Surgem gravações com propina de Carlos Cachoeira para Perillo

PF monitorou entrega de dinheiro no Palácio de governo de Goiás, segundo novas gravações 

 A Polícia Federal monitorou, através de gravações autorizadas pela Justiça e que estão vindo a público agora, detalhes da entrega de uma polpuda propina de Carlos Cachoeira ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Disponibilizadas pelo blog “QuidNovi”, do jornalista Mino Pedrosa, as gravações revelam a entrega de R$ 500 mil a Perillo dentro do Palácio das Esmeraldas. O dinheiro foi entregue pelo ex-vereador do PSDB, Wladimir Garcez, que está preso e é considerado pela Polícia Federal o braço direito no esquema de Cachoeira. As gravações mostram um comparsa de Cachoeira perguntando a outro se ele contou o dinheiro e, depois de confirmar que está tudo certo, orienta-o a esconder as notas numa caixa de computador.

Num dos telefonemas, um membro da quadrilha de nome Geovani, informa a Carlos Cachoeira que o dinheiro já está na mão e que o “Gleibão” (Gleyb Ferreira da Cruz) está indo. “Pode mandar?”, pergunta Geovani. Cachoeira responde que pode, e diz: “Fala pra ele esconder”. Geovani responde que o dinheiro “está numa caixa de computador”. Cachoeira diz que tudo bem e que é para eles terem cuidado com acidentes de trânsito para “não queimarem as notas”.

Wladimir Garcez se dirige a Carlos Cachoeira, num dos telefonemas gravados, como “chefe”, ao responder sobre o horário da passagem do dinheiro. “E aí que hora vai ser?”, pergunta Cachoeira. “Nada, ele [Perillo] nem recebeu ainda o pessoal da Schinkariol. Ele está lá com o pessoal da televisão gravando um vídeo”, respondeu Garcez. “O coisa está chegando aí com aquele dinheiro, liga para o Lúcio aí. Liga prá ele aí e vê com quem ele deixa”, diz Cachoeira. “OK. Eu estou tentando falar com ele”, responde Garcez.

Em outra ligação de rádio Nextel, Cachoeira cobra de Garcez que mudou o horário [do encontro com o governador] e ele não foi avisado. “Você ia me avisar que horas que mudou de 1 para as 4 horas o horário dos meninos?”, pergunta. Garcez responde: “Eu estou esperando confirmar, né”. E acrescenta: “Ele [Gleyb] está aqui em Goiânia já?”. “Ele está na porta do Palácio”, responde. “Pode ser até daqui a pouquinho. Estou esperando o tenente me ligar, ele não ligou. Eu até liguei prá lá e ele disse que o governador falou: manda ele vir prá cá, mas não disse que horas, não”, explica Garcez, acrescentando: “eu falei pro tenente, você marca e eu estou aí em menos de vinte minutos”.

Na transcrição da Polícia Federal (ver fac símile ao lado) aparece o título: “Entrega de dinheiro no Palácio do Governo de Goiás”. No documento são mostrados os detalhes da operação que monitorou com áudios e vídeos a ação de pagamento da propina ao governador. A Polícia Federal acompanhou todos os movimentos da quadrilha desde a saída do dinheiro de Cachoeira até a sua entrega a Wladimir Garcez (PSDB) que estava esperando no Palácio do Governo.

Geovani pergunta, em outra gravação, se a pessoa que recebeu a encomenda contou o dinheiro. “Contou?”, indaga Geovani. “Já conferi tudo”, responde. “Então, lacra aí e pede para o Gleibão entregar para o Wladimir que está lá na praça perto do Palácio. Fala para ele passar lá e deixar”, completa. Gleyb depois pergunta para Cachoeira se Wladimir já está no lugar combinado. “É para esperar lá”, responde o chefe. Gleyb pergunta a uma pessoa de nome Julinho, se é no mesmo lugar de antes. Ele responde que vai passar um rádio para o Wladimir e que depois retorna com o lugar exato, mas reforça que deve ser no mesmo lugar “da outra vez”.

As gravações destes diálogos só foram possíveis porque a Polícia Federal conseguiu interceptar os rádios Nextel, que a quadrilha acreditava estar imune. Sob orientação do ex-delegado da Polícia Federal, Fernando Byron, e do ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, também presos na Operação Monte Carlo, Cachoeira comprou e habilitou 15 rádios Nextel em Miami (EUA). O ex-delegado e o araponga Dadá garantiram a Cachoeira que assim estariam livres de interceptações legais ou ilegais, o que não aconteceu, felizmente. O senador Demóstenes Torres foi um dos contemplados com um rádio Nextel.

Com todas essas evidências da ligação criminosa entre Carlos Cachoeira e o governador Marconi Perillo, vai ficar muito difícil para o político tucano continuar tentando negar seu envolvimento no bando formado por Cachoeira e Demóstenes Torres. Perillo deu declaração na quarta-feira negando que tenha recebido dinheiro de Cachoeira.

Numa estratégia de defesa parecida com a que Demóstenes também usou no início das revelações de sua ligação com a quadrilha de Cachoeira, Perillo disse que é tudo calúnia e que ele não faz nada de errado dentro do Palácio. Que no Palácio ele só defende “os interesses do povo”.

Diante das gravações, vai ficar também insustentável a ausência de Marconi Perillo nas investigações pedidas pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, à Justiça. O procurador já abriu investigações contra o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

Foi apresentado à CPMI do Cachoeira, na quarta-feira (25), um requerimento para que o governador de Goiás seja convocado a apresentar explicações aos parlamentares.

 


Capa
Página 2

Taxa de desemprego cresce pelo 3º mês seguido e chega a 10,8%

A campanha dos bancos para saquear a poupança

Rombo externo é coberto com desnacionalização

Sem a “parcimônia” do BC, CEF reduz juros para imóveis

Anúncio

Expediente

Página 3

Surgem gravações com propina de Carlos Cachoeira para Perillo

Documentos da PF são ponto de partida da CPMI, diz relator Odair

Oposição apresenta enxurrada de requerimentos na comissão para diluir o foco das investigações

Governo do DF impediu bicheiro Cachoeira de manobrar licitação para bilhetagem eletrônica

Indústria do país não pode ser sucateada pela guerra comercial desencadeada pelos países ricos, diz Dilma

Presidenta anuncia investimentos em metrô, VLT e corredores de ônibus em 54 cidades

Código Florestal: relatório de Piau é aprovado e governo quer restabelecer projeto do Senado

Para parlamentares, escândalo Cachoeira mostra que é urgente adotar o financiamento público

Expediente

Página 4

Pré-candidatos se manifestam sobre o pedágio urbano em SP

Senado aprova alíquota única para ICMS de importados e põe fim à guerra dos portos

Relator do STF dá parecer favorável às cotas raciais

Juiz propõe criação de “habeas mídia”contra abusos da imprensa

CARTAS

Página 5

 

 

Página 6

Wells Fargo é cercado em SF contra os despejos de mutuários

Detido o bando armado que tentava infiltrar-se na Síria a partir da Turquia

Orgiagate 2: Marines perpetram agressão a prostituta em Brasília

Dezenas de milhares de estudantes nas ruas de Santiago para tirar educação da mão dos bancos

Senado da Argentina aprova por 63 a 3 renacionalização da YPF

Equivocam-se de novo

 

Página 7 Página 8

Daniel Olesker - Crescimento e distribuição de renda: a Frente Ampla no governo do Uruguai