão juros de até 1,26% ao mês.

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Já o financiamento de veículo terá juros 19% mais baixos, com taxa a partir de 0,99% ao mês. O juro do crédito consignado para beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cairá para uma faixa entre 0,85% e 1,8% ao mês. Os trabalhadores que recebem salário pelo Banco do Brasil poderão ter acesso a juros de 3% ao mês – ou 12,25% ao ano – no rotativo do cartão de crédito.

Na Caixa, a redução da taxa do cheque especial será de 67%, caindo para 4,27% mensais. Clientes que recebam salários no banco a cobrança será de 3,5% ao mês. Dependendo da relação com a Caixa, o valor poderá ser reduzido para 1,35% mensais.

Nas linhas de crédito rotativo de cartão de crédito, as taxas foram cortadas em 40%, saindo de 12,86% para 9,47% mensais. Nos financiamentos consignados houve diminuição de 34,2%, de 2,82% 1,95% ao mês. O financiamento de veículos caiu 18,6%, de 1,19% para 0,98% mensais.

Além de cortes em várias taxas, o banco reduziu em 68,7% o juro de financiamentos para capital de giro de micro e pequenas empresas, passando de 2,72% para 0,94% ao mês.

VALDO ALBUQUERQUE


Capa
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Expediente

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